Adalgisa de Oliveira Silva Dias in Trabalho Social - Serviço social, Medicina - Saúde - Nutrição, Médicos e profissionais da área da saúde Assistente Social (Bolsa Extensão) • Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira - IFF/FIOCRUZ Jun 12, 2019 · 45 min read · +200

MULHERES VÍTIMAS DE CÂNCER DE MAMA: do diagnóstico confirmado ao acompanhamento pela Clínica da Mulher no Município de Saquarema - RJ

RESUMO

Este Trabalho tem como objetivo verificar a importância da implantação da Clínica da Mulher no Município de Saquarema-RJ, abordando o tema sobre o câncer de mama em mulheres. Além de versar sobre a incidência, morbidade e mortalidade causada pela doença, buscou-se refletir sobre o impacto do diagnóstico, tratamento e acolhimento da mulher acometida por câncer. Esta pesquisa tem como finalidade analisar os desdobramentos relacionados ao diagnóstico, acompanhamento e tratamento das mulheres vítimas de câncer de mama pela Secretaria Municipal de Saúde de Saquarema-RJ. Descrever o fluxo realizado pelas usuárias após a confirmação do diagnóstico. Conhecer alguns aspectos da realidade social dessas mulheres e o vínculo que elas têm com a equipe de saúde pela Clínica da Mulher e identificar ações de acolhimento oferecidas pela Secretaria Municipal de Saúde. Ao final da pesquisa foram identificadas algumas barreiras que dificultam o acesso pleno à saúde da mulher saquaremense. Por outro lado verificou-se a viabilidade da implementação de ajustes que possibilitem algumas soluções para melhoria dos serviços de saúde na Clínica da Mulher. Apesar de representar um marco em termos de inovação, acolhimento e privacidade no que concerne à saúde da mulher, a Clínica da Mulher ainda carece de ajustes pontuais para poder ofertar um atendimento digno e pleno às mulheres saquaremenses.

Palavras-chave: Mulher; Câncer de Mama; Clínica da Mulher; Saquarema-RJ.


INTRODUÇÃO

O câncer de mama é o mais frequente no mundo e a principal causa de morte entre as mulheres. A incidência do câncer de mama tem aumentado, devido ao crescimento do índice de expectativa de vida, a urbanização e mudanças no estilo de vida. O câncer de mama tem sua importância fundamentada por diversos fatores, dentre os quais se destacam alta incidência, elevado índice de mortalidade, dificuldade para se estabelecer o diagnóstico precoce e a escassez de informações quanto ao comportamento biológico.

No Brasil não é diferente, esse tipo de câncer é o mais comum entre as mulheres e o segundo mais frequente. Nesse contexto, é fundamental alertar e orientar a população feminina sobre a importância da prevenção, pois os tumores mamários malignos estão entre as principais causas de óbito no Brasil. É importante destacar que a presença de câncer nas mulheres não pode ser exatamente evitada, pois depende também de fatores genéticos que fogem do controle da mulher em sua totalidade.

Pensando nessa temática, elaboramos uma pesquisa sobre a mulher vítima de câncer de mama e sua trajetória, do diagnóstico confirmado ao acompanhamento pela Clínica da Mulher, resultando nesse Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, que tem como objetivo verificar a importância da implantação da Clínica da Mulher no Município de Saquarema-RJ, abordando o tema sobre o câncer de mama em mulheres.

O interesse em pesquisar o assunto se deu por observar que no Município de Saquarema o índice de crescimento populacional subiu desordenadamente em relação ao crescimento da infraestrutura socioeconômica, bem como em relação à capacidade de atendimento dos serviços públicos da Cidade. Com isso, houve uma demanda muito grande de atendimentos na área da saúde, principalmente no público feminino. Por isso o meu interesse em aprofundar nessa temática de saúde/doença, entendendo o processo de diagnóstico, fluxo, tratamento e acompanhamento das mulheres saquaremenses acometidas de câncer de mama.

No primeiro capítulo, discorremos sobre o câncer de mama: sua incidência, morbidade e mortalidade; o câncer de mama no Brasil e suas implicações. Bem como os Direitos Sociais; a rede de proteção oferecida pelo Sistema Único de Saúde – SUS e a Atenção Primária à Saúde – APS como porta de entrada aos serviços de saúde.

Nas últimas décadas têm ocorrido, em todos os países, significativo aumento da incidência do câncer de mama e, consequentemente, da mortalidade associada a esta neoplasia, embora muitas pessoas morram com câncer sem que esta seja a causa primária do óbito. No Brasil, o câncer de mama representa a principal causa de morte por neoplasias malignas em mulheres. De acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde – SUS, as políticas públicas de saúde visam, dentre outras prioridades, promover ações voltadas para a saúde da mulher; tendo a Atenção Básica – AB como porta de entrada aos serviços de saúde, que abrange a promoção e a proteção da saúde como, também, a prevenção de agravos.

No segundo capítulo abordamos sobre o impacto do diagnóstico e o tratamento da doença; o medo da morte e a negação da doença. A legislação e o acolhimento também foram tratados neste capítulo.

O câncer de mama é reconhecido por ser uma doença que causa temeridade e gera grande impacto. No momento da comunicação do diagnóstico de câncer de mama, diversos sentimentos são vivenciados, dentre os quais se destacam a desesperança, angústia, medo da morte e a negação, sendo o impacto do diagnóstico muitas vezes considerado como uma vivência extremamente significativa. O tratamento para o câncer de mama varia de acordo com o grau de desenvolvimento do tumor, podendo ser feito através de quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e/ou cirurgia. Outros fatores que podem influenciar na escolha do tratamento são as tipificações do tumor e as características da mulher. O câncer de mama está entre os males assistidos pela legislação vigente em alguns benefícios e isenções, incluídos na lista as patologias consideradas graves. Entretanto algumas pacientes que têm a doença não conhecem seus direitos para ajudá-las nessa luta. Com relação à área do acolhimento, este viés se engaja no processo de cuidar do paciente e de sua família, para que seja promovida uma assistência humanizada e integral.

Por fim, no terceiro capítulo, falamos sobre a Clínica da Mulher no Município de Saquarema, o fluxo e o acompanhamento da mulher com diagnóstico positivo. Além das barreiras ao acesso à saúde e possíveis soluções para melhoria dos serviços de saúde.

O objetivo da Prefeitura de Saquarema de implantar a Clínica da Mulher foi reunir em só lugar ações desenvolvidas por meio de práticas do cuidado realizadas por uma equipe multiprofissional e dirigidas à população feminina. Pouco tempo após a inauguração, a Clínica da Mulher aumentou consideravelmente o número de mamografias diárias. Com isso reduziu-se drasticamente a demanda reprimida que já perdurava há anos na Policlínica Municipal. A paciente com o diagnóstico positivo do câncer de mama poderá ser inserida no cadastro do Centro de Regulação Municipal sendo encaminhada para fazer tratamento em uma unidade especializada que, quase sempre é o INCA – Instituto Nacional de Câncer, no Município do Rio de Janeiro. Outra possibilidade é ser encaminhada diretamente, pela Clínica da Mulher, para o OnkoSol - Centro de Tratamento do Câncer, localizado no Município de Cabo Frio, na Região do Lagos. Quem determina esse fluxo é o estágio da doença em que se encontra a paciente e/ou a unidade que disponibilizar mais rápido a vaga para o tratamento.

A participação do Serviço Social tem por objetivo oferecer um atendimento das necessidades dos pacientes e seus familiares, no sentido de abranger as condições do indivíduo em sua totalidade tendo uma contribuição muito significativa na medida em que considera, especialmente, os aspectos sociais, que envolvem a paciente, proporcionando um acompanhamento, baseado na realidade em que está inserido. Por isso é imprescindível assegurar às mulheres com câncer de mama uma estratégia articulada junto à rede de serviços e proteção social no percurso do cuidado em saúde para as mulheres que utilizam os serviços do SUS no tratamento do câncer de mama. Vale ressaltar que o atendimento psicossocial ainda não está disponível para as pacientes/usuárias da Clínica da Mulher.

Mesmo sendo um grande avanço em termos de qualidade no atendimento aos serviços de saúde para a mulher saquaremense, a Clínica da Mulher ainda enfrenta algumas barreiras a serem contornadas para que esses serviços sejam ofertados de forma plena, eficiente e eficaz.

Ao final do terceiro capítulo, depois de analisar algumas questões acerca dos mecanismos de funcionamento administrativo, técnico e operacional da Clínica da Mulher, versamos sobre alguns tópicos no intuito de apontar possíveis soluções para melhoria dos serviços de saúde no Município de Saquarema.


1 O CÂNCER DE MAMA

1.1 Incidência, morbidade e mortalidade

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, e sua incidência vem aumentando ao longo do tempo, concomitantemente ao aumento da industrialização e da urbanização. A neoplasia maligna de mama é responsável por cerca de 20% da incidência de câncer e por 14% do total de mortes associadas às neoplasias, entre as mulheres (INCA, 2006).

É relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente. As estatísticas indicam o aumento de sua frequência tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, nas décadas de 1960 e 1970 registrou-se um aumento de 10 vezes nas taxas de incidência ajustadas por idade nos Registros de Câncer de Base Populacional – RCBP de diversos continentes (INCA, 2006a).

Estudos comprovam que a precocidade no diagnóstico tem grande influência sobre a evolução e prognóstico do câncer, subentende-se que o quanto antes o indivíduo for diagnosticado, mais chance de cura este apresenta (KIM et al., 2010). “O tratamento de câncer é complexo e envolve o trabalho de diversos especialistas. Como qualquer outra doença, o câncer deve ser combatido com métodos mais efetivos e com menores efeitos colaterais possíveis” (LOPES E MELLO, 2008, p.161-167).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA, o câncer acompanha o mesmo ritmo do envelhecimento populacional e da expectativa de vida, sendo resultado de enormes mudanças mundiais que influenciam a vida dos indivíduos através dos novos estilos de vida, urbanização e o crescimento do consumo desenfreado (INCA, 2012).

A incidência e a mortalidade pelo câncer de mama tendem a crescer de acordo com a idade (BRASIL, 2013). Além da idade acima de 40 anos, apresentam-se, como fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama, aqueles relacionados à vida reprodutiva da mulher (menarca precoce, nuliparidade[1], idade da primeira gestação acima dos 30 anos, uso de anticoncepcionais orais, menopausa tardia e terapia de reposição hormonal), história familiar de câncer de mama e alta densidade do tecido mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido adiposo de mama). Outros fatores de risco, associados ou não, também podem contribuir para o aparecimento de neoplasia maligna da mama como: estatura, sedentarismo, álcool, tabagismo, exposição à pesticidas, maus hábitos alimentares, gordura corporal, gordura abdominal, ganho de peso na idade adulta, peso corpóreo, fatores ocupacionais e nível social. Além desses, a exposição à radiação ionizante, mesmo em baixas doses, também é considerada um fator de risco, particularmente durante a puberdade (INCA, 2011).

