Henrique Pedro Etges en Educação e Formação English Instructor • Wizard English School 18/5/2016 · 2 min de lectura · 1,0K

Graduação no exterior: Dificuldades e possibilidades de um graduado.

Graduação no exterior: Dificuldades e possibilidades de um graduado.


Quero primeiro especificar que os pontos de vista aqui contidos são na forma de um estudante que se formou no exterior. Analisa os pontos positivos e negativos da experiência, cita barreiras burocráticas brasileiras que dificultam a modalidade e a vida desses graduados; e que podem servir como base de informação para futuros jovens que pensam passar por essa experiência.



Começarei contando um pouco sobre a minha história e como isso se aplica ao assunto abordado. Sou formado em Administração de Empresas com concentrações em Finanças e Comércio Exterior pela Girard Business School, parte integrante do Merrimack College. Tive a oportunidade de ingressar nessa universidade a partir de um programa de bolsa de estudos, que ajudou com os custos de ensino e algumas despesas nesse período. Me formei e decidi voltar ao Brasil para continuar a minha educação mais perto de minha família, e procurar por oportunidades em empresas exportadoras brasileiras.

Logo de chegada na sua primeira cadeira na universidade você a nota a diferença gritante entre métodos de ensino. Primeiro dia e o calendário com datas de conteúdos e avaliações é apresentado. O cronograma segue como combinado até o final do semestre e alterações são mínimas, sempre baseados em eventos externos e de difícil previsão. É de responsabilidade do estudante a leitura e execução dos conteúdos para a aula e atividades propostas para cada aula antecipadamente. Discussões em sala servem somente para a retirada de dúvidas e apresentação de material auxiliar pelo professor. A extrema organização do sistema e a necessidade de "time management" propostas por esse método, a eficiência no ensino e aproveitamento do tempo em classe se provam mais eficientes que grande parte das universidades brasileiras.

Experiências internacionais são em princípio já muito libertadores e ensinam o indivíduo a ter de se abrir a uma nova cultura, novos tipos de pessoas e novas mentalidades. Em um ambiente de sala de aula esse fator se multiplica, nas atividades em classe que estimulam o diálogo e exposição de pensamentos de cada participante. Há um estímulo para a nossa "inteligência global", que seria a capacidade individual de cada um entender propostas, analisando o contexto cultural em que elas se encontram. Isso se torna importante para analisar idéias de pessoas que se encontrem em situações tanto sociais como culturais diferentes.

São oportunidades únicas para desenvolvimento de caráter e pessoal, além de uma grande oportunidade para se livrar daquele "medo de errar" que muitos alunos de língua estrangeira apresentam. Como você é jogado em um ambiente e não tem muitos meios a quem recorrer para a resolução de problemas, há um aprendizado e um desenvolvimento pessoal enorme durante esse processo. 

Por outro lado, a burocracia brasileira mais uma vez tende a dificultar. Um graduado no exterior precisa fazer uma revalidação de diploma em universidades federais, para assim poder concorrer a concursos de nível superior e também para poder continuar sua educação ( mestrado, MBA, doutorado). O processo é extremamente penoso e demorado, e o acompanhamento do status é muito difícil. O Brasil infelizmente ainda não adotou  testes de proficiência acadêmica como o sistema GMAT (Graduate Management Assessment Test) , o que torna o processo muto subjetivo e de interpretação individual das universidades federais na revalidação de currículos.

É necessário um planejamento financeiro abrangente. Custos de ensino e de vida são muito mais caros ,e se não bastasse isso, temos que sempre considerar as flutuações de câmbio que podem ocorrer no período. Um esforço maior do aluno no âmbito acadêmico ou habilidades que possibilitem ofertas de bolsas de estudos são de extrema importância para reduzir custos.

Com certeza estudar fora é uma grande oportunidade e um grande passo profissional e pessoal. Porém providências e precauções devem ser tomadas pelo estudante para poder cobrir possíveis imprevistos financeiros e acadêmicos que possam vir a incorrer no futuro.


Henrique Pedro Etges 18/5/2016 · #4

#1 Fico muito feliz que tenha gostado. Fiz esse artigo pois quando tive a oportunidade de ir não encontrei informações suficientes. Espero poder ajudar todos que têm esse interesse e responder a qualquer dúvida, até onde meu conhecimento me permite.

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Henrique Pedro Etges 18/5/2016 · #3

#2 Muito obrigado pelo apoio!

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Breno Barreto 18/5/2016 · #2

Muito bom, @Henrique Pedro etges! Compartilhei.

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Maria Luiza Freitas 18/5/2016 · #1

Adorei o artigo Henrique. É bom saber como é a realidade contada por alguém que passou por isso. Na época da Universidade sempre quis fazer intercâmbio, mas acabei não aproveitando os convênios porque precisava estagiar. Mas, agora, estou me planejando para fazer uma pós fora, mas já vou ciente das dificuldades e dos futuros entraves que possam surgir com o sistema educacional do Brasil.

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