Elisângela Cardozo en Educação Corporativa & Desenvolvimento Organizacional, PROFISSIONAIS EM ADMINISTRAÇÃO, Profissionais Administrativos Coordenadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa - NEP. • Hospital Paranaense de Otorrinolaringologia - Hospital IPO 3/10/2016 · 4 min de lectura · +800

Ética: perspectivas e desafios da sociedade brasileira envolvendo os Códigos e Comitês de Ética.

Ética: perspectivas e desafios da sociedade brasileira envolvendo os Códigos e Comitês de  Ética.

Segundo João Sayad no livro A ética no mundo da empresa, (Pioneira, 1991). O Brasil passa por uma crise econômica, política, cultural, mas antes de mais nada, uma crise moral. Diante desta afirmação é que iniciamos nossa discussão sobre o papel da ética no desenvolvimento das organizações sociais e empresariais, na sociedade moderna.

Sabemos que a sociedade evoluiu, tomou novas formas, novos rumos, um novo jeito de perceber e entender a dinâmica da concorrência no mercado. Seja qual for o ramo de atividade em que estivermos inseridos a competitividade tornou-se companheira diária em nossa vida. Vivemos hoje como se o mundo fosse acabar amanhã, tudo muda muito rápido e nós “pobres seres humanos” somos obrigados a acompanhar toda e qualquer modernidade imposta. Um indivíduo para ser aceito em um grupo deve estar alinhado com tudo o que condiz com este ou aquele perfil determinado pela sociedade capitalista que impõe a lei do consumo.

Toda esta futilidade que nos rodeia e faz parte diária de nossa existência nos afasta cada vez mais de nossas essências, somos fantoches de manipulação de uma mídia social, econômica, política, enfim, sabemos um pouco de tudo superficialmente, mas na essência não conhecemos nada, perdemos nossa identidade e dentro das empresas vamos seguindo o mesmo caminho.

Diante desta realidade onde tudo é permitido, muitos autores se perguntam e a Ética e a Moral, onde ficaram?

Será que podemos continuar vivendo a vida desta forma? Até quando a humanidade pretende desconsiderar os princípios básicos das boas relações, os valores que alicerçaram as gerações anteriores e que hoje foram esquecidos pelos nossos jovens em algum canto escuro da promiscuidade ou da libertinagem que aflora dos poros da nova geração.

Mas já existe uma grande manifestação de algumas classes sociais que podem e devem ser tomadas como exemplos para uma mudança de paradigmas e reversão destes valores.

De onde vem à madeira utilizada na fabricação deste armário? De que tipo de agricultura veio este alimento na mesa? É ecológico? É Sustentável, contribui para o trabalho escravo? Para a poluição da camada de ozônio? Enfim, se alguma vez nos fizemos algumas destas perguntas é porque estamos neste meio isto nos torna segundo a visão de Aristóteles “justos praticando atos justos”, (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, II, 1103b).

Desde o início da humanidade o homem convive com outros homens e para que esta relação se desenvolva de maneira harmoniosa e pacífica cada sociedade foi desenvolvendo padrões de conduta, ou seja, formas de comportamento que sejam adequadas para o convívio dentro do grupo. Padrões de comportamento como justiça, honestidade, lealdade, responsabilidade e mais uma porção de outros valores que andam esquecidos nos tempos atuais.

Se dentro da sociedade encontramos os mais diversos desvios de comportamento ético, não adianta pensar que dentro das organizações seria diferente, como já dissemos, não existe ser humano meio ético, então se a pessoa não pratica a convivência ética na sociedade, facilmente se vê tentada a não conviver com ela dentro de seu local de trabalho.

A modernidade e as crescentes mudanças organizacionais, tais como a incorporação expansiva das empresas multinacionais em território brasileiro trouxe o choque entre as diversas culturas e reabriu o debate sobre os valores éticos nas empresas brasileiras como um todo.

O desafio de muitos gestores é resgatar atitudes éticas de seus liderados e ainda assim promover a sobrevivência de seus produtos e serviços no mercado mundial.

A ética nas relações empresariais vem sendo discutida amplamente, uma vez que o mercado esta cada vez mais exigente e de olhos abertos, preparados para dizimar as empresas que operam seduzidas pela ganância e enriquecimento em curto prazo.