A anamnese em mastologia segue as normas clássicas prévias, com ênfase nos fatores de risco para o câncer mamário. O aparecimento de tumor na mama é o sintoma principal da doença, sendo esta a queixa principal, o qual, em mais de 70% das vezes, é descoberto casualmente pela própria paciente (D'AVILA et al., 2000).

Ainda segundo o mesmo autor, no caso das neoplasias, a presença do tumor deve ser explorada no que diz respeito a seu tamanho, forma, limites, consistência, fixação aos planos superficiais e/ou profundos, características da pele que o recobre e a sua localização (D'AVILA et al., 2000).

As formas mais eficazes de detecção para o câncer de mama são o autoexame, o exame clínico e a mamografia. Por seu alto índice de mortalidade entre as mulheres e não existindo uma forma de evitar o seu aparecimento, o que melhor se pode obter é o controle de sua evolução por meio da prática sistemática do autoexame de mama e atenção, quanto aos fatores de risco (DAVIM et al., 2003).

No que se refere ao câncer de mama palpável, este pode ser identificado, conforme ensina o Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2009, s. p.):

[...] os sintomas do câncer de mama palpável são o nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não e dor mamária. Podem surgir alterações na pele que recobre a mama, como abaulamentos e retrações ou um aspecto semelhante a casca de uma laranja. Podem também surgir nódulos palpáveis na axila.

O Exame Clínico da Mama – ECM é parte fundamental para o diagnóstico de câncer. Deve ser realizado como parte do exame físico e ginecológico, e constitui a base para a solicitação dos exames complementares. Já a mamografia é considerada a mais importante arma que se tem para diagnosticar alterações da glândula mamária, principalmente o câncer na fase pré-clínica (D'AVILA et al., 2000).

A mamografia é considerada como o método mais eficaz para detecção precoce do câncer de mama, pois está diretamente associado à redução da mortalidade causada por esta neoplasia. Sendo indicada em pacientes assintomáticas com mais de 35 anos de idade como rastreamento do câncer; apesar de que no Sistema Público de Saúde brasileiro o Ministério da Saúde – MS preconiza-se que este exame seja realizado após os 50 anos de idade. Entretanto, é garantido o direito a todas as mulheres a partir dos 40 anos, de acordo com a Lei 11.664/2008 que entrou em vigor em 29 de abril de 2009 (BRASIL, 2011).

No Brasil observa-se aumento tanto da incidência como da morbidade e mortalidade, uma vez que ainda existem inúmeras barreiras que perduram desde o acesso às ações de detecção precoce até às dificuldades de utilização dos recursos diagnósticos e dos tratamentos indicados. Essas condições repercutem de forma negativa na sociedade, gerando importantes impactos individuais, sociais e políticos, sendo considerado um problema de saúde pública e um dos alvos primordiais da Política Nacional de Atenção Oncológica – PNAO (INCA, 2011).

KLIGERMAN, 2002 aponta que:

No Brasil, a taxa de mortalidade por câncer de mama supera, inclusive, a de colo de útero, principalmente nas regiões sul e sudeste do país. As discussões sobre a importância crescente do câncer não são recentes. Desde os anos 30, configura-se como um problema de saúde pública de dimensões nacionais e, a cada ano que passa, se consolida como tal (KLIGERMAN, 2002).

O câncer de mama, na maioria das vezes, possui um bom prognóstico quando diagnosticado e tratado precocemente, porém as taxas de mortalidade no Brasil permanecem elevadas, provavelmente pelo fato de a doença ser diagnosticada tardiamente (MATOS; PELLOSO; CARVALHO, 2010). No tocante às possibilidades de detecção, a mamografia é o único exame usado para rastreamento, com capacidade de detectar lesões não palpáveis e causar impacto na mortalidade por câncer de mama, sendo por isso utilizado como exame de imagem recomendado para rastreamento do câncer de mama no Brasil (BRASIL, 2013).

A taxa de mortalidade do câncer de mama, comparada pela população mundial, apresenta uma curva ascendente e representa a primeira causa de morte por câncer da população brasileira, com 11,28 óbitos por 100 mil mulheres em 2009 (INCA, 2012).


1.2 O câncer de mama no Brasil

Conforme o INCA (2011), a situação do câncer no Brasil se divide em três partes: causalidade, ocorrência e ações de controle. Em virtude disso, a causalidade está associada à exposição da população aos fatores de risco. Desse modo, a ocorrência trata da incidência e dos índices de mortalidade no país. As ações de controle são as iniciativas para prevenção da doença, das formas de detecção precoce e do rastreamento do câncer, das linhas de cuidado integral e tratamento, formação e educação permanente em oncologia.

Segundo Kligerman (2001), o câncer constitui um problema de saúde pública, cuja prevenção e controle deverão continuar a ser priorizados em todos os Estados da União, mesmo naqueles onde, aparentemente, a população ainda apresenta um menor risco de adoecer.

O câncer de mama é a neoplasia que mais acomete as mulheres brasileiras, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. Para o ano 2016 foram estimados 57.960 casos novos da doença (INCA, 2015) e em 2014 o Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM registrou 14.622 casos de óbitos em mulheres por câncer de mama, sendo a principal causa de morte por câncer em mulheres no Brasil. No Brasil, é a primeira causa de morte por câncer na população feminina, principalmente na faixa etária entre 40 e 69 anos (INCA, 2006b). A Organização Mundial da Saúde – OMS estimou que, no ano 2030, podem-se esperar 27 milhões de casos incidentes de câncer, 17 milhões de mortes por câncer e 75 milhões de pessoas vivas, anualmente, com câncer.

No Brasil, tem se dado atenção especial a essa neoplasia devido ao aumento da taxa de morbimortalidade, aumento da incidência em mulheres abaixo de 50 anos de idade e ao diagnóstico tardio (CONCEIÇÃO; LOPES, 2008).

De acordo com o INCA (2012), o câncer aparece como um fenômeno social no Brasil, devido ao aumento das taxas de incidência da doença no país e, em decorrência disso, há o aumento das políticas públicas e das propagandas educativas voltadas para a prevenção e o tratamento da enfermidade, buscando assim, uma diminuição do número de casos da doença. No Brasil o câncer de mama apresenta maior incidência e mortalidade nos Estados considerados economicamente mais desenvolvidos, em especial nas regiões Sul e Sudeste, sendo maior a incidência nas capitais do que no interior dos Estados (INCA, 2001).

No Brasil, tumores mais facilmente preveníveis e passíveis de diagnóstico precoce, tais como câncer de colo uterino, são diagnosticados em fase avançada, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, sendo causa frequente de mortalidade. Já nas regiões Sudeste e Sul prevalecem as mortes por câncer de mama, enquanto na região Centro-Oeste, a mortalidade é frequente tanto por câncer do colo do útero quanto por câncer de mama (VERMELHO; MONTEIRO, 2002).


1.3 Considerações sobre Saúde no Brasil e a consolidação dos Direitos Sociais.

A saúde da mulher requer atenção por parte dos profissionais de saúde e deve ser entendida de forma ampla. A saúde da mulher, no Brasil, até há pouco tempo, esteve voltada ao tema da gestação, ao puerpério, associada à ideia materno-infantil, ao controle da natalidade, a mortalidade de mulheres e a reprodução para a força de trabalho.

Apreendendo essas questões, não podemos deixar de relacionar o debate sobre a saúde da mulher com as relações sociais e de gênero que estão presentes na sociedade capitalista. Relações estas que são expressão da “questão social”, entendendo essa categoria como “processo de produção e reprodução a vida social na sociedade burguesa, da totalidade histórica concreta” (IAMAMOTO, 2009, p. 114).

A partir destas questões, faz-se necessário a compreensão da mulher como sujeito de direitos, que detém o direito de realizar escolhas quando envolve seu corpo, sua saúde, o acesso à informação e ao atendimento preventivo no âmbito de sua saúde.

Depois do diagnóstico de alguma doença grave, a mulher dentro do processo de tratamento e possível cura, hospitalizada ou não, passa a ter contato com uma equipe multiprofissional, que começa a desempenhar um papel muito importante para a paciente, já que está fazendo parte de sua vida e do seu novo meio social, no convívio que ambos estabelecem durante certo período. De uma forma geral essa equipe é formada por médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, atendentes, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e outros. Esses profissionais, no seu envolvimento com o paciente, visam os mesmos objetivos que é o de proporcionar-lhe saúde.

Através da possibilidade de comunicação entre a paciente e os profissionais da área psicossocial, se estabelecerá uma relação propicia à participação da paciente no seu processo de cura. Torna-se necessário compreender toda a estrutura em que a paciente se encontra inserida, posição que nela ocupa e suas relações com as pessoas com quem convive, visando ao fortalecimento da sua personalidade, autodeterminação, e objetivando o seu bem estar.

Por empatia, compreendemos um processo que permite ao profissional da saúde "colocar-se no lugar" do enfermo, isto é, tomar consciência, quase identificando-se com a sua situação, podendo, assim, saber quais são as suas dificuldades e seus estados de ânimo (PINKUS, 1988, p. 137).

A participação do Serviço Social tem por objetivo oferecer um atendimento das necessidades dos pacientes e seus familiares, no sentido de abranger as condições do indivíduo em sua totalidade tendo uma contribuição muito significativa na medida em que considera, especialmente, os aspectos sociais que envolvem o paciente, proporcionando um acompanhamento, baseado na realidade em que está inserido.

Segundo Costa (2000), desde 1997 o Serviço Social é considerado pelo Conselho Nacional de Saúde – CNS como profissão desta área, estando sua atuação concentrada, prioritariamente, nas ações de caráter emergencial, educação e informação em saúde, planejamento e assessoria, e na garantia de direitos dos usuários/pacientes. Essa inserção do Serviço Social no campo da saúde articula a ação profissional às diretrizes do SUS, o que sinaliza para um estatuto diferenciado da profissão no campo da saúde.

Bravo & Matos (2006) apontam que o Serviço Social enquanto profissão vai adentrar de forma significativa na área da saúde que passa a requisitar diferentes práticas profissionais, dentre elas, intervenções, acompanhamentos, mediação entre a família e seus direitos sociais.

