logoSign upLog in
Washington Caetano Souza

Washington Caetano Souza

Fundamentos de educação à distância Cada dia a oferta de cursos a distância no Brasil é maior e a quantidade de Brasileiros que estão se aderindo a essa modalidade é gigantesca. No início os cursos à distância eram feitos por correspondência exemplo os correios como uma forma de capacitar e gerar mão de obra mais qualificada ou atualização de conhecimentos do mesmo, mas com o avanço da internet a partir do ano de 2003 esta modalidade começou a ser repensada por muitas pessoas e a cada momento está se consolidando e se tornando mais reconhecida no país, assim, permitindo que pessoas mais desprovidas financeiramente tenha acesso ao ensino e também aquelas que moram em localidades mais distantes e que não tem tempo disponível para ir a uma instituição de ensino. A educação EAD contempla tanto o ensino básico quanto os universitários e cursos desde os técnicos até os profissionalizantes, mas essa forma de ensino até os dias atuais enfrenta o preconceito de ser de baixa qualidade e marginalizada pois encontra-se mais adeptos as classes mais baixas, más isso tende a se tornar mais democrático pois está se mostrando tão bom quanto o presencial porque está vencendo não só a barreira da localidade mas também de maior qualidade. Esta tecnologia começou a ser aplicada no mundo por volta dos anos 1920 na Europa sendo feita através da tecnologia que se dispunha naquela época como rádio, telegrafo e até telefone pois estes eram considerados equipamentos de alta tecnologia e modernidade, contudo este método começou a ser mais divulgado e conhecido após a segunda parte do século XX e em 1966 nasceu a primeira universidade aberta no mundo a The Open University em Londres UK que contribuiu grandiosamente para o avanço e o desenvolvimento de técnicas que caracterizou os modelos atuais de ensino a distancia e auxiliando no desenvolvimento de novas tecnologias e processos que garantiram solidez nas praticas atuais de EAD de uma forma distribuída e massiva e fez que alguns anos depois começaram a surgir outras universidades como em outros países e começou a atrair pesquisadores a desenvolver novos modelos de educação e a adaptação em outras tecnologias. A distância física entre os alunos e os professores não interfere no aprendizado, pois as novas tecnologias de mídias estão em constante evolução, assim trazendo grandes benefícios para o EAD pois esta constitui em grande desafio para as instituições de ensino pois exigem grandes investimentos em tecnologia além de adaptar em diferentes culturas e fazer esta imersão entre os professores e alunos em um parâmetro pedagógico online e atendendo os mesmos com a qualidade de um espaço presencial. Mesmo com este constante desenvolvimento e a imersão de juntar alunos tanto do mesmo país quanto de todo o mundo como as open source que tem representado grande fatia do mercado EAD que começou a ser acessados de maneira massiva já no começo do século XXI com criação de instituições especializadas nesta metodologia e gerenciamento de cursos a distância no segundo Keegan (1996) “a literatura existente sobre o assunto revela um panorama fragmentado, não consolidado e carente de fundamentação teórica e trabalhos de pesquisa direcionados, capazes de explicar os principais pontos controversos na descrição dos fundamentos da educação a distância”. MUGNOL, M. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009 339. O processo educacional à distância é reconhecido como centrado no aluno e mediado pelas tecnologias da sociedade da informação, fato esse que leva à necessidade de se investigar como alunos e instrutores, com o uso das novas tecnologias, podem colaborar para gerar novos conhecimentos. Nos primeiros anos da década de 90, um grupo de educadores Europeus, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre treinamento a Distância na União Europeia, elaborou um estudo do qual resultou um relatório, apresentado em 1997 e denominado VOCTADE – Vocational Education and Training(VET) at a distance in the European Union. Das diversas tecnologias utilizadas pelas instituições de ensino que trabalham com o ensino a distância esta metodologia foi aceita pelos profissionais do meio acadêmico, colaborando para o aprofundamento dos conhecimentos desta modalidade que foi aceita e reconhecida pela qualidade e disposição de material pelos alunos e profissionais acadêmicos. A