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Nutricionista Claudia Silvestre

Nutricionista Claudia Silvestre

To Médicos e profissionais da área da saúde23/05/2015

No Brasil, houve uma redução dos índices de desnutrição, no entanto nota-se o aumento da obesidade infantil por causa da inadequação da alimentação e do sedentarismo. E as conseqüências não são nenhuma novidade: obesidade e doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs).
A obesidade, hoje, afeta uma em cada quatro crianças em idade escolar e um a cada dois adultos. Crianças entre 5 e 9 anos de idade com excesso de peso chega a 33,5% no país. Já na adolescência, é 20,5%. E sabe-se que uma criança obesa, será, possivelmente um adulto doente. Este assunto tem sido um desafio para a saúde pública, não somente no Brasil, mas em nível mundial, no sentido de prevenção e controle desta epidemia.

A pesquisa Vigitel, Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, realizada pelo Ministério da Saúde em 2014, constatou que mais de 50% da população adulta que vive no Brasil está com excesso de peso.

O estudo, intitulado Jogue Limpo com o seu Coração, examinou, nos anos de 2004, 2008 e 2012, 690 crianças entre 5 e 9 anos de idade. Destas, 30% responderam beber diariamente refrigerantes e sucos industrializados. Apenas 34% delas consumiam frutas cítricas em 2004. Em 2012, o número caiu para 23%. A falta de exercícios físicos também foi um fator preocupante.

As crianças são freqüentemente expostas a uma alimentação inadequada. As guloseimas nos mercados são organizadas de forma que a criança tenha acesso a elas; ainda muitas cantinas escolares oferecem alimentos com calorias vazias ou extremamente calóricos; a televisão vai influenciar o consumo e os comerciais marcam presença na vida das crianças, despertando o desejo por biscoitos recheados, refrigerantes e sanduíches, muitas vezes acompanhados de embalagens com personagens animados e brindes colecionáveis; muitas vezes os pais tentam compensar a ausência e demonstrar o cuidado e o amor pelos filhos aceitando todos os pedidos das crianças com relação a guloseimas e fast food. Os pais também sentem-se realizados por poderem oferecer a seus filhos alimentos a que eles não tinham acesso quando crianças.

Um dos principais fatores relacionado à obesidade na infância é a falta de atividade física. Ao contrário da infância de muitos pais que cresceram em casas com grandes pátios para correr e brincar, as crianças de hoje em dia crescem em apartamentos e as brincadeiras são no tablet, notebook, vídeo game, televisão... São crianças muito ativas intelectualmente, com muito acesso à informação, mas muito passiva em relação a atividades físicas por falta de espaço apropriado, companhia ou estímulo da família.

A falta de atividade física associada a uma alimentação inadequada resulta no excesso de peso e crianças desenvolvendo doenças típicas de adulto como hipertensão, cardiopatias, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e fazendo uso, muitas vezes, de medicamentos para o controle dessas doenças.

A obesidade é hoje uma realidade na vida de milhões de crianças e adolescentes. Os hábitos alimentares e o estilo de vida de uma criança são criados pela família, assim como o acesso a alimentos poucos saudáveis dentro do lar são de responsabilidade dos familiares.

As famílias de uma forma geral estão habituadas com um tipo de alimentação não saudável. Alimentos práticos, mas pouco nutritivos e ultraprocessados ricos em sódio, açúcar e gorduras, são encontrados facilmente no comércio, nos lares, nas escolas e na lancheira das crianças.

As mudanças necessárias para a alimentação da criança passam por toda a família que deverá repensar sua alimentação e estilo de vida, além de estabelecer regras em relação ao consumo de alimentos industrializados e com calorias vazias.

Fonte: http://infancialivredeconsumismo.com/index.php/comida-carinho-e-publicidade-o-que-alimenta-o-consumi

Cláudia Silvestre Torres
claudias_torres@hotmail.com

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