Conforme Simões (2008), os direitos sociais são direitos fundamentais ao homem para a manutenção de sua vida social nos quais se enquadram os pacientes em tratamento oncológico, sendo que o acesso a eles pode minimizar as consequências econômicas e sociais do processo de tratamento, uma vez que a dinâmica de vida se transforma e precisa ser readequada a uma nova realidade.

Com isso, pode ser verificada a importância da atuação do assistente social enquanto agente que irá conduzir este processo por meio de um bom atendimento, utilizando-se da escuta qualificada, orientação e acompanhamento contínuos, de forma a atender as necessidades em relação aos direitos sociais desses pacientes.

Por isso, é imprescindível assegurar às mulheres com câncer de mama uma estratégia articulada junto à rede de serviços e proteção social no percurso do cuidado em saúde para as mulheres que anualmente utilizam os serviços do SUS para iniciar o tratamento do câncer de mama.

Refletimos desse modo que a saúde é essencial na reprodução social e da vida, mas também como bem-estar físico, mental e social. Esta se constitui como um direito fundamental do ser humano, em que o Estado deve prover as condições indispensáveis na garantia desse direito (SUS, 1990).

O SUS, dentro de suas normas e diretrizes, exige, na organização dos seus serviços de saúde, a existência de uma rede de atenção à saúde articulada que possibilite o acesso universal, integral, igualitário, e o mais próximo possível do domicílio dos usuários. O acesso e a acessibilidade aos serviços de saúde estão diretamente relacionados às condições de vida, à alimentação, à moradia, às condições socioeconômicas e à educação dos usuários.

De acordo com Pinho et al (2007), o diagnóstico de câncer de mama é muito impactante, já que carrega muitos aspectos do estigma de morte. A forma de enfrentamento que a paciente adota está vinculada ao seu histórico pessoal e familiar. A estrutura psíquica adquirida pela paciente ao longo de sua vida será de grande influência nos rumos dos tratamentos físico e psicológico. O reforço psicológico é essencial no enfrentamento de tais situações, contribuindo para um preparo psicossocial, de informação e de fortalecimento, visando atenuar as reações do tratamento.

Para Sawada et al (2009),

É indispensável que o profissional de saúde, psicólogo e/ou assistente social avalie o paciente sistematicamente para assisti-lo tanto na sua saúde física quanto na sua subjetividade, o que gera a necessidade desses profissionais desenvolverem habilidades de comunicação, com o estabelecimento de empatia e envolvimento emocional para atenuar os impactos psicossociais advindos da patologia propriamente dita e da mastectomia (SAWADA et al, 2009, p. 581-587).

É imprescindível que os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, dentre outros) se conscientizem de que o paciente é muito mais do que apenas um ser doente, pois ele possui emoções que não podem ser ignoradas, sendo que essa relação entre a mente, o corpo e os sentimentos estão interligadas, podendo uma influenciar e afetar as outras. Aliada a essa conscientização também há a necessidade desses profissionais refletirem e mudarem sua forma de encarar o paciente, valorizando suas expectativas e inquietações a respeito da doença e possível cura, para poderem prestar-lhe assistência que vise melhoria de seu bem-estar e sua qualidade de vida.


1.4 Sistema Único de Saúde – SUS

De acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde – SUS, as políticas públicas de saúde visam, dentre outras prioridades, promover ações voltadas para a saúde da mulher. Dessa maneira é imprescindível que se estabeleça coerência entre as ações a serem executadas pelos profissionais na detecção precoce do câncer de mama e as propostas dos programas estabelecidos para este agravo.

A prevenção, o diagnóstico e o tratamento precoce do câncer de mama são imprescindíveis, não somente para manutenção e recuperação da qualidade de vida, mas também como garantia de direito à saúde das mulheres, enquanto cidadães/usuárias. O SUS deve ser capaz de ofertar medidas de rastreio com garantia de acompanhamento e tratamento de todos os casos detectados, com o intuito de reduzir a taxa de mortalidade.

O SUS está regulamentado a partir da Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990 e pode ser definido como um arranjo organizacional que dá suporte a efetivação da política de saúde no Brasil, traduzindo em ações os princípios e diretrizes desta política. O SUS compreende um conjunto organizado e articulado de serviços e ações em saúde e une o conjunto das organizações públicas já existentes nas esferas nacional, estadual e municipal, além dos serviços privados relacionados à prestação de serviços aos usuários do sistema. Porém, isto se dá de forma complementar, quando contratados ou conveniados para este fim.

O SUS foi instituído com o objetivo de coordenar e integrar as ações de saúde nas três esferas de governo, presumindo a articulação de subsistemas verticais de vigilância e de assistência à saúde, e subsistemas de base territorial estaduais, regionais e municipais, para assim atender de maneira funcional as demandas por atenção à saúde[2]. O SUS é um sistema bastante complexo e tem a responsabilidade de articular a prevenção, reabilitação e cura no âmbito exclusivamente assistencial (VASCONCELOS e PASCHE, 2006).

A saúde, na Constituição Federal – CF, é definida como resultante de políticas sociais e econômicas, como direito de cidadania e dever do Estado, como parte da seguridade social e cujas ações e serviços devem ser providos por um Sistema Único de Saúde.

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 1988, art. 196).

Já o artigo 198 da Constituição Federal prevê a organização do SUS de acordo com as diretrizes de descentralização, com direção única em cada esfera do governo; do atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; da participação da comunidade (BRASIL, 1998).

A Constituição Federal[3] estabelece o tripé da seguridade social e o SUS passa a integrar o sistema brasileiro de proteção social juntamente com o sistema de Previdência Social e o Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Desse modo, a saúde passa a ser um direito e dever do Estado, rompendo com o padrão anterior de política social, que era marcado pela exclusão de milhares de brasileiros até então impedidos de usufruir desses serviços.

No campo da saúde, isto significou a possibilidade de superação da estratificada oferta dos serviços, que diferenciavam os indivíduos em indigentes e os que eram segurados da previdência. Também reduziu a diferença de atendimento aos moradores do campo e da cidade e entre as diferentes regiões do país. O acúmulo técnico-político dos três níveis de gestão do SUS, da Estratégia de Saúde da Família – ESF e na implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde – PACS, elementos essenciais para a reorientação do modelo de atenção, tem possibilitado a identificação de um conjunto de questões relativas às bases conceituais e operacionais do que se tem denominado Atenção Básica à Saúde – ABS, e de suas relações com os demais níveis do sistema.

Esta discussão fundamenta-se nos eixos transversais da universalidade, integralidade e equidade, em um contexto de descentralização com ênfase na municipalização e desse modo atribuindo mais ao Município a responsabilidade de garantir a prestação direta dos serviços de saúde e controle social da gestão, princípios assistenciais e organizativos do SUS, consignados na legislação constitucional e infraconstitucional (VASCONCELOS e PASCHE, 2006). É de competência do SUS a oferta de serviços básicos para toda população. Estas ações são organizadas por meio das Unidades Básicas de Saúde – UBS e as Estratégias de Saúde da Família; mediante a adstrição de clientela, as equipes Saúde da Família – eSF estabelecem vínculo com a população, possibilitando o compromisso e a corresponsabilidade destes profissionais com os usuários e a comunidade.

Também completam a rede do SUS serviços[4] de média e alta complexidade, serviços ambulatoriais especializados e serviços de diagnose e terapia; além desses, pode-se citar os serviços universitários públicos, os serviços contratados e conveniados de caráter privado, que contam com serviços próprios gerenciados pelos municípios, pelos estados e pela união. O SUS é financiado pelas três esferas de governo (municipal, estadual e federal), isto é normatizado pela ementa constitucional nº 29, que estabelece a destinação especifica das receitas de cada esfera (VASCONCELOS e PASCHE, 2006).


1.5 Atenção Primária à Saúde – APS

1.5.1 Atenção Básica – porta de entrada

A Atenção Básica – AB se detém como um importante nível no controle do câncer no Brasil, de modo que, pela Portaria[5] que instituiu a Política Nacional de Atenção Oncológica, a Atenção Básica, por intermédio da rede de serviços de saúde formada por Unidades de Saúde e equipes da Saúde da Família. Sendo a Atenção Básica porta de entrada dos serviços de saúde e que a prevenção de doenças deve ser desenvolvida por uma equipe multiprofissional, em especial médicos e enfermeiros, nas consultas direcionadas à saúde da mulher, estes profissionais devem aproveitar para realizar o rastreamento oportunístico, esclarecendo sobre a importância das realizações dos exames para detecção precoce e identificar fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia mamária. A Atenção Básica, cenário estruturante para o desenvolvimento de várias ações no controle da neoplasia mamária, caracteriza-se como um local privilegiado para a realização de ações educativas.


1.5.2 Atenção Básica – breve histórico

A Atenção Básica reúne um conjunto de ações individuais e coletivas ligadas à promoção e a prevenção da saúde, constituindo uma das principais portas de entrada para o sistema de saúde. Ela está centrada na família e na participação ativa da comunidade e dos profissionais responsáveis pelo seu cuidado (CAMPOS e GUERRERO, 2010).

A saúde brasileira é um reflexo da organização sócio-política da população. Um levantamento histórico-descritivo da saúde no Brasil com ênfase na Atenção Básica permite adotar posturas críticas que induzem a participação popular frente às carências vivenciadas no sistema de saúde cujo modelo é voltado para vigilância e promoção da saúde.

Para adentrar uma discussão sobre a Atenção Básica é necessário ter em mente como é pensada a organização da saúde brasileira, sendo esta, didaticamente representada pela imagem de uma pirâmide. Nessa imagem, a Atenção Básica representa a base de todo o sistema com ações que deveriam respeitar critérios de referência e contra referência, conforme a necessidade da população, de forma a evitar a morosidade dos atendimentos e as superlotações, bem como gastos desnecessários.

Superadas, aos poucos, as fortes influências de modelos de saúde outrora adotados, surge a necessidade de reorganizar as ações em Atenção Básica para desenvolver os preceitos de atendimento na comunidade, com baixo custo e alta resolutividade. Então, o governo direciona uma estratégia de saúde, antigo programa, voltado para a Família (ESF). Contudo, as ações pensadas, planejadas e asseguradas após décadas de reivindicações ainda são desenvolvidas meio a debilidades do sistema e a dificuldades vivenciadas por profissionais e usuários do sistema. O sonho de um país democrático, cujo poder constituinte é do povo, ganha espaço à medida que a participação popular se torna mais efetiva, pois, para que haja participação popular ativa é imprescindível conhecer em que cenário a saúde é pensada e desenvolvida.