questão é que os conhecimentos e contribuições geradas pelo e-learning tem revolucionado o ensino pois universidades, colégios e centros de treinamentos, universidade de portas abertas e universidades corporativas estão provendo para os alunos distribuições individuais e especificas de acordo com as habilidades de cada um e com ou não a distribuição de material de didático pré-preparado, sendo que a principal característica desta metodologia é que possui maior exposição de informação e contato individualizado com cada aluno. Desmond Keegan (1996), um dos principais teóricos da EAD, destaca em suas obras que o processo educacional a distância tem a seguintes características: • sofre influência de uma organização educacional no planejamento, preparação do material de ensino e na provisão de serviços de suporte aos alunos; • distância física entre professores e alunos; • utilização da mídia – impressos, áudio, vídeo ou computador para mediar ações educativas entre professores e alunos no desenvolvimento do conteúdo do curso; • comunicação bidirecional, de forma que o aluno pode se beneficiar de um diálogo mais estreito com o professor; • quase permanente ausência de grupos de aprendizagem presenciais,com a possibilidade de encontros, face a face ou através de meios eletrônicos, sendo os estudos individuais responsáveis por completar as necessidades e propósitos de socialização.A educação a distância no Brasil Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009340 A existência de materiais didáticos de qualidade para a educação a distância, a mediação tecnológica dos meios de comunicação e informação, são atributos que se colaboram para o bom desempenho do papel do professor. Aos alunos são atribuídas maiores responsabilidade sobre a própria formação, traduzida esta, em maturidade intelectual para estudos individuais e disciplina para o cumprimento das tarefas propostas pelos professores. Landin (1997, p. 9) diz que “com a grande expansão da EAD no final dos anos 60 e na década de 70, estudiosos desta modalidade educativa apresentam suas contribuições, estas foram classificadas por Keegan (1983) em três grupos,” Assim distribuídos: • as teorias da autonomia e independência, erguidas por Charles Wedemeyer (EUA) e Michael Moore (Reino Unido), que refletem,como componente essencial, a independência do aluno;• o trabalho de Otto Peters (Alemanha) em uma teoria da industrialização, que reflete a tentativa de visualizar o campo da educação a distância como uma forma industrializada de ensinamento e aprendizagem; • a terceira corrente integra as teorias de interação e comunicação formuladas por Baath (Suécia), Sewart (Reino Unido) e BörjeHolmberg (Suécia), Daniel &Marquis(Reino Unido).A metodologia aplicada na EAD prima pela conscientização dos alunos sobre o seu papel no resultado das atividades acadêmicas para o seu aprendizado. Os conceitos de autonomia e independência, arguidos por Keegan (1996), têm como fundamento a aprendizagem, que por sua vez remete à criação de oportunidades para que a mesma possa acontecer.As oportunidades de aprendizagem, por sua vez, implicam na criação de meios pelos quais elas poderão acontecer efetivamente, e no caso da EAD os principais meios a serem considerados são: comprometimento e responsabilidade do aluno, orientação e apoio dos professores disponível em todos os momentos, a utilização compartilhada de métodos e meios de transmissão das informações, o respeito às diferenças individuais com a utilização de métodos capazes de respeitar o ritmo da aprendizagem de cada estudante. Corroborando com esta discussão e tendo em vista que a educação distância no Brasil é fundamentalmente direcionada para alunos da idade adulta, Martins (2005), destaca que: • os adultos são, por definição, auto responsáveis e, assim, temos direito de decidir sobre o que e como será sua educação; MUGNOL, M.Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009341 • há que se considerarem as diferenças individuais sobre todo o campo dos estilos cognitivos; • se as instituições não apoiam as demandas de aprendizagem dos adultos, estes conseguirão apoiar-se a si mesmos.A educação e a distância se desenvolve através da articulação de atividades pedagógicas capazes de desenvolver os aspectos afetivo, psicomotora cognitivo dos estudantes. Para isso, utiliza-se de formas de comunicação não contígua, que independem do tempo e do lugar onde se encontram os atores do processo, isso a torna interessante para alunos adultos que tem compromisso com o mercado de trabalho. Landin (1997, p. 14), diz que “Holmberg é o importante e reconhecido teórico da EAD e apresenta sua teoria como um método de conversação didática guiada.” Nas palavras do próprio autor “o sistema a distância implica estudar por si mesmo, mas o aluno não está só;vale-se de um curso e de interação com instrutores e com uma organização de apoio. Produz-se, assim, uma espécie de diálogo em forma de tráfego de mão dupla” (LANDIN, 1997, p. 14).Otto Peters (2001), um dos pesquisadores citados no relatório VOCTADE de 1997, ao escrever sobre teoria da industrialização, considerou que ensino a distância incorpora os métodos do trabalho industrial. Martins (2005) resumiu suas proposições da seguinte forma: • os estudos a distância são uma realidade em função da produção do material em escala industrial. O material é preparado por uma equipe de especialistas de diversas áreas.Isto significa uma mudança radical nas funções docentes tradicionais; • planejamento do curso, a organização racional de todo o processo e a formatação das fases se assemelha à produção industrial; • a preocupação de um contínuo controle, como a sistematização de contínuas avaliações no processo e do produto da EAD, objetiva a otimização do tempo e do trabalho dos recursos humanos e; • a centralização e monopolização da produção tornam esse sistema economicamente rentável.Considerando as discussões sobre a industrialização da educação na modalidade a distância, não se pode deixar de analisar os resultados efetivos alcançados por ela sob o ponto de vista dos alunos. Um dos quesitos indispensáveis à educação a distância no Brasil Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009342 A capacidade e habilidade de aprendizagem dos alunos estão diretamente interligadas em como estes se projetam socialmente em uma comunidade e ao ponto de vista acadêmico, dando continuidade aos estudos e ao perfil profissional e cultural além do meio e a qualidade do meio de comunicação utilizado que pode inferir diretamente nos objetivos e à qualidade do curso. A educação a distância no Brasil teve suas primeiras iniciativas nos anos 90 em meios como: cursos por correspondência, televisão e rádio onde começaram a surgir canais de comunicação oficiais incentivados pelas secretarias de educação municipais e estaduais além de iniciativas isoladas como universidades e fundações. Os primeiros formais criados para a regulamentação da década de 90 eram voltados para a formação continuada de professores da Rede Pública como o Projeto NAVE em São Paulo (ALMEIDA, 2001); o Projeto Virtus em Recife (NEVES; CUNHA2002); o Projeto do NIED UNICAMP realizado em parceria com a Universidade Estadual de Londrina e a Universidade Estadual de Maringá (VALENTE 2000). As iniciativas de oferta de cursos de Lato Sensu, cursos de extensão. Cursos livres marcam o início da educação em ambientes virtuais de aprendizagem no Brasil. A educação a distância no Brasil tem sido objeto de pesquisas e trabalhos realizados nesta última década. As instituições que se dedicam à EAD receberam a contribuição teórica, no período de 1996 até 2006, de importantes nomes, como por exemplo, Landim (1997), Niskier (2000), Nunes (1998), Belloni (1999), Valente (2000), Martins (2005), Neves e Cunha (2000) e outros autores citados no número especial da Revista Em Aberto (1996). Na base do desenvolvimento da educação a distância tem-se a preocupação constante com o acesso a educação de quem não teve a oportunidade de estar presente na escola no tempo e no espaço considerado ideal para a educação escolar presencial. A partir da segunda metade do século XX, em decorrência da expansão e das novas abordagens para a educação a distância, cresceu significativamente o número de pesquisadores dedicados aos estudos da EAD, discutindo-se, entre outros aspectos, suas diferentes interfaces, modos de distribuição, metodologia e forma de interação com os alunos. Começou, também, a consolidar-se um processo legislativo resultante de uma política de EAD mais MUGNOL, M. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009 345 consistente, que almejava responder à exigência da expansão desta modalidade de ensino. Esse é o ponto que mais tem exigido atenção dos pesquisadores e profissionais envolvidos com educação a distância. A partir da Lei n. 