Guilherme Bezerra en Empreendedores e Empresários, Diretores e Executivos, Gerentes Consultor em Gestão 6/6/2016 · 2 min de lectura · 2,7K

Vocês Têm Que Ser Objetivos

“Vocês têm que ser objetivos” disse o diretor no começo da conversa. “Eu resolvi em uma ligação”, completou.

A afirmação “Vocês têm que ser objetivos” parece muito óbvia. Mas em uma organização, quem define os objetivos, de forma que os demais níveis possam ser objetivos?

A estrutura básica de uma organização segue em três níveis: Estratégico, Tático e Operacional, as

estratégias se tratam de objetivos finais e devem normalmente ser definidas pela direção ou por parte

delegada por esta para tomada de decisões deste porte (como por exemplo uma gerência). Objetivos

são itens mais abstratos, sem muitas definições, como por exemplo: “Quero que me compre uma

garrafa de água”.

O próximo nível é o tático, que deve ser o responsável pelas metas. As metas são o desenvolvimento

dos objetivos para um nível mais palpável para outras pessoas de nível tático mais baixo ou nível

operacional. No nível tático, normalmente contamos com gerentes, supervisores, analistas e

encarregados. Dentro do mesmo exemplo, um gerente pega o requisito objetivo “quero que me

compre uma garrafa de água” e transforma em metas para atingir este objetivo, como por exemplo:

“Compre uma garrafa de água, sem gás e gelada, cotando em três fornecedores e selecionando o

menor preço, sem gás, traga a mesma até a sala da direção em uma bandeja com dois copos até as

12:00”.

O papel do operacional é literalmente operacionalizar. Vai agir dentro da tática que foi definida dentro

da estratégia de forma a alcançar exatamente o que precisa ser alcançado dentro de suas

delimitações, que também é chamado de seu escopo de trabalho. É o nível mais frágil e mais sensível

em qualquer operação, principalmente pelo fato de não definir nada, apenas agir conforme

determinado por partes superiores.

A parte estratégica e deve estar clara para que o nível tático possa manobrar por dentro deste escopo

e definir a melhor tática para atingir, bem como o nível operacional precisa do nível tático muito bem

definido ou não saberá como prosseguir. Por este motivo empresas de grande porte muitas vezes

limitam o acesso, ou pelo menos desencorajam, entre diretores e operacionais, pelo nível de poder

que estes detêm, muitas vezes acabam por intimidar os níveis operacionais quando da execução de

suas atividades.

Para os níveis estratégicos é importante saber que um objetivo dado é como uma cláusula pétrea, a

menos que definido de forma contrária. No exemplo, comprar uma garrafa de água não é

questionável, ninguém vai se atrever a trazer uma garrafa de guaraná, porque a água foi parte

essencial do objetivo. Parte do nível estratégico também, definir quais de suas decisões serão

delegadas ao nível tático, para que isto fique totalmente nítido.

Dentro deste exemplo:

Às 12 horas o nível operacional leva a garrafa de água Lindoya, sem gás, gelada, com dois copos em

uma bandeja, depois de fazer três cotações e optar pelo menor preço para o nível estratégico:

“O que é isso? ” Pergunta o estratégico.

“Sua água, como solicitado pelo nível tático” responde o nível operacional.

“É claro que não, é óbvio que não deveria ser comprada água desta marca” responde o estratégico.

“Qual marca devo comprar?” pergunta o operacional.

“Qualquer marca, menos esta” responde o estratégico.

O operacional, que, como já citado, toma poucas decisões, se recolhe, bota o rabo entre as pernas e

afirma que vai trocar, tendo um aceite do estratégico.

Após uma nova cotação, com outra marca, desta vez uma Bonafont, e às 14 horas, a água é trazida até

o estratégico novamente.

“Você queria com gás? Não foi definido e eu pedi sem” afirma o operacional.

“Pode ser sem mesmo” afirma o estratégico. “Mas você trouxe Bonafont? Eu não gosto de Bonafont.”

Afirma como se ninguém mais estivesse usando a cabeça além dele. “Faz o seguinte, me passa o

telefone”

O operacional já tenso, e com medo da reação do estratégico começa a suar frio.

“Sim, separa pra mim uma garrafa de água Minalba” diz ao telefone o estratégico, claramente falando

com o fornecedor. “O que? Sim, com gás é melhor”. Virando-se para o operacional afirma “Pronto,

resolvi com uma ligação”. “Vocês têm que ser mais objetivos”. “Agora vai lá e busca minha água”.

O operacional após toda esta situação sente seu emprego em risco e se sente um desnecessário, pois o

estratégico conseguiu resolver e ele não conseguiu. E o estratégico pensa que ninguém consegue

trabalhar se ele não está na empresa e a prova é esta situação. Se não conseguem comprar uma água

direito, como vão gerir sua empresa?



Henrí Galvão 6/6/2016 · #2

ótimo texto! realmente a clareza é parte fundamental do processo

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Paula Braga 6/6/2016 · #1

Muito bom Guilherme!

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