Denise Da Vinha Ricieri en Universitários, Professores e Educadores, Médicos e profissionais da área da saúde Professor e Pesquisador (colaboração técnica) • Universidade Federal do Ceará 4/10/2016 · 4 min de lectura · 1,6K

É primavera, é outubro: espalhe o rosa!

Em sala de aula, meus estudantes sempre me perguntam sobre saúde e o porquê de fazer atividades físicas ou exames periódicos de controle ou de prevenção de doenças.

Tenho o hábito de lhes responder com algumas storytelling estruturadas, mostrando que, muito além do que viver mais, o hábito de manter sua saúde em dia tem a ver com ganhar novas chances de viver. Mais, melhor, ou mais e melhor.

Como trabalhei alguns anos em unidades de terapia intensiva, com fisioterapia respiratória, conto alguns casos de pacientes que foram surpreendidos por um acidente, traumas, ou alguma doença que exigiu cirurgias de emergência. Nessas storytelling, construo a comparação de desmame de ventilador mecânico do paciente e a relação com a prática de atividades físicas e cuidados com a saúde, pregressas ao momento do acidente. Nesses casos, pulmões e corações saudáveis tiveram finais mais felizes.

No entanto, nas últimas 3 semanas, construí uma nova storytelling para trabalhar com eles. Desta vez, é sobre prevenção de doenças e a impostância dos exames periódicos. Tal como a prática de atividades físicas e bons hábitos de vida, a revisão anual da saúde concede inúmeras chances e vantagens, mas e principalmente, concede tempo para tomar melhores decisões, para evitar danos maiores, e na falta desse tempo, pode-se perder chances de aderir a tratamentos menos invasivos.

A partir da minha própria história, estamos todos engajados no movimento Outubro Rosa.

"O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença."

É primavera, é outubro: espalhe o rosa!

Neste Agosto, mês em que sempre faço meus exames anuais na Ginecologia, fui supreendida por nódulos nas mamas que não existiam ano passado. Foi espantoso o crescimento em número, no intervalo de apenas um ano, e o fato de que um deles tinha um aspecto duvidoso. Naquele momento do resultado dos examens, me senti - pela primeira vez - verdadeiramente no lugar de tantas pacientes que tratei, ou ajudei a tratar. Em geral, elas chegaram até mim porque diagnosticaram tarde demais, sem maiores chances de optar por tratamentos mais conservadores.

Desnecessário dizer que a notícia me abateu, e muito. Mantive sigilo e segui por mais duas semanas de muitos exames. A cada um deles, no mês de Setembro, eu me lembrava do Outubro Rosa, e queria chegar a este mês com boas notícias.

Todo professor da área de saúde (sou fisioterapeuta), independente de sua unidade curricular, estimula a adesão dos estudantes de cursos da área da saúde para que se tornem verdadeiros propagadores da mensagem do movimento Outubro Rosa (e o Novembro Azul, que veio recentemente). Hoje, com tantos recursos para diagnóstico precoce e tratamentos com bom êxito, é possível mudar as estatísticas de morte ou de invalidez pelo câncer de mama: o Outubro Rosa é esse movimento, que toda mulher deveria fazer, aderir e divulgar.

Enquanto percorria a rotina dos exames de esclarecimento, fui me lembrando das tantas vezes em que engajei a mim e aos meus estudantes, em prol do esclarecimento feminino sobre o "se toque"! Agora era a minha vez. Graças a essa rotina, iniciada por nódulos na mama, descobri também dois nódulos na tireóide. Mais exames, mais preocupação, mais abatimento. Mas, por outro lado, mais certeza de que o movimento estava certo: prevenir!

Eu tenho, por hábito, ser uma pessoa altamente positiva, porém devo confessar que foi (e ainda é) muito difícil manter a sintonia mental quando um tsunami desse tipo de notícias atinge sua vida, seus dias. Afinal, minha genética para câncer, de modo geral, e de mama, em particular, não é das melhores: a família da minha mãe tem um histórico longo nessa área.

Conto aqui pela primeira vez o que aconteceu, porque praticamente ninguém soube dessa notícia, durante o período em que investiguei o diagnóstico, exceto por meus filhos e minha melhor amiga aqui em Fortaleza, que me acompanhou passo a passo, e não me deixou abater. Por todos eles, segui confiante e, muitos (e muitos) médicos e exames depois (e de novo), agora tenho em mãos os resultados que me dão mais 6 meses de observação, porque nenhum deles (ainda) tem características totais de malignidade. Comemoro isso como a primeira vitória, mas a guerra não está acabada...

