A música na hierarquia de necessidades

No texto anterior comentei sobre como pode ser útil pra um músico saber apresentar o que faz numa ideia que seja simples, mesmo que abstrata. Sugeri também que, nesse processo, se faz necessário levar em conta outras dimensões na vida das pessoas, dimensões essas que são muitas vezes mais importantes (e também mais urgentes) do que a música.

Assim, de certa forma toda essa discussão acaba entrando nos termos da famosa pirâmide de hierarquia de necessidades, como proposta pelo psicólogo norte-americano Abraham Maslow ainda nos anos 40 do século passado:

A música na hierarquia de necessidades

Deixando um pouco de lado algumas possíveis críticas a esse modelo (como, por exemplo, a de que estas necessidades nem sempre precisariam seguir a ordem apresentada), é perfeitamente possível tomar a pirâmide acima como uma ferramenta pra quem queira comunicar o valor do que faz.

Mas, antes de chegarmos lá, gostaria de propor a seguinte pergunta: onde você acha que a música se encaixa aí?

Meu palpite é que você vai dizer que ela se encontra em algum ponto entre as necessidades psicológicas e as de autorrealização.

Embora eu realmente acredite que não exista uma resposta certa pra essa pergunta, o que quer que se escolha vai geralmente depender do quanto se enxerga a música como arte ou como entretenimento.

Isso porque a ideia da música enquanto arte geralmente pressupõe a abordagem de valores mais elevados (o que muitas vezes a aproxima inclusive de práticas espirituais). Logo, neste caso estaríamos falando de uma necessidade de autorrealizaçã