Para assegurar que o Código de ética que foi criado pelas empresas, seja efetivamente cumprido, muitas empresas implantam os Comitês de ética, que tem a função de divulgar e disseminar as condutas esperadas de seus liderados e incorporadas no Código de ética e também de fiscalizar se estas condutas esperadas estão sendo rigorosamente seguidas e por fim competem também aos comitês de éticas a imposição das penalidades previstas e o acompanhamento do cumprimento destas penalidades.

No âmbito da saúde, os comitês de éticas, são fundamentais para evitar os abusos históricos cometidos anteriormente no mundo, tais como, as experiências realizadas por médicos nazistas e japoneses com prisioneiros durante a IIª guerra mundial ou ainda o caso gravíssimo de Tuskegee (Alabama, EUA) onde 431 negros pobres foram privados de tratamento contra a sífilis, entre 1932 e 1972, para permitir o estudo da história natural da doença (Reich, 1982, Filme: Miss Evers boys).

Para regulamentar as pesquisas médicas e de grandes laboratórios farmacêuticos a legislação brasileira, seguindo a mesma linha de outros países adotaram várias diretrizes e tratados, que orientam, acompanham e fiscalizam este procedimentos conhecidos como estudos clínicos. O órgão brasileiro responsável por esta atividade é a CONEP Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, um órgão vinculado ao Ministério da Saúde do Governo Federal e em menor instância as instituições prestam contas aos Comitês de Ética em Pesquisa em Seres Humanos, que são chamados de CEPs, que podem locais ou regionais e que atuam na fiscalização e no controle dos projetos desenvolvidos na área da saúde.

O Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) é um colegiado interdisciplinar e independente, com “munus público”, que deve existir nas instituições que realizam pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil, criado para defender os interes­ses dos sujeitos da pesquisa em sua integridade e dignidade e para contribuir no desenvolvimento da pesquisa dentro de padrões éticos (Normas e Diretrizes Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos).

O CEP é responsável pela avaliação e acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas envolvendo seres humanos. Este papel está bem estabelecido nas diversas diretrizes éticas internacionais (Declaração de Helsin­que, Diretrizes Internacionais para as Pesquisas Biomédicas envolvendo Seres Humanos – CIOMS) e Brasileiras (Res. CNS 466/12 e complementares), diretrizes estas que ressaltam a necessidade de revisão ética e científica das pesquisas envolvendo seres humanos, visando a salvaguardar a dignidade, os direitos, a segurança e o bem-estar do sujeito da pesquisa.

Entre outras funções do CEP, cabe ressaltar a não menos importante, que á função educativa, o CEP exerce papel consultivo e, em especial, papel educativo para assegurar a formação continuada dos pesquisadores da instituição e promo­ver a discussão dos aspectos éticos das pesquisas em seres humanos na comu­nidade. Dessa forma, deve promover atividades, tais como seminários, palestras, jornadas, cursos e estudo de protocolos de pesquisa.

O comportamento ético é fundamental e deve ser constante entre todos os indivíduos da sociedade dentro e fora das organizações, já que a ética deve ser parte do indivíduo e não pode ser desassociada.

Nesta perspectiva concluímos que o comportamento ético é responsabilidade de todos, desde a infância as crianças devem ser educadas para a vida ética em todos os setores, na escola, no trabalho, na sociedade em geral, enfim, cada um de nós somos responsáveis por influenciar positivamente através de nossos exemplos desde as coisas mais simples, como permanecer na fila, mesmo que seu colega esteja a sua frente, ou devolver um troco que o farmacêutico deu por engano.

O tal “jeitinho brasileiro” famoso em todo o mundo deve representar a capacidade dos brasileiros em lidar com as mais diferentes situações sem perder o bom humor, a fé, a esperança e a humildade e não na capacidade de levar vantagens em tudo, em sempre sair ganhando ou chegar à frente. Pois a sociedade é feita de pessoas e estas precisam respeitar e serem respeitadas para que haja verdadeiramente crescimento em todas as áreas, seja ela econômica, política, social e todas as outras já citadas anteriormente.

* Elisângela de Oliveira Cardozo - Coordenadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa do Hospital IPO

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