Semana passada, contei finalmente aos meus estudantes essa nova storytelling pessoal. A decisão foi unânime: as turmas atenderam ao meu convite de nos engajar na campanha do Outubro Rosa! Nas famílias, entre amigos, nas comunidades e bairros onde moram, nas escolas, nas outras turmas do curso, pela Universidade... Todos estaremos levando um pouco do conhecimento sobre o que representa fazer periodicamente exames de saúde, e a prevenção do câncer de mama, em especial.

Quanto a mim? Bem... Eu ainda tenho um caminho para percorrer nesses próximos 6 meses, porque esse é uma guerra pela vida. Mas percebi que fora o hábito de manter anualmente meus exames em dia que me deu mais vida nos meus dias, e que tudo depende de como se olha para a situação. Entendo que ganhei (e muito) com isso: opções e tempo para pensar em cada uma delas. Ganhei o direito de decidir pelo que é melhor, ou menos invasivo, ou mais conservador, ou até mesmo, o que é mais radical! Está nas minhas mãos o curso dos meus próximos dias, e não nas mãos da doença.

Ganhei o direito de optar até mesmo por decisões como as de Angelina Jolie, que decidiu pela mastectomia bilateral preventiva, porque sofreu com o câncer de mama agressivo, que lhe levou a mãe. Aconteceu o mesmo com a minha mãe, e eu entendo perfeitamente a dor dela. Essas são opções que não mais se tem em mãos, depois que um nódulo vem com laudo de mamografia com Bi Radis 5.


"O termo BIRADS é um acrônimo para Breast Imaging Reporting and Data System, ou seja, é uma sistematização internacional para a avaliação mamária, interpretação do exame e confecção dos laudos de exames de imagem especificamente da mama. Esta classificação deve ser aplicada nos laudo de mamografia, ultrassonografia mamária e ressonância nuclear magnética das mamas e assegura maior confiabilidade ao exame. É uma padronização mundialmente adotada - em qualquer lugar do mundo, qualquer médico especialista nesta área entenderia uma classificação BIRADS 5, por exemplo"


Vivemos em tempos de evolução exponencial. Tecnologias, vida, saúde, tratamentos... Tudo evolui em ritmo exponencial. Não podemos manter pensamentos e atitudes lineares. Ir ao médico "quando existe um problema ou dor", ou "nunca fiz um exame de palpação da mama" é pensar linearmente. É agir como as gerações anteriores de mulheres (nossas mães e avós), que não possuíam conhecimento do assunto, acesso às informações, modelos de condutas a seguir. Era um tempo em que a palavra "câncer" era proibida ou temida, pela total falta de recursos para cura.

Hoje o mundo mudou e, nós mulheres, temos que mudar com ele! Assim como muitas outras doenças, o câncer de mama pode ser prevenido, pode ser tratado, e tem excelentes índices de cura para aquelas que o detectam precocemente.


"As chances de cura do câncer de mama podem chegar até a 100% dos casos, se detectados na fase inicial. Quanto mais cedo ele for diagnosticado, melhores serão os resultados"

É primavera, é outubro: espalhe o rosa!

Se você é mulher, não deixe de fazer sua revisão anual no seu (sua) ginecologista. Se você não é mulher, engaje-se nesse movimento, e espalhe a notícia. Pequenas ações de prevenção podem proporcionar tempo para tomada de decisões, em casos em que os resultados sejam iniciais, assim como aconteceu comigo.

Outubro Rosa é isso: o momento de espalhar o rosa pelo mundo! Eu estou de corpo e alma nessa campanha...

Espalhe o rosa por aí você também!



Toda força do mundo pra você @Denise Da Vinha Ricieri! E, sim, vamos espalhar rosa por todos os lados! E não somente em outubro, mas no ano todo!

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#1 @Deb Helfrich o tempo sempre foi meu grande aliado. Agora mais do que nunca! Obrigada pelas palavras, e vamos espalhar o rosa!

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Deb 🐝 Helfrich 4/10/2016 · #1

@Denise Da Vinha Ricieri Obrigado por compartilhar sua história que mostra que monitorar nossa saúde pode ser o maior presente sempre, porque com o conhecimento mais cedo, temos tempo do nosso lado.

Desejo-lhe toda a saúde do mundo. Por favor cuide-se.

For all the English-speakers - please do use google translate to read this important story about how Denise was able to have the time to make all the right decisions for her own health. A timely reminder during Breast Cancer Awareness Month.

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