Nos anos 70, o Ministério da Saúde cria o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica – SNVE. Nessa mesma década elabora o primeiro Manual de Vigilância Epidemiológica, guia que reúne as normas técnicas utilizadas para a vigilância de cada doença gerando dados que alimentavam as bases de dados do Sistema Nacional de Agravos de Notificação – SINAN. Em 1988, o SUS é criado e aprovado pela Constituição Federal, que reconhece o direito de acesso universal à saúde para toda a população. Na década seguinte, o SUS incorpora o SNVE quando, logo após, entra em pauta o referencial teórico denominado Vigilância à Saúde – VS, centrado na articulação de conhecimentos e técnicas provindos da epidemiologia, do planejamento e das ciências sociais em saúde. Vigilância à Saúde é uma proposta de redefinição das práticas sanitárias que se fundamenta no princípio de integralidade.

Segundo Brasil (2012, p. 09):

No Brasil, a Atenção Básica é desenvolvida com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, ocorrendo no local mais próximo da vida das pessoas. Ela deve ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro de comunicação com toda a Rede de Atenção à Saúde. Por isso, é fundamental ela se orientar pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social.

Desta forma a Atenção Básica utiliza tecnologias de cuidados atendendo as necessidades de saúde reconhecendo a vulnerabilidade, riscos e a necessidade de saúde que devem ser acolhidos. Ela incorpora a reflexão em torno da adequação das ações e serviços aos problemas, necessidades e demandas da população, articulando o enfoque populacional (promoção) com o enfoque de risco (proteção) e o enfoque clínico (assistência), constituindo-se em uma forma de pensar e de agir em saúde, de acordo com a situação de saúde das populações (TEIXEIRA e COSTA, 2003).

A Vigilância à Saúde redundou na implantação da Estratégia Saúde da Família que é uma das principais estratégias, propostas pelo Ministério da Saúde, para reorientar o modelo assistencial do Sistema Único de Saúde, a partir da Atenção Básica (BRASIL, 1997).


2 DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E ACOLHIMENTO

2.1 Impacto do diagnóstico

Considerada a doença mais temida entre as mulheres, em decorrência do elevado índice de morbimortalidade e de mutilação, o diagnóstico de câncer traz consigo alguns transtornos psicológicos e, consequentemente, comprometimento da autoestima, do desenvolvimento social e funcional, bem como nas relações pessoais, profissionais e afetivas. O câncer de mama, mais especificamente, se destaca como a doença mais temida pelas mulheres (VENÂNCIO, 2004). Torna-se evidente, diante do exposto, que se faz necessário dedicar atenção especial ao impacto emocional de seu diagnóstico.

Conforme afirma Venâncio (2004, p. 55-63):

O diagnóstico de câncer é vivido como um momento de angústia e ansiedade, pelo motivo da doença ser rotulada como dolorosa e mortal, consequentemente, desencadeando preocupações em relação à morte. Além do momento do diagnóstico, ao longo do tratamento, o paciente vivencia perdas e diversos sintomas que, além de acarretar prejuízos ao organismo, coloca-o diante da incerteza em relação ao futuro, aumentando assim sua ansiedade (VENÂNCIO, 2004, p. 55-63).

Distúrbios com conotações emocionais ocorrem com frequência, tanto em pacientes com câncer como em seus familiares, em função da dificuldade em lidar com o diagnóstico. Não raro, transtornos psicológicos como depressão e ansiedade são diagnosticados no paciente e em seus familiares em todas as fases do tratamento (CEOLIN, 2008). Segundo Penna (2004, p. 379): "estas consequências se devem porque a palavra câncer adquiriu uma conotação de doença terrível, sem cura, e que termina em morte sofrida".

Quanto ao seu impacto, a notícia do câncer é capaz de mudar de forma considerável o relacionamento entre os membros da família e a forma como se comunicam e resolvem questões diárias (MELO et al., 2012).

Outra problemática relacionada ao diagnóstico de câncer de mama é a relação da paciente com sua autoimagem, pois através de um conhecimento prévio, advindo dos estigmas sociais, esta teme o enfrentamento de náuseas, vômitos, queda de cabelo, mutilações, emagrecimento, imunodepressão dentre outras adversidades, supostamente ocasionadas pelo seu tratamento.

A confirmação do diagnóstico de câncer de mama afeta diretamente a parte psicossocial, tanto das mulheres quanto dos seus familiares. Apesar de uma parcela das mulheres apresentarem um prognóstico significativamente favorável no estágio inicial da doença, ainda assim o impacto negativo do resultado é muito presente.

Lugton (1997), afirma que em situações de crise, as pessoas necessitam ter assegurado um suporte emocional daqueles que estão próximos. O autor aponta que em mulheres diagnosticadas com câncer de mama há a necessidade de elas encararem a possibilidade da morte, no sentido de que se possa ajudá-las a enfrentar um futuro de incertezas.


2.1.1 A comunicação: relação entre o profissional e o paciente

De acordo com Stefanelli (1993), a comunicação pode ser entendida como um processo de compreender, compartilhar mensagens enviadas e recebidas. É por meio da comunicação que o homem torna possível sua interação com o mundo e com seus semelhantes. Ferreira (2000) considera que o processo de comunicação tem por finalidade obter uma interação, isto é, provocar ações e reações entre indivíduos e grupos para o estabelecimento de uma cadeia recíproca de opiniões e comportamentos.

Desse modo, não há processo de comunicação sem troca e sem partilha de informações. Sendo assim, o processo de comunicação só estará completo quando ambas as partes estão informadas, pronta para adotar uma atitude com pleno conhecimento das ideias e sentimentos comuns (Ferreira 2000).

Receber, perceber e decifrar o significado da mensagem que o paciente envia para estabelecer um plano de cuidados adequados às necessidades individuais do mesmo, é tarefa dos profissionais de saúde. Para que este processo complexo seja eficaz, não basta ao profissional utilizar somente a comunicação verbal; é preciso estar atento aos sinais não verbais emitidos durante a interação com o paciente (ARAUJO 2007, p. 419-425).

Segundo Viegas (2000), a comunicação de um diagnóstico ao paciente é um estabelecimento básico de envolvimento e empatia com eles que exige uma credibilidade e sensibilidade por parte dos profissionais, além de envolver confiabilidade de ambos as partes em que se estabelece um vínculo entre profissionais e pacientes.

Uma comunicação efetiva do diagnóstico irá depender de quem comunica, de como, quando e o que se comunica. Depende ainda da relação entre o comunicador do diagnóstico, do paciente e da equipe que participará desse processo (NEDER, 1992). Yardley, Davis e Sheldon (2001) sugerem que fornecer informação sobre o tratamento, no momento da revelação do diagnóstico, tem um impacto positivo na visão dos pacientes e encoraja atitudes socialmente positivas.

No entanto, alguns estudos indicam que são poucos os médicos que descrevem planos alternativos de tratamento, e que não informam claramente sobre o prognóstico da doença para os pacientes (FREER; ZINNERSTROM, 2001).

Para Pessini (2006):

A veracidade é o fundamento da confiança nas relações interpessoais, tendo como fundamento os princípios da Bioética, pode-se dizer que a comunicação da verdade diagnóstica ao paciente e seus familiares constitui um benefício para os mesmos (princípio da beneficência), pois possibilita sua participação ativa no processo de tomada de decisões (autonomia) (PESSINI, 2006, p. 45-66).

A interação entre o médico e o paciente tem um papel primordial no processo de comunicação do diagnóstico. Assim, parece que os pacientes preferem ser atendidos por médicos que não perguntem apenas sobre o estado físico, mas também sobre o estado emocional, ou seja, que eles estejam atentos às condições emocionais do impacto da comunicação (DETMAR et al., 2000).

Além do mais, verificou-se que fornecer informações precisas numa quantidade apropriada a cada caso, pode reduzir os riscos de desordens afetivas, ansiedades e depressões (DICKSON et al., 2002).

Segundo Kovács (2006), o processo de comunicar um diagnóstico positivo de uma doença grave não é simplesmente um ato de informar, trata-se de um processo que leva tempo e que deve ser realizado em várias etapas. Sabe-se que algumas informações terão de ser dadas repetidas vezes, já que pessoas em grave impacto emocional geralmente não absorvem aquilo que ouvem, mesmo que a linguagem utilizada seja compreensível.

Segundo o Conselho Federal de Medicina – CFM (1988), através do seu Código de Ética, a comunicação do diagnóstico ao paciente é dever do médico. Apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos alcançados na medicina, pouca atenção tem sido dada ao treinamento e técnicas em comunicação e avaliação do fator psicossocial para atendimento adequado de pacientes oncológicos. O despreparo dos médicos faz com que o paciente, muita das vezes, por falta de conhecimento, não tenha uma noção exata de seu real estado de saúde. Inclusive sendo impedido da participação na escolha entre as diversas formas de tratamento.

A relação entre médico e paciente tem particularidades próprias relacionadas à doença maligna. Os próprios pacientes parecem sentir-se mais seguros no relacionamento com o oncologista do que com outros profissionais de saúde. A formação acadêmica do profissional ao lidar com o enfermo que vislumbra a possibilidade da morte é de suma importância para que se possa repensar a prática médica.

Assim, nesse contexto, percebesse que o processo de comunicação é um constante exercício da área de saúde, o qual constitui-se por um emissor, aquele que enuncia; uma mensagem; e um receptor, aquele a quem é dirigido o enunciado. Porém, nesse processo, ambos, emissor e receptor, são interlocutores.

Dessa forma, a comunicação é um dos principais instrumentos do cuidado em saúde, especialmente quando dirigida a pacientes que vão receber e enfrentar um diagnóstico terrível como o câncer.


2.2 O medo da morte e a negação da doença

O temor da morte é presença constante em todas as fases do processo de adoecimento. Entretanto, Ferreira (1993) ressalta que algumas mulheres, frente ao câncer de mama, podem apresentar um comportamento contraditório de aceitação da doença, enquanto que para outras mulheres, segundo Coberllini (2001), a negação é como uma defesa, devido ao medo de se enfrentar a doença e até mesmo pelo medo da morte.

A aversão ao câncer de mama por parte das mulheres deve-se aos seus efeitos biopsicossociais[6], os quais a afetam profunda e significativamente. Ao saber do diagnóstico, a mulher passa por crises de instabilidade marcadas por medos, frustrações, conflitos e insegurança.

