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Maurício Gomes

Maurício Gomes

Havia a beira de um tortuoso caminho, uma já arruinada e velha vinha. Os que passavam, referiam-se com desdém e mencionavam o quanto fora e o quanto era.

Diziam eles:

- Olhai àquela velha vinha. Tornara-se uma assolação aos olhos. Quem diria, por sua altivez, que assim estaria e assim seria?

E riam-se, dia após dia da velha vinha agonizante! Jaz tomada por abrolhos, espinheiros e outros tantos.

Seu solo escaldante e pedregoso, ostentava como macabro monumento, a grande torre, que em outrora, os vigias abrigava.

Seus sulcos, agora secos, de nada serviam, senão como habitação para peçonhas e sua presas.

O lagar embolorado e abandonado, tora-se como um pesadelo sombrio e melancólico.

Mas havia alguém que lamentava-se sempre ao vê-la. Um viajante empregava-lhe sempre olhos compassivos. Um vinhateiro, a contemplava e movia-se de íntima compaixão!

Ao passar,um dia por ela, parou, despiu-se de sua capa e desceu de sua glorioso carruagem e seguiu em socorro a vinha velha.

Ele sabia que poderia salva-la! Ele conhecia todos os segredos sobre vinhas e estava certo de que, sob seus ramos ressequidos, merejava ainda alguma seiva e que deles, surgiriam novos brotos, novos ramos, novas folhas e enfim, novos frutos!

Aquela, tornara-se uma tarefa de honra. Se dedicaria incansavelmente a salvação daquela vinha sofrida. E iniciou!

Primeiro passo:

Restaurou-lhe os muros, para que não mais fosse pisada pelas gentes que ali passassem.

Segundo passo:

Reedificou-lhe a torre, para que se restabelecessem os vigias e assim não seria violada em seus termos.

Terceiro passo:

Ajuntou-lhe e laçou do solo, monturos e pedregulhos, espinheiros e abrolhos e tudo mais quanto lhe afligia.

Quarto passo:

Desterrou-lhes os sulcos e fez lhe fruir, as antigas torrentes d’água, que nutriam-lhe tempos d’antes.

Quinto passo:

Então, finalmente, arejou-lhe o lagar, onde um dia haveria novamente a supressão de muitos frutos, oriundos da restauração dessa velha vinha.

Árdua foi essa labuta. Jamais outro teria tamanha dignidade e solicitude! Doar sua riquíssima vida por tão duro labor! Quão grande foi esse amor, jamais se cogitou em época alguma mensura-lo, pois seria vã tal iniciativa. Houve esse, que amou a esse extremo. Que erigiu essa meta e em seus amargos momentos, vislumbrava os doces frutos do por vir e assim, completou a prima obra. Uma obra de salvação!

Entregou a salvo a velha vinha. Então expirou e reviveu para desfrute de seus frutos, pois assim, é como deve, não somente ser, mas principalmente estar: A obra pronta; A vinha salva e o Vinhaterio eternamente reconhecido.
Amém!

Por: Maurício Gomes. Percussionista Ministério de Louvor – IEAB Sede- Vl. Helena Sorocaba-SP/Brasil

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