daniel gil en Mclucasi Serviços e Soluções Financeiras, beBee in English, Economistas e Financeiros Economista • Daniel Menezes Gil & Associados 12/12/2018 · 2 min de lectura · +600

Efeito da Crise Brasileira nas Empresas

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Efeito da Crise Brasileira nas Empresas

A crise no Brasil está sendo bem expressiva e tem chamado a atenção por sua prolongada permanência e estabilidade no tempo, fazendo com que as últimas tendências das projeções de crescimento da conjuntura econômica estejam sendo revistas para baixo, dando sinal de sua continuidade e as fases de melhoras sejam denominados de períodos de voos de galinha em função de que não se identificam sustentabilidade no médio e longo prazo pelos analistas de mercado.
Assim, o desemprego segue alto e principalmente a renda muito afetada de forma direta pela baixa expectativa de reversão da falta de oportunidades para os trabalhadores e investidores.
Em relação aos últimos efeitos nas empresas, de forma geral e especialmente as classificadas como médias, embora os indicadores industriais apesentados no mês de julho pelo IBGE quanto ao desempenho setorial tenho sido positivo, de 13,1% em junho em relação a maio, 2,3% no ano/2018 e 3,2% nos últimos 12 meses, representaram uma recuperação em relação ao efeito da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio e junho, para o médio e longo prazo já se projeta com variação de 2,85% para o ano de acordo ao Boletim Focus de 03/agosto/2018, isto é, menor do que os 3,50% que já se projetou antes desta paralização pelo BC, caracterizando assim o chamado voo de galinha.
Assim, grande parte das indústrias que tive a oportunidade de verificar suas informações financeiras e relatórios de desempenho dos últimos meses, seguem com suas condições difíceis e com baixa perspectiva, dada a economia, em relação as escalas de produção e volumes de vendas quanto ao período que antecedeu esta recessão brasileira que se iniciou em 2013.
Esta situação também tem sido acompanhada pelos respectivos parceiros das indústrias, como fornecedores de matérias-primas e prestadores de serviços, provocando o mesmo reflexo na respectiva cadeia e um efeito dominó no mercado pela sua baixa escala e pouca expectativa no curto-prazo.
O que observo também, de forma geral, é que a constituição dos passivos destas têm nos tributos federais e estaduais as contas mais representativas dos endividamentos, chegando a representar 65% e 15%, respectivamente, atingindo entorno de 80% os efeitos tributários sobre os passivos das empresas.
Este é um tema importante para que seja incluído na pauta econômica do debate político nesta eleição, com o objetivo de buscar uma solução para as causas da influência dos tributos nos passivos que passam diretamente pelas reformas tributárias e previdenciárias, reduzindo o chamado Custo Brasil.
Ainda, somando a esta situação, segundo publicação da Revista Conjuntura Econômica, de julho/2018, da FGV, intitulada Mitos Capitais, em 2017 o Banco Central constatou aumento no acesso ao mercado de capitais, onde 76,4% do motivo desta procura foi para obtenção de capital de giro e para refinanciar passivos, totalizando R$ 95,8 bilhões, superando o desembolso do BNDES (R$ 70,6 bilhões) em 30%.
A procura do mercado financeiro, teve o foco de renegociar, alongar e baratear dívidas.
Quanto estas duas questões, recursos para financiamento do capital de giro e alto endividamento tributário, a percepção é de que as empresas em geral estão pedindo socorro.
Pelo lado empresarial, também poderia ter sido evitado ou minimizado esta situação, através de um bom processo de gestão e planejamento, onde empresas médias não costumam desenvolver esta técnica de forma mais aprofundada para uma verificação das tendências de seus mercados, bem como estudo das possibilidades de novas frentes e diversificação, considerando inclusive a exportação como uma variável que promova e incremente sua escala comercial no médio prazo, minimizando a dependência no mercado nacional.
Estas são as condições que tenho vivenciado e considerando as variáveis de poucas expectativas do mercado interno, como insegurança política futura e alta competitividade, o importante para as empresas é trabalharem na melhoria da eficiência nas estruturas internas, estar de olho no seu mercado, identificar novas perspectivas e considerar o mercado externo como aumento de escala, tanto para indústrias como prestadores de serviços.
Daniel Menezes Gil
Economista