Denise🐝 Da Vinha Ricieri en Estudantes, Professores e Educadores, Educação e Formação Professor e Pesquisador (colaboração técnica) • Universidade Federal do Ceará 5/7/2016 · 3 min de lectura · 1,3K

A mágica de transformar conhecimento em experiências de aprendizagem: Design Instrucional na prática

A mágica de transformar conhecimento em experiências de aprendizagem: Design Instrucional na práticaA Rede Innovares surgiu com o propósito de interconectar atores do cenário da Educação Superior (professores, pesquisadores, estudantes de graduação e de pós-graduação, gestores) para oportunizar trocas colaborativas de conhecimento, de experiências e de oportunidades.

Ao final de um semestre onde registramos o passo a passo de uma aplicação bem sucedida de metodologias ágeis e criativas em sala de aula, a partir de planos de ensino colaborativos (desenhados em conjunto com os estudantes e a partir das expectativas, perfis de múltiplas inteligências nas turmas e atendimento ao conteúdo previsto pela ementa da unidade curricular), hoje temos uma história para contar.

A Rede Innovares hoje conduz uma vivência gratuita de Design Instrucional em Planos de Ensino (versão Educação Superior) que conta com professores interagindo em ambientes fluidos e não-dedicados ao convencional EAD. Não é um curso, embora o tenhamos chamado assim para que as pessoas entendessem a proposta. É uma experiência de aprender a aprender e de aprender a ensinar. De transformar-se para transformar a própria atuação, do planejamento à execução, em sala de aula, com a consciência sobre a potenciais reverberações desse conjunto de transformações sobre pontos críticos e fundamentais do sistema: o estudante (aprendizagem e o mundo do trabalho), a gestão da aprendizagem (Projetos Pedagógicos de Curso/PPC, Diretrizes Curriculares Nacionais/DCN e CPC/MEC), e a Gestão do Ensino (Instituições de Ensino Superior/IES, IGC/MEC)

Uma ideia que começou em 2015, na parceria com uma Universidade espanhola, onde todos nós queríamos (e queremos) uma educação de qualidade, em que o processo prevaleça sobre o produto, que a formação ampliada supere a diplomação técnica. Essa ideia virou um Projeto submetido ao CNPq (Edital Universal 2016, ainda por sair o resultado) e começou a ser implementada na Educação Básica (ensino médio tecnológico) e Superior (Curso de Graduação em Educação Física).

Tínhamos uma pergunta norteadora para responder: será possível transformar o processo de aprendizagem e aplicar soluções ágeis e criativas dentro das condições atuais de Planos de Ensino e de PPC, em modelos conteudistas que predominam nas IES brasileiras? Mais que isso, queríamos saber se custaria mais (sim, dinheiro, investimento, vil metal!) fazer essas mudanças, como apregoam todos os que as evitam. Mas a pergunta que não queria calar era: o estudante quer/aceita/participa/adere a essa mudança?

Eram esses os argumentos que mais ouvíamos em todos os lugarem em que apresentávamos nossas ideias e propostas. Era preciso mergulhar de cabeça numa experiência piloto, até que o projeto grande (do CNPq, aquele que traria o dinheiro para viabilizar os estudos para transformações) fosse aprovado (?!) e tivéssemos condições ideais de desenvolvimento para a pesquisa. Nosso objetivo eram as tão faladas métricas. Todos acusavam as metodologias inovadoras, e mediadas por tecnologias, de medidas incompatíveis financeiramente com a realidade das salas de aula brasileiras. Um sonho de Vale do Silício tupiniquim inalcançável.

Minha experiência me dizia que era perfeitamente possível, mas que era preciso novas atitudes de todos em sala de aula. Porém, eu ainda precisava de resultados para consubstanciar minhas crenças, e não queria esperar um semestre inteiro sem fazer nada a respeito. Então... Fiz! Porque na Rede Innovares é assim que lidamos com os desafios: nós fazemos! Usamos nossas conexões, nossas relações pessoais baseadas nas afinidades que temos, no modo de ver e fazer a Educação Superior, a favor dos nossos sonhos, enquanto eles não recebem o carimbo de viabilidade de um órgão governamental.