Segundo Taylor (2005, p. 6):

Os pensamentos automáticos mais comuns em um paciente diagnosticado com uma doença crônica podem ser divididos em três eixos: (1) sofrimento físico: Eu serei capaz de suportar este sofrimento? (2) qualidade de vida: eu serei capaz de comer o que eu gosto novamente? Como isto afetará a minha vida sexual? e (3) mortalidade: eu vou morrer? (TAYLOR, 2005, p. 6)

Chiattone, Calmon & Nicoletti (1991) reiteram que o comportamento de negação das pessoas em face do câncer, muitas vezes desfavorece as poucas campanhas de prevenção, uma vez que as pessoas evitam também fazer exames que poderiam, porventura, levar a descoberta da doença.

A este respeito, Calmon (2002) acrescenta que:

O estar com câncer determina, então, a discriminação e rejeição social, desde o âmbito familiar até as atividades produtivas, onerando substancialmente o paciente que além da situação da doença em si (o tratamento, exames agressivos, cirurgias mutilantes etc), necessita enfrentar o descrédito social (CALMON, 2002, p. 31-39).

Simonton (1987) acrescenta que os pacientes de câncer se tornam extremamente suscetíveis em relação às mensagens negativas que recebem.

Adoecer é sempre uma ameaça à autoestima da mulher e no processo de adoecimento ela se depara com uma variedade de sentimentos, o mais comum é a angústia, porque a morte se faz presente. Conforme aumenta o número de consultas médicas o sentimento de ansiedade também aumenta, e alguns pacientes tendem a usar os mecanismos de defesa para lidar com a situação. A princípio, negam a doença e acreditam que a resolução dos seus conflitos se encontra na cirurgia. Contudo, cada pessoa precisa de tempo particular e subjetivo para lidar com as repercussões do diagnóstico (MICELI, 1998).

O diagnóstico de câncer de mama assusta, mas é importante fugir de pensamentos negativos, pois eles influenciam diretamente a saúde do organismo e, em pacientes com câncer, qualquer desestabilização no organismo, como infecções, por exemplo, pode agravar ainda mais o quadro clínico, que já está fragilizado. Estes pensamentos automáticos, que correspondem àqueles pensamentos espontâneos, invadem a mente de forma involuntária, independente do raciocínio, sob a forma de pensamento ou de imagem (BECK, 1997).

Knapp (2004) aponta que:

Estas formas de pensamentos ocorrem em todas as pessoas diariamente, de forma que não são percebidos por acontecerem de forma rápida, involuntária. Eles podem ser ativados através de eventos internos ou externos, entretanto, quando são distorcidos ou disfuncionais, contribuem para psicopatologia por influenciarem tanto as emoções como os comportamentos dos indivíduos (KNAPP, 2004, p. 42-57).

Kubler (1998) menciona que ao constatar a doença, a mulher pode inicialmente adotar o mecanismo de defesa de negação da realidade, mas essa é uma fase que permite ao sujeito compreender gradativamente a sua situação e enfrentar a realidade. É importante que se ressalte que tanto o medo quanto sentimentos relativos à negação da doença e/ou descrença são muito experimentados pelas mulheres antes da confirmação do diagnóstico. A descoberta do diagnóstico marca o início de um processo de desencadeamento de reações emocionais fortes, já que o câncer atinge a mulher no contexto biopsicossocial, levando à mesma a uma nova condição, na qual é necessário adaptar-se a essa nova imagem de seu corpo.

O câncer de mama é considerado uma doença estigmatizante por todos, e particularmente pela pessoa que é acometida, na qual acarreta mudanças no seu comportamento. Tomada por estes sentimentos, a pessoa tende a se isolar do seu convívio social e familiar, passando por uma perda de identidade na sua rede social de apoio. Segundo esses aspectos, as neoplasias malignas causam não apenas sofrimento físico, como também sérias consequências psíquicas e sociais.


2.3 O tratamento

Existem algumas principais formas para o tratamento do câncer de mama e o método escolhido para o tratamento varia de acordo com o estágio da doença, em diversos casos é necessária uma combinação dos métodos, variando de acordo a sensibilidade do tumor a cada modalidade terapêutica (BRASIL, 2011).

Segundo Amaro (2013, p. 152),

Após o diagnóstico do câncer de mama, a mulher, após exames detalhados e específicos é direcionada para um dos tipos de tratamento. Os métodos atuais de tratamento da patologia são: mastectomia, quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, hormonioterapia (AMARO, 2013, p. 152).

Porém, a maioria das mulheres com câncer de mama é submetida a mastectomia como um dos tratamentos de maior eficácia para a erradicação da doença. Esta intervenção além de interferir no estado emocional, físico e social é temida pelas mulheres, pois se trata da mutilação de uma região que desperta o desejo sexual e a libido. As mamas, além dessa simbologia da sexualidade feminina, trazem consigo, outras funções importantes relacionadas com a maternidade, onde se produz o leite que é responsável pela sobrevivência de qualquer ser humano nos primeiros meses de vida (SILVA et al., 2012).

A cirurgia indicada ao tratamento do câncer de mama é a mastectomia, cirurgia caracterizada como retirada da mama e cirurgia conservadora da mama, como a quadrantectomia[7] e a lumpectomia[8]. Mulheres que se submeteram a mastectomia podem realizar a reconstrução da mama imediatamente ou após algum tempo, isso de acordo com as condições clínicas da paciente. A reconstrução da mama também pode ser efetuada em pacientes que foram submetidas a cirurgia de característica conservadora, no qual gostariam de corrigir alguma deformidade em consequência de grande parte da mama ter sido retirada (SANTOS; VIEIRA, 2011).

A quimioterapia é um tratamento realizado por diversas vias, onde se utilizam medicamentos denominados quimioterápicos[9] ou antineoplásicos[10], administrados de acordo com o esquema terapêutico com intervalos regulares. A quimioterapia tem seu papel estabelecido, seja em caráter neoadjuvante, para a redução do tumor antes da cirurgia, adjuvante, complementa a cirurgia, ou seja, feita após a cirurgia ou paliativo, não tem finalidade curativa, apenas para melhorar a qualidade de vida do paciente. Diversos efeitos secundários podem surgir devido a quimioterapia, são eles: náuseas, vômitos, diarreia, dificuldade de deglutição, cefaleias, confusão mental, alopécia e hiperpigmentação, entre outros (SANTOS; VIEIRA, 2011).

Segundo Araújo et al (2012), a radioterapia é um tratamento indolor efetuado através de ondas de radiação ionizantes em células tumorais, danificando assim a estrutura do DNA da célula e por seguinte, interferindo no crescimento de metástases. Os efeitos da radiação podem conter ou curar o câncer pela inibição da divisão e reprodução celular. A radioterapia é um método capaz de destruir células malignas, através de feixes de radiações ionizantes locais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, que serão responsáveis pela regeneração celular na área irradiada.

A hormonioterapia, por sua vez, é indicada após a quimioterapia ou radioterapia, por via oral, intramuscular ou subcutânea, podendo ser usada por um período de cinco anos. A escolha desse tratamento tem por finalidade, sobretudo, elevar o intervalo livre da doença e a sobrevivência global, sendo aplicada como terapia adjuvante ou como terapia paliativa em caso de doenças em estado avançado (SEARA, 2012).


2.3.1 A legislação

Visando reduzir a possibilidade de atrasos no tratamento do câncer de mama e mortalidade decorrente disso, foi aprovada em 2012 a Lei 12.732 – Lei dos 60 dias – que estabelece em seu artigo 2º:

O paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único (BRASIL, 2012).

O Congresso Nacional aprovou e sancionou no ano de 2013 a Lei 12.802, que obriga o Sistema Único de Saúde – SUS a fazer a cirurgia plástica reparadora da mama logo em seguida à retirada do câncer, quando houver condições médicas. A lei anterior (Lei 9.797/1999) já previa que mulheres que sofressem mutilação total ou parcial de mama (mastectomia) teriam direito a cirurgia plástica reconstrutiva, mas sem especificar o prazo em que ela deveria ser feita (JEKE, 2013).

Outro benefício está na Lei 8.036/90 que atualmente rege o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. Em seu artigo 20, inciso XI, assegura que a conta do FGTS poderá ser movimentada quando o segurado, ou qualquer dos seus dependentes for acometido de neoplasia maligna. Pela lei, o paciente poderá sacar o saldo que estiver em qualquer das contas do FGTS em seu nome para o tratamento de câncer, podendo também retirar o dinheiro se tiver qualquer de seus dependentes acometidos pela doença.

A gravidade do câncer de mama também o insere entre os males que isentam, por lei, as portadoras de arcar com o Imposto de Renda, mesmo em caso de pacientes que já recebam benefícios da Previdência Social. Trabalhadores que tiverem de se ausentar por mais de 15 dias e a doença os deixou incapacitados de exercer suas atividades, podem solicitar o auxílio doença. O paciente com câncer poder realizar o saque do PIS na Caixa Econômica Federal – CEF, através dele mesmo, enquanto trabalhador cadastrado que tiver neoplasia maligna ou, enquanto trabalhador, aquele que possuir dependente portador de câncer.

Já a Lei estadual 1.810/97 permite a isenção e redução no valor do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA. O paciente terá direito a redução na alíquota, devendo para tanto se dirigir à Secretaria de Estado da Fazenda – SEFAZ, levando consigo documentos do carro, habilitação, laudos e atestado médico.

Concedido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Transportes – SETRANS, o cartão Vale Social é um benefício que dá direito à gratuidade, para o doente e seu acompanhante, quando necessário, no transporte rodoviário intermunicipal, metroviário, ferroviário ou aquaviário, sob administração estadual. No Município do Rio de Janeiro existe o cartão RioCard Especial, um benefício concedido ao paciente, com acompanhante, que dá direito ao transporte gratuito apenas na Cidade do Rio de Janeiro.

Além das Leis e benefícios citados acima, a legislação infraconstitucional brasileira estabelece direitos e garantias para pacientes com câncer, tais como:

l Em relação ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço:

ü Lei Federal nº 8.922, de 25/07/1994 – FGTS, artigo 1º.

Acrescenta no Art. 20 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990 o inciso: “XI - quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for acometido de neoplasia maligna”, permitindo o trabalhador movimentar a conta do FGTS.

l Medida Provisória 2.164 de 24/08/2001, artigo 9º Caput.

