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Paulo Roberto de Bitencourt

Paulo Roberto de Bitencourt

Mariana: uma lição para todos

O recente desastre com a barragem de Mariana, em Minas Gerais, no dia 16 de novembro, poluiu 1% do território nacional com lama e dejetos de mineral de ferro da empresa Samarco. Morreram 16 pessoas e outras três continuam desaparecidas. O Distrito de Bento Rodrigues foi destruído e centenas de pessoas ficaram desabrigadas. Até o fechamento desta edição, mais de 2 toneladas de peixe já haviam morrido no leito do rio Doce. A mineradora é controlada por duas acionistas: a anglo-australiana BHP Bilitan Brasil Ltda. e a brasileira Vale S.A. Seu faturamento chega a R$ 2,8 bilhões por ano e a multa aplicada pelo Ibama, no valor de R$ 250 milhões, pode ser pago com o lucro de apenas um mês. Segundo especialistas, a punição é muito branda, pois está no teto de uma lei cuja regulamentação está em muito ultrapassada. Centenas de famílias foram abaladas direta ou indiretamente. O meio ambiente foi brutalmente agredido e os culpados agora ostentam habeas-corpus para não serem presos.
Fosse nos Estados Unidos, ou em qualquer outro país desenvolvido, os responsáveis por este desastre anunciado já estariam atrás das grades. Têm-se informações de que a Samarco já sabia da instabilidade da represa, no entanto, sequer elaborou um plano de contingenciamento ou de evacuação da área em risco. Até agora, os atingidos perambulam por abrigos e casas de parentes, pois fugiram da lama com a roupa do corpo. Conforme ambientalistas será preciso no mínimo uma década para recuperar a cadeia biológica, com risco de extinção de algumas espécies.
Trazendo o fato para a nossa realidade, lembramos de nossas cheias, que constantemente desalojam famílias e trazem prejuízos incalculáveis. Elas ocorrem pela má educação de parte da população – ao usar arroios como depósitos de lixo, por exemplo, e, por falta de prevenção das autoridades e sucateamento de equipamentos. Felizmente, a prefeitura de Porto Alegre está licitando a compra de novas bombas de sucção e recentemente instalou geradores de energia nas mesmas. É preciso correr na frente das tragédias.

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