E assim aconteceu. Reunimos um grupo de trabalho, estudamos muito, compartilhamos ideias e experiências, e eu tomei a empreitada como desafio na minha atuação! Levei para sala de aula a proposta de um plano de ensino diferente. Na primeira semana, mostrei aos estudantes que existia uma "arquitetura de aprendizagem", onde significar o que aprendemos faz toda a diferença entre estudar e aprender. Incitei a curiosidade com personagens empreendedoras de sucesso, que eles vêem diariamente nas timelines de mídias sociais, mostrando como eles contavam suas histórias, e que todas elas tinham um ponto em comum: era preciso aprender a aprender. De novo.

Foi assim que ganhei o engajamento das minhas duas turmas nesse primeiro semestre de 2016. Foram dias e dias redimensionando e reelaborando mídias, materiais, trilhas de aprendizagem totalmente novas e diferentes de tudo aquilo que eu já havia feito. Havia nesse reinventar-me em sala, igualmente, um propósito: medir os esforços necessários para transformar a atitude dos estudantes. Sobre isso, aprendi que somente quando eles viram meu esforço, levando para a sala material preparado de modo diferente, com trilhas de atividades, conceitos e planejamentos colocadas antecipadamente na área do estudante do sistema de gestão da aprendizagem da universidade, somente aí a mágica começou a acontecer...

Eles se jogaram na experiência. Compraram a minha ideia, participaram ativamente. Não houve (nunca há) 100% de engajamento logo de saída, e isso é bom para treinar a sua empatia, professor. E a minha. E foi assim, passo a passo, desafio a desafio, que consegui trabalhar sala de aula invertida, estudos problematizadores e ensino híbrido. Cada uma dessas metodologias em unidades temáticas diferentes. Chamo isso de degustação, porque era preciso cativar, encantar, engajar os estudantes com novas atitudes. E a cada nova metodologia, uma nova surpresa: menos muros e mais pontes se faziam existir entre o conhecimento proposto e a aprendizagem alcançada.

A avaliação não poderia ser "dentro da caixa", afinal. Então, eles passaram por avaliações específicas para os três domínios do conhecimento trabalhados: saber, saber-fazer, saber-ser. Trabalharam em avaliações que transitaram entre aquelas formais (escritas) e pelas construções individuais, e as colaborativas, de conhecimentos e de soluções para contextos, problemas e propostas. Na última avaliação semestral, quatro estações de avaliação baseadas nos princípios do Design Thinking, e uma gamificação bônus: para o cumprimento de toda a avaliação com aproveitamento igual ou superior a oito pontos na nota final, uma certificação de participação nessa imersão de 10 horas em Design de Aprendizagens.

O resultado está aí no vídeo, e todas aquelas perguntas e obstáculos iniciais foram superados e esclarecidos. Hoje tenho métricas (e depoimentos absurdamente engajados dos estudantes) para argumentar e consolidar as respostas a todas as inquietações, dúvidas e senões que meus colegas professores e que os gestores de IES tiverem. Hoje, encerrando meu semestre letivo, não me resta sombra de dúvidas: é preciso transformar-se para transformar, é preciso engajamento para engajar, é preciso brilho nos olhos para fazer outros olhos brilharem.

Ao final, eles descrevem a experiência em uma única palavra: "libertador". E uma palavra forte como essa, não poderia passar em vão. Deixo com vocês minha experiência sobre Design Instrucional e Trilhas do Aprender, parte da Metodologia de Aprendizagem Integrativa e Significada (M.A.I.S.) que estamos desenvolvendo para poder ajudar mais educadores a transformarem suas salas de aula.

Temos isso, e muito mais: temos resultados. Planos de Ensino que foram desenhados de forma ágil e criativa, mesmo com ementas engessadas, em projetos de curso conteudistas. Mágica? Não... Experiências de sucesso que envolveram princípios aplicados de Design Thinking e muita dedicação.


A mágica de transformar conhecimento em experiências de aprendizagem: Design Instrucional na prática