ü É devido o depósito do FGTS na conta vinculada do trabalhador, inciso XIV: “quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes estiver em estágio terminal, em razão de doença grave, nos termos do regulamento”.

l Aprovação da Política Nacional de Medicamentos:

ü Portaria n° 3.916 de 30 de outubro de 1998.

l Disposição sobre a regulamentação da assistência domiciliar do SUS:

ü Lei n° 10.424, de 15 de abril de 2002.

l Disposição sobre a utilização de nomes genéricos em produtos farmacêuticos:

ü Lei nº 9.787, de 10 de fevereiro de 1999.

l Garantia da reconstrução mamária gratuita pelos Planos de Saúde.

ü Lei nº 10.223 de 15/05/2001.

Acrescenta à Lei no 9.656, de 3 de junho de 1998 o "Art. 10-A. Cabe às operadoras definidas nos incisos I e II do § 1o do art. 1o desta Lei, por meio de sua rede de unidades conveniadas, prestar serviço de cirurgia plástica reconstrutiva de mama, utilizando-se de todos os meios e técnicas necessárias, para o tratamento de mutilação decorrente de utilização de técnica de tratamento de câncer."

l Prioridade em Processo Judicial:

ü Lei Federal nº 13.105/15.

Art. 1.048. “Terão prioridade de tramitação, em qualquer juízo ou tribunal, os procedimentos judiciais:

I - em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos ou portadora de doença grave, assim compreendida qualquer das enumeradas no art. 6º, inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988.”

l Transporte, Pousada e Alimentação para tratamento fora do domicílio – TFD:

ü Artigos 197 e 190 da Constituição Federal de 1988, Lei Orgânica de Saúde, nº 8080, de 19 /09/1990, disciplinada pela Portaria Federal nº 55, de 24/02/1999 da Secretaria da Saúde/ Ministério da Saúde.


2.4 O Acolhimento

O acolhimento dos profissionais de saúde é uma das várias formas de apoiar a paciente, trazendo muitos benefícios tanto para ela quanto para os familiares, amigos e nas relações sociais, sendo fundamental para a recuperação da pessoa com câncer. Ter o apoio de pessoas que podem auxiliar a paciente a desenvolver sua resiliência[11] é fundamental para sua recuperação, isto faz com que o processo seja menos doloroso e as adversidades sejam enfrentadas com mais êxito.

Aprender a lidar com o estresse provocado pela doença é uma construção vagarosa e as pessoas que apresentam melhor índices de recuperação são aquelas que têm família e amigos para apoiá-las do que as pessoas que vivem sozinhas (SIMÃO; SALDANHA, 2012). O suporte da equipe profissional de saúde também é fundamental para a recuperação dessas pacientes: antes, durante e depois dos procedimentos médicos. O apoio psicossocial de assistentes sociais e psicólogos proporciona segurança e estabilidade emocional à paciente.

De acordo com Soares (2004, p. 62),

A ajuda de um profissional especializado, tanto para o doente quanto para a família pode contribuir em um melhor entendimento dos sentimentos iniciais com o recebimento do diagnóstico, quanto para lidar com o percurso do tratamento, a compreensão das orientações, assim como as mudanças que isso ocasionará ao grupo familiar. Todos precisarão de apoio e suporte para entender seus próprios sentimentos e para poder lidar com os sentimentos dos demais membros da família e assim poderem traçar planos e estratégias que realmente ajude o paciente (SOARES, 2004, p. 62).

A família tende a viver com o câncer junto ao paciente oncológico desde o diagnóstico, perpassando todas as fases do tratamento, manutenção e possível cura. O familiar ajuda o paciente nos cuidados em suas atividades diárias, quando ele não pode realizá-las. A família promove o suporte emocional e compartilha responsabilidades de tomada de decisão sobre as complexas demandas decorrentes do diagnóstico de câncer. Esta atenção também inclui o apoio financeiro e social, garantindo a estabilidade quanto ao desenvolvimento do ciclo vital da família, chamada de “cuidado familial”, como definem Elsen, Marcon e Silva (2004).

O acolhimento sentido pela fé também é bastante significativo para muitas pacientes, independente se frequentam ou não alguma instituição religiosa. Algumas pacientes sentem-se mais confortadas ao acreditar em algo maior. Assim sendo, pode fazer com que a pessoa se sinta amparada e cuidada, o que também, de uma forma geral, promove a saúde.

Em uma pesquisa realizada por Choumanova et al (2006) com 27 mulheres diagnosticadas com câncer de mama no Chile, os autores observaram que a maioria das pacientes tinha a fé como uma fonte de ajuda para lidar com o câncer de mama. Além disto, segundo os autores, metade das pacientes entrevistadas reportou que seu diagnóstico as trouxe para mais próximo a Deus, e quase todos concordaram que a fé pode ajudar a lidar com o câncer de mama.

A resiliência, de acordo com Chequini (2009, p. 55), é percebida como sendo “um processo que considera múltiplos fatores, uma dinâmica que resulta na superação de situações adversas, em que se espera não apenas a adaptação positiva do indivíduo, mas a sua transformação e a de seu meio”. A resiliência neste contexto é entendida como uma capacidade do paciente de lidar com a doença, a ponto de aceitar suas limitações e colaborar com a aderência ao tratamento de forma positiva.

Os agravos do diagnóstico positivo do câncer de mama e de uma consequente mastectomia podem acarretar prejuízos na imagem corporal da mulher, gerando alteração na autoimagem e na autoestima, podendo também trazer prejuízos nas relações sociais.

De acordo com Fernandes (1997), embora o processo de adoecimento e sofrimento se relacione a experiências individuais e singulares, o relacionamento com os outros permite que os sujeitos mobilizem o seu interior e consigam expressar suas emoções e sentimentos, pois a falta das relações sociais culmina com a perda da referência e da identidade das pessoas.

Num primeiro momento após a mastectomia, a mulher pode se deparar com algumas adversidades ao tentar reassumir a suas relações sociais.

Apesar de ser do conhecimento geral os avanços tecnológicos da medicina em relação ao tratamento do câncer de mama, surgirão fatores como a dor, o estresse emocional, a alteração da imagem corporal e a baixa autoestima. A revelação de um diagnóstico positivo requer suporte familiar, reestruturação relacional, paciência e dedicação diferenciada, diante de uma sociedade que valoriza tanto a aparência física. Contudo, novos papéis podem ser desempenhados como uma maneira de adaptação após a mastectomia, tornando-se relevante a presença do suporte social para o desempenho desses papéis.

Como já ressaltado, os profissionais de saúde têm um papel fundamental nesse processo, oferecendo suporte informativo; fornecendo oportunidades para a mulher relatar e compartilhar suas dúvidas; proporcionando conforto e tranquilidade; incentivando a participação das mulheres em atividades de grupos; encorajando o contato com sua rede social e incentivando a expressão dos sentimentos das mulheres às outras pessoas (MELO et al, 2002).

Sendo assim, a família como instituição social, na qual o indivíduo inicia suas relações afetivas, cria vínculos e internaliza valores, desponta como principal fonte de apoio para a mulher durante o diagnóstico positivo e tratamento oncológico, oferecendo suporte psicossocial necessário.

Diante da doença a família organiza-se para manter um ambiente favorável à mulher quando esta se encontra na fase do tratamento. Promovendo proteção à mulher, oferecendo conforto físico, emocional, além da ajuda nos afazeres diários e domésticos enquanto esta se encontra em tratamento.

Dessa maneira, cabe destacar a importância de aproximar os familiares para acompanhamento e para o desenvolvimento do tratamento oncológico no ambiente hospitalar, pois essa ação serve como uma estratégia para orientação sobre alimentação e higiene da paciente, bem como para garantia da segurança e autoconfiança no seu cuidado domiciliar.


3. A CLÍNICA DA MULHER DO MUNICÍPIO DE SAQUAREMA-RJ

3.1 Saquarema – um breve histórico

Saquarema é um Município da Região dos Lagos, a 100 km da Cidade do Rio de Janeiro. Divide-se em três distritos: Saquarema, Bacaxá e Sampaio Corrêa. A autodenominada “Capital do Surf” que, dentre suas belas praias, se destaca a praia de Itaúna, conhecida como o "Maracanã do Surf". A Cidade também é conhecida como a "Casa do Vôlei Brasileiro", por ser a sede da Confederação Brasileira de Voleibol – CBV.

Até meados dos anos 1950 a população de Saquarema girava em torno de 20.000 pessoas e dedicava-se à pesca artesanal; ao cultivo de cítricos (laranja e limão) e de cana de açúcar e à produção de farinha de mandioca para subsistência. Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE de 2010[12], o Município passou a ter uma população fixa de 74.234 habitantes.

No início dos nos 1970, Saquarema era apenas uma cidadezinha de veraneio, de ocupação sazonal, composta por moradores, que em sua maioria estava dividida entre pescadores e pequenos comerciantes.

Após a desativação da usina de açúcar que estava instalada no distrito de Sampaio Corrêa, na primeira metade da década de 1970, e a pavimentação da RJ-106, a Rodovia Amaral Peixoto, que corta a Cidade ligando Saquarema a Niterói e ao norte do estado, a atividade comercial passou a prosperar no distrito de Bacaxá.

Nessa mesma época, surfistas da zona sul do Rio de Janeiro, de outros estados do Brasil e, até mesmo do exterior, descobriram as ondas consideradas perfeitas para a prática do surf da praia de Itaúna, que já há muitos anos faz parte da etapa brasileira do Circuito Mundial de Surf. Isso alavancou a atividade turística na Cidade que, consequentemente, despertou o interesse de empresários e moradores de outras cidades, que fugindo da violência urbana, fixaram residência no até então pacato Município.

A partir de então houve um crescimento acelerado, porém desordenado, numa Cidade com pouca infraestrutura econômica de bens e serviços. Com isso, ocorreu uma explosão demográfica num curto espaço de tempo acarretando transtornos nos serviços ofertados pela administração municipal.

No entanto, esse desenvolvimento é marcado por diversas contradições: não houve planejamento com relação ao delineamento urbanístico, saneamento básico, asfaltamento de ruas, geração de emprego e renda etc. Grandes lojas de varejo, departamento e redes de supermercados instalaram-se ultimamente na Cidade, que junto com prefeitura são os principais empregadores da mão de obra local.

Sendo uma Cidade litorânea, Saquarema geograficamente pertence a bacia de Santos, tendo direito a uma parcela proporcional na distribuição dos royalties[13] sobre a extração, exploração e a produção de petróleo e gás natural. Isso possibilita uma captação maior de recursos, proporcionando uma melhora na qualidade da prestação dos serviços oferecidos à população, principalmente em relação à aplicação desses recursos extras em educação e saúde, que garantem investimentos acima do mínimo constitucional.

