Andre Pereira en Psicologia, Marketing Online, Psicólogos Rechechier • Technische Universität München (TUM) 14/11/2017 · 1 min de lectura · +800

A Indiferença social e o suicídio alheio

A Indiferença social e o suicídio alheio

O nosso desejo após um dia desgastante de trabalho é ter um alento. É hora de passar o bálsamo nas feridas. Seja qual for a distração, nós compensamos as agruras das horas trabalhadas com pequenas recompensas, tais como academia, doces, compras, internet, leitura ou outras coisas. Na ânsia de ter sossego, reduzimos a sociabilidade em meros cumprimentos da manhã, tarde e noite. Perguntas genéricas de "tudo bem?" antecipam o ansioso "tchau" que já está pronto para ser dado. Igualmente educados e superficiais.

As interações sociais passam a acontecer no ambiente digital, já que o mundo real parece cada dia mais violento, frustrante e introspectivo. Vivemos como estranhos entre nossos próprios vizinhos. Cada um em sua vida e as portas sempre fechadas. O desejo de não incomodar nem ser importunado faz as poucas conversas serem monossilábicas. Estamos sempre preocupados com a pressa, o calor, o peso das sacolas ou a preguiça. Família, amigos, network e colegas de trabalho bastam para a socialização. Queremos sempre falar e nunca ouvir. Casas, smartphones, carros e shoppings se tornaram bolhas de segurança, onde o perigo não alcança e o inferno são os outros. O mundo real e suas mazelas ficam "do lado de fora". Tudo se torna válido na tentativa de criar um ambiente seguro e distante dos demais. A liberdade desumanizada se balança dentro das gaiolas vigiadas.

Por identificação, sempre dediquei uma atenção aos meus vizinhos idosos. É um ato de cidadania ajudar a carregar suas feiras escadas acima, abrir os portões, conversar sobre o cotidiano em comum. Entretanto, acabei por não prestar atenção nos mais novos. Dentre os jovens que não me despertavam atenção, havia pelo menos um que sofria em silêncio.

Nesta noite um grupo de pessoas buzinou em meu apartamento. Queriam que eu confirmasse se um determinado rapaz morava no imóvel ao lado. O grupo e o rapaz apenas se falavam online e em esporádicos encontros do mundo real. Todos ali estavam preocupados, pois ele enviou um adeus velado por mensagem de texto. A fim pegar uma foto dele no Facebook para me mostrar, seus amigos pediram acesso ao meu wi-fi. Vi a foto e confirmei que era ali que o rapaz morava. Após insistentes batidas na porta dele sem que alguém abrisse, eles arrobaram e revistaram tudo. Outros amigos dele chegaram e se somaram ao grupo. Ele não estava lá, mas acharam 20 páginas escritas de uma agenda, que era um verdadeiro pedido silente de socorro. A carta não deixava nenhuma dica de onde ele pudesse ter ido ou o que faria com a própria vida. A esperança do grupo era o status online que o whatsapp mostrava abaixo do nome dele. Estar conectado se tornou um sinal vital nos dias atuais.

Uma vizinha contou que a porta havia sido arrombada uma vez, para resgatá-lo de uma tentativa anterior de suicídio. Tememos que esta fosse a segunda (e última) tentativa. Após uma busca sem sucesso pela cidade, seus amigos conseguiram rastreá-lo pelo telefone. Conversaram e procuraram entender o que estava acontecendo. Por fim encontraram o rapaz na casa da família. A solidão do mundo real não conseguiu ser aplacada pelas interações online.

Onde nós da vizinhança estávamos? Cuidando das próprias vidas e se ignorando mutuamente. Ensimesmados, olhando para o celular tal qual Narciso ao seu reflexo no lago. Afogados em nós mesmos. De tanto admirar o reflexo, Narciso se finda no autoextermínio. Este parece ser o nosso fim, pois desunidos somos mais fracos. Nossa omissão diária afeta a todos, quase matando o meu vizinho nesta noite. Quantos outros morrerão por omissão? Até quando persistirá a ilusão de que não seremos as próximas vítimas?



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DR JOSÉ MARCELO PEREIRA MOREIRA ATENDE TODAS AS QUINTAS-FEIRAS NA CLINICA Dr. MAIA, 83 3310 32 50 , Av. GETULIO VARGAS 474, CAMPINA GRANDE , PARAÍBA BRASIL - PARTICULAR/SAÚDE CAIXA/CASSI/GEAP/BRADESCO/SULAMERICA/CAMED/AFRAFEP/FASCHESF E OUTROS

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Alerta da maior importância. O CVV - Centro de Valorização da Vida tem por objetivo prestar o apoio emocional para prevenir o suicídio e valorizar a vida.
http://www.cvv.org.br

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