Andrea Portela en Moda y belleza, Moda y Diseño Professora • Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora 31/5/2018 · 1 min de lectura · 2,6K

Vestir: um ato performático

Vestir é atuar, envolve gestos, comportamentos, escolhas, fantasia, desejos, fabricação sobre o corpo (e de um corpo) para a montagem de personagens sociais coletivos ou individuais, exercendo comunicação, exprimindo noções, qualidades, posições, significados:

A senhora em frente a seu tocador a per-formar o penteado.

O homem projetando olhares “entrecortantes” para se barbear.

A jovem dançando em frente ao espelho testando a saia rodada.

O perfume que precisa ser “visto”.

O salto do sapato que empina a forma do corpo.

O balançar a cabeça para verificar a mobilidade dos pingentes.

Desejos que afloram ao re-formar o visual.

Nossas práticas vestimentares estão condicionadas a inúmeros fatores, sobretudo culturais, de tempo e de espaço. Como estes fatores são articulados e reprocessados para os usos sociais (considerando-os também para a satisfação dos prazeres pessoais), reproduzindo e inventando práticas sempre renovadas, inconstantes, transformando as significações e re-configurando outros espaços de vivências? Essa questão nos leva a suspeitar que o ato de vestir pode ser compreendido como um fazer artístico e que, em maior ou menor grau, tem a performance como sua interface. A performance potencializa, materializa o que fora imaginado. Desta forma, parece natural, o fato de o vestuário ser usado por artistas, e há muito, no intuito de questionar e de reconfigurar suas funções sociais, os papéis dos gêneros, as representações da moda, os papéis políticos, a própria arte. Essa sinergia se intensifica a ponto de confundir o nosso entendimento e, às vezes, pensamos estar diante da mesma coisa.

Assim como a moda reivindica sua simbiose com a arte, também a roupa, se expande e participa das travessias entre linguagens, desta forma o foi pelos Objetos Sensoriais de Lygia Clark e pelos Parangolés de Hélio Oiticica que ultrapassaram a distância entre o corpo e a arte. Para eles, o corpo não era suporte para a arte, mas a incorporação de um em outro, arte e corpo, essa transformação era necessária para reverter o papel de espectadores em criadores, partícipes. Ao se vestir, o corpo se torna obra.

Vestir: um ato performático