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação para todos os níveis de ensino (LDB), o ensino a distância, conforme dispõe o parágrafo 4º, do inciso IV, do artigo 32, passa a ser definido como uma modalidade utilizada para “complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais”; e segundo o inciso 2, do artigo 87, cada município deve ser responsável por “prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados.” O artigo 80 da mesma lei estabelece que “o poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação continuada” (BRASIL, 1996). O Plano Nacional de Educação, exigido pela LDB e que passou avigorar em janeiro de 2001, com a aprovação da Lei 10.172/01, no capítulo que aborda a educação a distância e as Tecnologias Educacionais, refere-se a essa modalidade de ensino “como um meio auxiliar de indiscutível eficácia” para enfrentar “os déficits educativos e as desigualdades regionais”. O Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, estabeleceu o reconhecimento no sistema oficial de ensino dos cursos ofertados na modalidade por Instituições credenciadas pelo MEC. Com isso expande-se o processo de produção de conhecimento acerca da EAD no Brasil e novos projetos de cursos começam a ser desenvolvido, propondo-se inicialmente a atender interesses e necessidades específicas de formação de professores da Educação Básica e da Educação Superior Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009347 A trajetória histórica da educação a distância no Brasil revela um crescimento lento e sinuoso desta modalidade de ensino. Também deixa clara a existência de problemas que dificultaram e ainda continuam dificultando a criação de um sistema sólido de educação a distância, capaz de atender as expectativas do país e corrigir a dívida social com a educação. O governo, a partir da década de 70, criou uma série de programas cujo objetivo era alavancar as iniciativas de educação a distância, podemos citar como exemplo o Programa Nacional de Tecnologias Educacionais, o Projeto Minerva envolvendo mais de 1200 emissoras de rádio, a TV escola de São Luís do Maranhão, a TV Universitária de Recife, a TVE do Rio de Janeiro, a TVCultura em São Paulo, o projeto FEPLAN no Rio Grande do Sul, o IRDEB na Bahia e o Projeto SACI no Rio Grande do Norte. Estes são exemplos de iniciativas que não foram levadas a diante e a maioria desapareceu logo depois de ter sido criada. Por tudo o que foi exposto, percebe-se que a dificuldade de alavancar as iniciativas de EAD no Brasil se deve, sobretudo a: • a implantação de projetos-piloto sem o adequado planejamento para continuidade; • falta de critérios para avaliação dos programas implantados; • iniciativas isoladas incapazes de criar uma memória sistematizada dos programas desenvolvidos; • inexistência de avaliações das iniciativas; • encerramento dos programas sem qualquer prestação de contas sobre os resultados e os recursos públicos investidos; • indefinição da estrutura institucional para a gestão centralizada das iniciativas; • projetos desvinculados da realidade, desconexos com os rumos do desenvolvimento econômico e político do país; • baixo desenvolvimento tecnológico e carência de ferramentas de gestão das iniciativas; • desconhecimentos dos potenciais da EAD e de suas exigências; • administração das iniciativas por pessoas sem a necessária qualificação para as funções;A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, além de apresentar como fundamento os princípios da flexibilidade e da avaliação, apresenta,também, o princípio do respeito às iniciativas inovadoras, facultando a abertura de instituições e cursos em caráter experimental. Ao mesmo tempo, incentiva claramente a modalidade de educação a distância (EAD) que, a partir de então, passou a ser a educação a distância no Brasil. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 27, p. 335-349, maio/ago. 2009 348 Desenvolvida quase que exclusivamente pela iniciativa privada, tornando-se à modalidade de ensino que mais cresce no país, e que, desde então, tem sido objeto de discussão por parte dos estudiosos, das autoridades educacionais, das instituições de ensino, dos professores, dos alunos e da sociedade de modo geral. O Ministério da Educação (MEC), em última instância o responsável pela educação no Brasil, tem se posicionado como um órgão regulador que define as políticas e diretrizes, que elabora os instrumentos e faz a avaliação do sistema.

Relevant