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ROBERTO YANAGUIHARA

ROBERTO YANAGUIHARA

Preparar os filhos para o mundo ou para si?
Minha mãe em sua sabedoria sempre dizia para mim: “Eu estou te preparando para o mundo, não para mim!”. Hoje, vivendo o mundo corporativo já há quase duas décadas, acredito que as empresas também preparam os seus filhos, funcionários, para o mundo e não para si.
Pensando nas diversas situações encontradas durante a carreira, onde meu principal foco sempre foi o desenvolvimento de pessoas através da educação, percebo que consegui preparar muitos profissionais para o mundo corporativo, alguns permaneceram nas empresas por onde passei, mas, vários deles seguiram seus caminhos após terem sido “preparados”, foram para o mundo.
Aí fica um grande questionamento, será proveitoso desenvolver os profissionais de suas fileiras para perdê-los para o mercado? Investir na carreira desses profissionais, aguardando um retorno e correr o risco de perder este investimento a primeira tentação que bater às suas portas ou incentivar que eles invistam por conta própria em seu auto desenvolvimento?
Acredito que exista um ciclo, como em qualquer relacionamento, que se divide em três fases: reconhecimento, quando estamos nos apaixonando; plenitude, quando a paixão se transforma em amor e tudo é belo; queda, quando a paixão deixa de existir e os olhos passam a buscar por outras cercanias, novos desafios.
O desafio das empresas é não permitir que a chama da paixão se extinga e os laços sejam desfeitos. Claro que não há como preparar os filhos para si, mas, acredito que a árdua tarefa seja fazê-los olhar com o mesmo interesse, volúpia e paixão para dentro de casa, encontrando novos mundos.
Talvez seja um trabalho de gigante, mas, se bem desenvolvido e articulado, os resultados são promissores. Programas de retenção de talentos têm que ser mais abrangentes e complexos do que aumentos de salários ou melhorias em benefícios. A retenção de talentos deve seguir a linha de tornar o profissional cada dia mais apaixonado pela empresa. Utopia? Talvez sim, mas esta é a tarefa e o desafio para a área de recursos humanos, permitir que o profissional enxergue não apenas uma fonte de renda na empresa, mas, acima de tudo, possibilidades e desafios, mantendo sempre a paixão aquecida.

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  1. Betina Carvalho
    16/03/2015 #1Betina Carvalho
    Muito interessante sua análise Roberto. Estou de acordo com você. Ainda mais nos dias atuais, onde o grande desafio das empresas não é mais atrair os talentos, e sim retê-los. Esses jovens sedentos de saber, de experiências e de novidades desestabilizaram o mercado e estão fazendo as organizações reaprenderem a lidar com esse processo.
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