Mesmo ainda estando aquém do modelo de um Município economicamente autossustentável, Saquarema conquista alguns avanços nos setores de educação, com escolas providas de instalações novas, espaçosas e ensino de qualidade, bem como na saúde, com investimentos na qualidade dos serviços e construção de novas unidades.


3.2 A Clínica da Mulher

Em 02 de junho de 2017 a Prefeitura de Saquarema, através da Secretaria Municipal de Saúde, inaugurou a Clínica da Mulher na Avenida Saquarema, 3557, no bairro Porto da Roça, com atendimento das 07 às 16 horas, de segunda a sexta-feira.

O objetivo de implantar a Clinica da Mulher foi reunir em só lugar ações desenvolvidas por meio de práticas do cuidado realizadas por uma equipe multiprofissional e dirigidas à população feminina. Tem como objetivos promover, prevenir, proteger, diagnosticar, tratar, reabilitar, bem como contribuir com a redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde. Outra finalidade foi desafogar a Policlínica Municipal, que por concentrar todos os atendimentos clínicos do Município já estava sobrecarregada de demandas com essas especificidades da mulher. Esses atendimentos clínicos voltados à população feminina eram divididos em dois centros: a Policlínica Municipal e o Centro de Atendimento Materno Infantil de Saquarema - CAMIS.

A Policlínica Municipal e o CAMIS, além de consultas, também promovem ações ambulatoriais e fazem alguns exames. Atualmente a Clinica da Mulher é o único polo de mastologia da Cidade de Saquarema.

Antes, a marcação de consultas e exames voltados para a saúde da mulher era realizada apenas em dois locais: na Policlínica Municipal e no CAMIS. Ambos com dois médicos em cada unidade, dificultando consideravelmente esse atendimento, por isso houve a necessidade da criação de uma unidade de saúde especializada exclusivamente para a mulher. A Policlínica Municipal não conseguia absorver todas as demandas específicas para as mulheres do Município e acabava dividindo essa demanda com o CAMIS. Por isso havia uma fila de espera muito grande e o número de profissionais era reduzido em relação ao número de pacientes.

Em relação aos serviços ofertados às pacientes/usuárias na Clínica da Mulher de Saquarema, podemos destacar:

Atendimentos:

ü Mastologista;

ü Ginecologista;

ü Obstetrícia;

ü Dermatologista e

ü Odontologia para Gestantes.

Exames:

· Preventivo;

· Mamografia;

· Ultrassonografia;

· Pré-natal odontológico obrigatório e

· Biópsia de cólon uterino e diagnóstico do câncer.

Além disso, a Clínica da Mulher ainda presta outros tipos de serviços voltados para a saúde da mulher como: Cauterização de verruga de HPV; Inserção do DIU e Colposcopia.

A Clínica da Mulher conta ainda com uma equipe de 35 profissionais de diversas áreas de atuação distribuídos em:

l 4 consultórios médicos;

l uma sala de vacina;

l uma sala de pesagem;

l uma sala de preventivo;

l um consultório odontológico para pré-natal e

l um hall de recepção às usuárias.

A Clínica da Mulher consegue absorver todas as demandas diariamente, incluindo as marcações para todas as especialidades. A consulta de obstetrícia é de livre demanda e é marcada o mais rápido possível; já a consulta para ginecologia é apenas com marcação quinzenal.

Em pouco mais de um ano de funcionamento, a Clínica da Mulher já realizou mais de 30 mil atendimentos médicos, tais como consultas, exames, procedimentos e vacinas. Desse total 4280[14] foram mamografias. De acordo com dados da própria Clínica da Mulher, cerca de 30% das consultas que são agendadas, não ocorrem por conta do não comparecimento das pacientes.

A Secretaria Municipal de Saúde de Saquarema é responsável por formular e executar a política municipal de saúde. Como integrante do Sistema Único de Saúde – SUS, a Secretaria é norteada pelos princípios deste sistema, que tem como propósitos promover a saúde, priorizando as ações preventivas e democratizando as informações relevantes para que a população conheça seus direitos e tenha total acessibilidade aos serviços disponibilizados. Além da Clínica da Mulher, a Secretaria Municipal de Saúde de Saquarema também conta com diversas outras unidades de saúde para atender a população, são elas:

· Centro de Atenção Psicossocial de Saquarema – CAPS

· Centro de Atendimento Materno Infantil de Saquarema – CAMIS

· Hospital Municipal Nossa Senhora de Nazareth

· 01 Laboratório Municipal

· 01 Policlínica Municipal

· 01 Posto de Saúde – PS

· 03 Postos de Urgência – PU

· 12 Postos de Saúde da Família (ESF)

Somado a estrutura municipal, Saquarema também abriga uma unidade regional de saúde, o Hospital Estadual dos Lagos – HELagos, sendo referência em traumato ortopedia e obstetrícia para toda a Região dos Lagos.


3.3 O câncer de mama e a mulher saquaremense

Para que a usuária possa realizar a mamografia na Clinica da Mulher é necessário levar um pedido do SUS proveniente de qualquer uma das 12 unidades da ESF, que se concentra nos três distritos do Município de Saquarema; de qualquer médico que, pode ser clínico geral, ou de qualquer outra especialidade. Solicitações de médicos particulares e/ou de demanda livre também são acolhidas e atendidas pela Clínica da Mulher. A paciente faz o agendamento na recepção da unidade e, no máximo, em uma semana o exame é realizado.

A análise do diagnóstico do câncer de mama é realizada pela Clínica da Mulher e o resultado do diagnóstico fica pronto em torno de 60 dias. Porém tem ocasiões em que o resultado fica pronto mais rápido, isso depende do quantitativo da realização de exames naquele período pela Clínica da Mulher.

Entretanto, quando o resultado da mamografia vem alterado e não fecha o diagnóstico de câncer, um novo diagnóstico é feito através de uma ultrassonografia, ou mesmo uma biópsia. O médico solicita esses novos exames, de acordo com cada caso, e ele mesmo pega o laudo do exame histopatológico da paciente e o mesmo dá a notícia.

As mulheres também podem ter acesso à mamografia quando são referenciadas pela Estratégia Saúde da Família. No Posto de Saúde da Família – PSF no qual a usuária é territorializada, ao realizar o exame de Papanicolau[15] também é realizado o exame clínico das mamas, que ajuda na detecção precoce do câncer de mama, fazendo-se o toque das mamas pela enfermeira ou pelo médico da equipe.

Em caso de suspeita de que existe(m) nódulo(s), o PSF referencia a paciente para o serviço de mastologia da Clínica da Mulher.

Quando há urgência no caso, a unidade ESF entra em contato via telefone diretamente com a Clínica da Mulher ou com a coordenação da Atenção Básica solicitando a marcação da consulta em caráter excepcional.

Vale ressaltar que nas Unidades de Atenção Básica, quando há uma suspeita de algum suposto problema nas mamas, os profissionais informam as pacientes, para que as mesmas tenham ciência do caso.

Quem entrega o resultado do diagnóstico para a mulher é o profissional da equipe de mamografia da Clínica da Mulher. O resultado é entregue dentro de um envelope pardo e lacrado.

De posse do resultado da mamografia, a mulher dispõe de algumas opções para a análise do seu exame: marcar, na própria Clínica da Mulher, uma consulta com um mastologista ou um ginecologista; retornar à ESF para se consular com o médico da família ou procurar os serviços da rede particular, sendo ela associada a algum plano de saúde ou não. De qualquer forma, a mulher com diagnóstico positivo sempre será referenciada para a Clínica da Mulher. A não ser que ela queira e possa fazer o seu tratamento pela rede privada.

Para a paciente com o diagnóstico positivo do câncer de mama, existem dois tipos de encaminhamentos, a paciente poderá ser inserida no cadastro do Centro de Regulação localizado em Bacaxá, segundo distrito de Saquarema, ou ser encaminhada diretamente, pela Clínica da Mulher, para o OnkoSol - Centro de Tratamento do Câncer, localizado no Município de Cabo Frio, na Região do Lagos. Quem determina o fluxo citado acima é o estágio da doença em que se encontra a paciente e/ou a unidade que disponibilizar a vaga mais rápido.

Quando inserida no cadastro do Centro de Regulação, a mulher poderá ser encaminhada tanto para o OnkoSol quanto para o Instituto Nacional de Câncer – INCA, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. Isso obedecendo a uma lista de espera e a disponibilidade de vagas numa das duas instituições de saúde.

A paciente, por uma questão pessoal, pode optar em ser encaminhada diretamente da Clínica da Mulher para o OnkoSol, sem passar pelo cadastro do Centro de Regulação. Essa opção se dá em função de alguns fatores como: condição socioeconômica desfavorável, pois pelo fato do INCA se localizar no Rio de Janeiro torna-se dispendioso, distante e cansativo para a paciente. Optando por ser encaminhada diretamente da Clínica da Mulher para o OnkoSol, a mulher prefere realizar o tratamento num centro especializado mais próximo da sua residência, mesmo sendo informada de que o tratamento poderá iniciar de forma tardia, pois a lista de espera do OnkoSol é mais demorada.

Vale ressaltar que a Secretaria de Saúde de Saquarema disponibiliza transporte para a acessibilidade de pacientes que precisam de tratamento em outro Município, o Tratamento Fora do Domicílio – TFD.

Durante o tratamento do câncer de mama no OnkoSol, no INCA ou em outra instituição, a Clínica da Mulher não acompanha a paciente, ficando todos os procedimentos como: cirurgias, quimioterapia e radioterapia por conta daquele centro oncológico. Após a paciente ter recebido alta médica, a Clínica da Mulher, com apoio da ESF, volta a fazer acompanhamento durante os 05 anos de tratamento de hormonioterapia.


3.3.1 O OnkoSol

Inaugurado em 2001, o OnkoSol[16] - Centro de Tratamento do Câncer é pioneiro no tratamento do câncer e é referencia na Região dos Lagos. O OnkoSol é uma Instituição da rede privada e possui uma associação com o Hospital Santa Izabel, também da rede privada, ambos localizados no Município de Cabo Frio-RJ. O OnkoSol e o Hospital Santa Izabel possuem uma ampla lista de convênios, para os diversos tipos de tratamentos e procedimentos oferecidos, com diversas empresas nacionais e estrangeiras; públicas, privadas e de economia mista; planos de saúde e, principalmente, absorvendo pacientes de toda a Região dos Lagos e de alguns municípios adjacentes, através do Sistema Único de Saúde – SUS.

Com uma equipe altamente especializada e investimento constante em novas tecnologias, o OnkoSol oferece um tratamento oncológico diferenciado. O paciente utiliza um sistema moderno em todo o seu processo de tratamento, com conforto e privacidade.

