Denise Da Vinha Ricieri en Rede Innovares de Conhecimento (Innovares Hive), beBee em Português, Professores e Educadores Professor e Pesquisador (colaboração técnica) • Universidade Federal do Ceará 16/11/2016 · 3 min de lectura · 2,2K

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Empreender é pensar diferente, antever cenários, analisar perspectivas baseadas em evidências consistentes e sair na frente com soluções inovadoras, criativas e sustentáveis. Não, empreender não, necessariamente, é um conceito ligado à abertura de empresas. Empreender é uma atitude mental (mindset), um comportamento perante a vida e os percursos que traçamos, em busca dos nossos sonhos e realizações.

Não é diferente na Educação. Somos todos empreendedores da Educação: professores, gestores, estudantes e comunidade. Todos já estudamos (e continuamos a estudar e aprender o novo, e com o novo!), somos pais e temos filhos estudando (e queremos o melhor para a aprendizagem deles), somos cidadãos e interagimos com pessoas que nos fazem admirar – ou lamentar – o sistema educacional (a depender do comportamento e da performance que essas pessoas apresentam nos meios onde interagem conosco).

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Sim, deveríamos ser todos empreendedores do aprender-a-aprender, e não do ensinar. Há cerca de 5 anos o já cenário vinha se desenhando para mudanças profundas no modo em que o ensino é ofertado. E aqui lançamos mão da palavra ensino – em oposição à expressão aprendizagem – enquanto processo estático e superado, fora dos objetivos na formação de competências para o profissional de hoje (é… o futuro já chegou!).

Por isso, para quem tem o empreender como atitude mental (mindset), era de se esperar, diante de todo o debate causado pela MP 746 sobre o novo ensino médio (que sistematiza e implanta a BNCC para 2017) que medidas viessem à baila, e assegurassem professores capazes de fazer dessa MP uma realidade.

Como empreendedores, na Rede Innovares temos suscitado discussões e reflexões que vão ao encontro dessa visão, especialmente quando apresentamos os textos sobre growth mindset aplicado à educação, metodologias ágeis e flexíveis, pensamento linear e exponencial, autossustentabilidade dos ecossistemas educacional e de aprendizagem, glossários, e o mais recente, os Itinerários Innovares.

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Embora a participação ativa de professores na páginas, grupos e blog seja mínima (uma interação mensurada por likes e shares), mesmo a falta de engajamento para com assuntos “diferentes” e temas “estranhos” fala alto para nós, que fazemos a análise do andamento das páginas Profa Vera BahienseDra Denise da Vinha Ricieri, grupo Empreendedorismo Educacional e Rede Innovares.

É dessas análises que prospectamos os próximos temas e discussões, de modo que o conteúdo seja pertinente e rico, para quem nos acompanha. Nosso pilar é o modelo colaborativo de conhecimento: dividir para multiplicar, interagir para crescer, trocar experiências para transformar-se e transformar.

O baixo engajamento, ao que parece, vai ao encontro da superada concepção, popular nas instituições de ensino, de que “o docente fecha a porta da sala e faz o que ele quer fazer”. Essa máxima foi levada a termo por anos, e nós sabemos disso porque fomos formados por esse modelo e, muitas vezes, o repetimos em nosso exercício docente (assumir fraquezas é uma parte importante para transformar-se!)

Para quem leu e estudou (de verdade) o texto da BNCC (embora seja preliminar, o texto é legítimo: conta com cerca de 12 milhões de contribuições) e suas entrelinhas (especialmente as 4 políticas nacionais necessárias para sua implementação, na página 26) com olhos de empreendedor na Educação, já antevia a necessidade de algum mecanismo regulatório para garantir a implantação desse novo modelo, com sucesso.

Afinal, não há mais a figura da sala-de-aula, no sentido físico, enquanto único espaço válido para o exercício da aprendizagem. Aliás, sala-de-aula é uma expressão que está intimamente ligada a outros 3 conceitos que foram profundamente ressignificados no texto BNCC: aluno, ensino, professor.

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Pela nova visão educacional, profundamente detalhada na BNCC, a sala-de-aula como espaço de ensino de conteúdos do professor para o aluno, transformou-se em mundo do trabalho e as tecnologias como pilares educativos, a experimentação como pilar pedagógico, e o processo do aprender-a-aprender, do estudante, mediado por desenhistas de aprendizagens, ainda chamados de professores. Mas agora, a expressão “professor” transcendeu o professar-o-conhecimento, e passou a mediar-o-processo-de-modo-efetivo.

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Voltando à perspectiva de processos regulatórios implícitos na implementação do novo Ensino Médio, a partir da MP 746, voltamos os olhares para a página 26, onde se apresentam as 4 Políticas Nacionais, a serem implementadas e articuladas entre si.

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Quando uma especialista em pesquisas educacionais, do calibre de Bernadete Gatti, levanta a questão de revalidações periódicas das competências, habilidades e atitudes dos professores atuantes (citação abaixo retirada de entrevista concedida à Revista Época, 06/11/2016), há que se pensar que será realmente necessário avaliar quais profissionais da Educação estão preparados para transformar-se, e com isso, estar aptos para atender às transformações que estão emergindo nos contextos e espaços educacionais.

“Em carreiras como Direito e Medicina, o aluno que conclui a faculdade tem de fazer um teste rigoroso que mostre que ele aprendeu o que precisa. Isso poderia ser aplicado também aos candidatos a professor?” (Leia a opinião de Bernardete Gatti, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, que há 50 anos se dedica ao estudo do aprimoramento dos professores)

Exames de revalidação de diplomas, como na Medicina (onde as tecnologias também evoluem rapidamente, a exemplo da Educação, e a dessintonia entre a prática do profissional e os avanços tecnológicos impactam em prejuízos vitais para aqueles que se lhes utilizam os serviços prestados) e os exames de ordem (como a Ordem dos Advogados do Brasil/OAB), poderão ser tomados como balizadores para qualificar a longevidade da atuação docente.

Seria esse tipo de mecanismo regulatório pertinente? Legal? Ousado? Um reflexo dos novos tempos?

Como, cada um de nós, enquanto estudantes, pais de quem estuda, ou pares daqueles que estudam ou estudaram, percebe esse tipo de tendência que se aponta no horizonte?

Nos sentiremos mais seguros deixando-nos nas mãos de professores com diplomas e exercício devidamente atualizados e revalidados, assim como nos sentimos nas mãos de um médico ou de um advogado que aprenderam, continuamente, a trazer os benefícios dos e avanços tecnológicos e do conhecimento, para nossa saúde, direitos e bem-estar?

A Educação e seus processos avançados, não deveriam seguir pela mesma lógica? Ou o impacto de uma formação cristalizada em modelos e métodos, que hoje se mostram superados, não é relevante para todo um futuro profissional e atitudinal, diante da vida?

Perspectiva de “exame de ordem” para professores perante os novos modelos educacionais?

Esse é um tema polêmico, mas extremamente pertinente a esse momento de transformações na Educação, no Brasil e no mundo. Essa reflexão é profunda, pode ser dolorosa, mas é necessária…


Compartilhe, marque seu colega, deixe sua opinião, faça parte da corrente do pensar.

Engaje-se, informe-se, faça parte, queira transformar-se para transformar sua ação docente. Só é educador quem já percebeu que é preciso sempre (re)aprender-a-ensinar para que o estudante possa aprender-a-aprender!