Daniel Funchal in Engenheiros e Técnicos, Engenheiros Civis, Engenharia e Indústria Coordenador de Projetos e Obras • Grupo Pereira Dec 19, 2016 · 2 min read · 1.6K

Estratégias de Negócio com apoio de Indicadores

O desenvolvimento de um empreendimento imobiliário possui um ciclo longo, onde a etapa de produção (obra) pode alcançar prazos médios totais de 24 a 36 meses e as etapas anteriores, como licenciamentos e aprovações, podem demandar de 6 a 18 meses em média.

Esta característica expõe o empreendimento imobiliário a significativas variações como: legislação; cenários e políticas econômicas; padrões de consumo; eventos políticos, sociais e ambientais, etc.

Uma eficiente e necessária medida para reduzir os riscos e garantir o desempenho financeiro do empreendimento é a utilização de indicadores para análise de padrões e previsões de comportamento futuro. Para isso, as séries históricas nos trazem informações relevantes e ajudam na definição de cenários para estratégias de proteção aos riscos negativos e de aproveitamento de oportunidades.

Como exemplo de algumas situações onde estas informações são úteis, temos os seguintes cenários de tomada de decisão:

  • manter, antecipar ou postergar o lançamento do empreendimento;
  • alongar o prazo de execução com consequente redução da exposição mensal de caixa e aumento do custo fixo total ou ajustar a estratégia comercial (marketing e tabela de venda);
  • utilização de materiais importados (como aço, vidro, revestimentos, fios e cabos, etc);
  • definição do indicador a ser utilizado para reajuste contratual (clientes e fornecedores);
  • critério de reajuste contratual de prestadores de serviços, referente ao dissídio da categoria (composição de custos, saldos de contrato, etc).

Existem diversas situações onde a tomada de decisão pode impactar fortemente na saúde financeira do empreendimento, fato este agravado pela característica do negócio de possuir um ciclo longo como anteriormente comentado.

Os gráficos abaixo mostram as séries históricas dos seguintes indicadores: CUB-SC Médio Residencial, CUB-SC Médio Comercial, INCC-DI, SINAPI-SC Materiais, SINAPI-SC Mão de obra e Dólar, desde Março/2007 até Abril/2016.

O primeiro gráfico mostra os números acumulados dos índices e o segundo gráfico mostra a variação percentual mensal.

Estratégias de Negócio com apoio de Indicadores


Estas informações combinadas com os fatores externos mais relevantes para o setor, ajudam o empreendedor a realizar seu planejamento para o desenvolvimento do empreendimento e estabelecer o Plano de Ação para os cenários que possam impactar no negócio.

A tomada de decisão feita de forma empírica ou considerando somente os fatores internos da empresa pode levá-la a sérias dificuldades financeiras, o que cria um cenário desafiador para novas decisões que necessitarão ser ainda mais estruturadas e divergentes das anteriormente adotadas.

Infelizmente é muito comum ouvir empresários justificarem suas decisões com expressões do tipo “...faço isso há mais de 20 anos e vem dando certo!”. Mesmo os gráficos mostrando apenas os últimos 9 anos, fica evidente a flutuação e a mudança de cenários. A falsa percepção de assertividade, usualmente correlacionada apenas ao saldo financeiro positivo, é muito frágil e a recondução da empresa a uma política estruturada de tomada de decisão sofrerá com o fator cultural e os falsos sucessos pretéritos.

Normalmente decisões empíricas são sucedidas de outras decisões emergenciais para correção (ou tentativa de correção) do andamento do empreendimento, necessárias devido a negligencia dos fatores externos, provocando assim grande impacto no resultado final do empreendimento e saúde financeira da empresa.

Como ilustração deste cenário, temos duas situações simplificadas, porém que retratam muito bem a realidade do mercado, abaixo descritas:

  • situação 1: aporte total de capital de R$ 1milhão, prazo total de 18 meses e resultado financeiro final positivo de R$ 100mil.
  • situação 2: aporte total de capital de R$ 2,5 milhões, prazo total de 24 meses e resultado financeiro final positivo de R$100mil. 

Em ambas as situações houve saldo positivo do mesmo valor e isso pode induzir erroneamente a avaliação de bom resultado, mas são cenários totalmente diferentes que impactam diretamente na rentabilidade e saúde financeira da empresa, podendo levar a sérias dificuldades de fluxo de caixa entre outras.

Custo de oportunidade não emite duplicata para apropriação como “despesa” nos relatórios gerenciais, mas cobra seu preço no futuro.
Daniel Funchal

Fontes dos dados dos gráficos: IBGE, Sinduscon SC, Sinduscon PR, Dólar Hoje



Daniel Funchal Dec 29, 2016 · #2

#1 Muito obrigado!

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Carolina Linhares Dec 20, 2016 · #1

Muito interessante os dados e os gráficos que você trouxe @Daniel Funchal! Muito obrigada pela informação!

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