O OnkoSol dispõe da seguinte estrutura para seus pacientes:

l Centro Cirúrgico

l UTI

l Quimioterapia

l Radioterapia

l hormonioterapia

l Fisioterapia Respiratória e Motora

l Banco de Sangue

l Laboratório

l Endoscopia digestiva alta

l Colonoscopia

Cirurgia de câncer dos seguintes órgãos:

l Mama

l Útero

l Colo Uterino

l Ovário

l Vagina

l Estômago

l Fígado

l Pâncreas

l Via Biliar

l Retroperitônico

l Cólon

l Bexiga

l Próstata

l Testículos

l Pênis

l Câncer de Pele


3.4 Entraves, possíveis soluções e acolhimento psicossocial

3.4.1 Barreiras ao acesso pleno à saúde da mulher saquaremense.

Mesmo sendo um grande avanço em termos de qualidade no atendimento aos serviços de saúde para a mulher saquaremense, a Clínica da Mulher ainda enfrenta algumas barreiras a serem contornada para que esses serviços sejam ofertados de forma plena, eficiente e eficaz.

Com relação à distribuição de senhas para o agendamento de marcação das consultas e exames o sistema adotado é realizado de forma manual e obsoleto, dificultando o acesso das usuárias, bem como gerando dúvidas e desconfortos.

Outra problemática é com relação ao acesso das usuárias por meio do transporte coletivo, sendo também outro fator que causa transtornos para aquelas usuárias que precisam desses serviços. O Município não conta com uma frota de ônibus circulando com quantidades expressivas que possam atender a todos os bairros com curto intervalo de tempo para garantir as idas e vindas das mulheres à Clínica da Mulher, principalmente nos bairros mais distantes. Isso é um dos fatores dos 30% do absenteísmo, já relatado aqui neste capítulo.

Outro entrave, não menos importante, é relativo à questão das ruas esburacadas e sem pavimentação, principalmente na zona rural. Nos dias chuvosos as mulheres e seus familiares enfrentam grandes adversidades que desfavorecem o comparecimento das consultas na Clínica da Mulher.

Vale ressaltar que nesses dias chuvosos seus filhos quase sempre não podem comparecem à escola pelo mesmo motivo e, consequentemente, as mulheres mães ficam retidas em seus lares nos cuidados dos mesmos, ficando impossibilitadas de comparecerem na Clínica da Mulher.

A implantação da Clínica da Mulher, mesmo sendo um avanço na oferta de serviços especializados de qualidade, ainda carece de uma equipe de especialistas na área do Serviço Social e da Psicologia. Tanto em relação às suas garantias de direitos quanto no atendimento a aquelas, que sendo confirmado o diagnóstico positivo, precisaram de apoio psicossocial.


3.4.2 Possíveis soluções para melhoria dos serviços de saúde no Município de Saquarema.

Para melhorar a organização do acesso ao agendamento de marcação das consultas e exames é necessário que implantem um sistema de senha eletrônica única, para otimizar o tempo e agilizar o acesso das usuárias, bem como a produtividade dos profissionais da recepção.

Contando com uma população expressiva, o Município de Saquarema tem hoje um grande volume de passageiros que utilizam o transporte coletivo da única concessionária de serviço público de transporte coletivo existente na Cidade. Com a inauguração da Clínica da Mulher houve um aumento desse volume, que somado ao número de alunos das redes pública e privada, requer a necessidade da ampliação do número de veículos, bem como a diminuição dos intervalos dos horários. Existe a possibilidade de que o Conselho Municipal de Saúde, através da Secretaria Municipal de Transporte, possa enviar uma proposta para a concessionária solicitando análise da possibilidade de maior quantidade de veículos; ampliação de linhas e itinerários e a diminuição dos intervalos de tempo entre os ônibus, com a finalidade de atender um maior número de usuários.

O processo de implementação de saneamento básico e pavimentação das ruas do Município iniciou-se há vinte anos, porém esse processo mostra-se lento e gradual. É um tipo de investimento que, em nível municipal, depende quase que em sua totalidade de recursos externos, principalmente do governo do estado. Várias ruas dos bairros próximos aos centros urbanos já estão asfaltadas, porém existem ainda ruas dos bairros distantes que ainda não foram beneficiadas. Por outro lado, algumas ruas que ficam nas zonas rurais não são passíveis de serem asfaltadas, por questões de localização geográfica ou ambiental. Contudo, a administração pública municipal vem paulatinamente ampliando a pavimentação das vias estratégicas, com o intuito de garantir o acesso da população a todos os serviços públicos.

A Clínica da Mulher absorveu uma grande parcela da população feminina oferecendo várias especialidades médicas, inclusive acabando com a demanda reprimida na realização dos exames de mamografia. Entretanto, há uma grande necessidade no que se refere ao atendimento psicossocial, um fator determinante à saúde psíquica das usuárias, principalmente para aquela com diagnóstico positivo de câncer de mama ou mesmo de outras doença graves.

Apesar de anunciado no quadro de serviços no hall de recepção da Clínica da Mulher, o atendimento psicossocial ainda não se faz presente dentre os serviços prestados à mulher saquaremense. Porém, mesmo tendo sido solicitado, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não designou profissionais (assistentes sociais e psicólogos) para a Clínica da Mulher, apesar o Município ter feito recentemente um processo seletivo para a área da saúde.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de ser uma Cidade interiorana de pequeno porte, o Município de Saquarema caminha a passos largos no quesito que trata de investimentos em educação e saúde. Com o aditivo dos recursos provenientes dos royalties sobre a extração, exploração e a produção de petróleo e gás natural essa política de desenvolvimento social torna-se mais evidente.

A implantação da Clínica da Mulher no Município de Saquarema com ações de prevenção, promoção, assistência e reabilitação, garantindo uma atenção à saúde de qualidade, com atendimento integral, representa um grande avanço nas estratégias de melhoria das condições de atendimento à mulher. A Prefeitura de Saquarema, através da Secretaria Municipal de Saúde verificou a necessidade de construir um espaço exclusivo às necessidades de saúde inerentes o sexo feminino.

A nova unidade de saúde, além de melhorar o acolhimento às pacientes, tem como objetivo desafogar outros aparelhos das linhas de cuidado, que por concentrarem várias especialidades de atendimentos clínicos/ambulatoriais do Município já estavam sobrecarregados de demandas.

Em pouco mais de um ano de funcionamento, a Clínica da Mulher já realizou mais de 30 mil atendimentos médicos, tais como consultas, exames, procedimentos e vacinas. E desse total 4280 foram mamografias.

Anteriormente o único mamógrafo existente na Cidade estava alocado na Policlínica Municipal que, invariavelmente, não conseguia atender todas as demandas das mulheres de Saquarema. Pouco tempo após a inauguração, a Clínica da Mulher aumentou paulatinamente o número de mamografias diárias. Fez também um investimento muito grande na campanha ‘Outubro Rosa’ no ano de 2017, quando foram realizadas mais de 1.000 mamografias. Com isso reduziu-se drasticamente a demanda reprimida que já perdurava há anos na Policlínica Municipal.

Concomitantemente a essas ações, a criação de um espaço exclusivamente dedicado à saúde da mulher proporcionou agilidade na questão do fluxo de encaminhamento dessas mulheres ao acesso a um tratamento célere, eficaz e de qualidade, trazendo segurança, confiabilidade e a certeza de que, apesar do câncer de mama ser uma doença estigmatizada, a mulher se sinta amparada, do ponto de vista terapêutico, pelos aparelhos de promoção da saúde no âmbito municipal.

Isso permitiu refletir a importância do diagnóstico precoce para intervenções mais rápidas e melhores prognósticos, o que é de suma importância o trabalho de promoção e prevenção nos serviços de saúde, ressaltando a educação em saúde, os meios de comunicação para divulgação, o autoexame de mama e o acesso ao exame de mamografia.

Mesmo sendo um grande avanço em termos de qualidade no atendimento aos serviços de saúde para a mulher saquaremense, a Clínica da Mulher ainda enfrenta algumas barreiras a serem contornada para que esses serviços sejam ofertados de forma plena, eficiente e eficaz.

Por fim, a Prefeitura de Saquarema disponibilizou uma grande área próxima a principal Avenida da Cidade onde será construído um complexo médico que abrigará várias unidades de saúde. Está prevista a construção de um novo Hospital Municipal, uma Clínica da Família, um Posto de Saúde, um novo Laboratório Municipal e uma nova Clínica da Mulher, todos em sede própria.

MULHERES VÍTIMAS DE CÂNCER DE MAMA: do diagnóstico confirmado ao acompanhamento pela Clínica da Mulher no Município de Saquarema - RJ

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[1] Nuliparidade: Condição de uma mulher que nunca pariu, sendo por escolha ou por dificuldades de engravidar.

[2] Este entendimento está expresso na Lei 8.080/90 (Brasil, 1990), no artigo 4º.

[3] Artigo 194: A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinados a assegurar os direitos relacionados à saúde, à previdência e à assistência social (BRASIL, 1988).

[4] As informações contidas na Portaria nº399/2006, que institui o Pacto pela Saúde, revelam alguns números que indicam a magnitude do sistema público de saúde brasileiro.

[5] Portaria nº 2.439, de 8 de dezembro de 2005. Diário Oficial da União; 9 dec. 2005.

[6] Biopsicossociais: em que existem influências biológicas, psicológicas e sociais para a formação do indivíduo.

[7] Quadrantectomia é a retirada de um setor mamário amplo, que pode corresponder a um quarto da mama. Normalmente é indicada em casos de lesões malignas relativamente pequenas.

[8] Lumpectomia é uma cirurgia para a remoção apenas do nódulo existente e das suas áreas adjacentes, sem haver necessidade da retirada total da mama.

[9] Quimioterápicos são compostos sintéticos ou de origem vegetal com a propriedade de atual sobre microorganismos patogênicos.

[10] Antineoplásicos são medicamentos utilizados para destruir neoplasmas ou células malignas e, tem a finalidade de evitar ou inibir o crescimento e a disseminação de tumores.

[11] Resiliência é a capacidade que algumas pessoas têm de enfrentar e superar suas dificuldades, crescer com elas e seguir em frente ainda mais fortes.

[13] Royalties são uma compensação financeira paga à União pelas empresas produtoras de petróleo e gás natural no Brasil como forma de compensar a sociedade, estados e municípios pela utilização destes recursos, que não são renováveis.

[15] Papanicolau é um exame ginecológico que detecta doenças como câncer de colo de útero e HPV.