Henrique Arake in Advocacia e Jurídico, Advogados, Economistas e Financeiros Partner • Gico, Hadmann & Dutra Advogados Jun 17, 2016 · 2 min read · +500

Por que deveria me importar com fraudes na minha (pequena) empresa?

Por que deveria me importar com fraudes na minha (pequena) empresa?

Prezados leitores,

Como vão?

Hoje, conversaremos um pouco sobre fraude, tudo bem? E, também, por que você deveria se preocupar. De verdade. Você mesmo, pequenino...

Organizações de diferentes tamanhos tendem a ter diferentes riscos de fraude. Corrupção é mais prevalecente em grandes organizações, enquanto falsificação de cheques, superfaturamento e apropriação indébita são duas vezes mais comuns em pequenas empresas do que em companhias maiores.

Em primeiro lugar, se você não conhece o relatório de 2016 da ACFE sobre fraudes globais, por favor, leia-o! Eu espero...

Ok, agora estamos todos no mesmo passo. O relatório mostra uma perda de receita estimada em mais de U$ 6,3 bilhões decorrente de fraudes. Isso representa uma perda média de cerca de U$ 2,7 milhões por fraude, com mediana em U$ 150.000,00 , sendo que em quase um quarto dos casos, a fraude importou em prejuízo que ultrapassou U$ 1 milhão.

De um modo geral, o principal "item do cardápio" de fraudes escolhido foi a apropriação indevida de ativos (mais de 83% dos casos), mas a mediana do prejuízo não foi tão representativa (U$ 125.000,00). Por outro lado, fraudes contáveis representaram apenas 10% dos casos, mas a perda mediana foi de U$ 975.000,00! Corrupção, a " commodity " brasileira mais famosa atualmente, representou 35,4% dos casos e perda mediana de U$ 200.000,00.

- Ok, mas o que esses números têm a ver comigo?

Bom, o relatório mostrou que a perda mediana sofrida por pequenas empresas (aquelas com menos de 100 empregados) foi a mesma sofrida pelos grandes (empresas com mais de 10.000 empregados). Assim, no frigir dos ovos, no que diz respeito à fraude, tamanho não importa (se você entende o que quero dizer...), mas sim a forma.

Ademais, o relatório aponta que " Organizações de diferentes tamanhos tendem a ter diferentes riscos de fraude. Corrupção é mais prevalecente em grandes organizações, enquanto falsificação de cheques, superfaturamento e apropriação indébita são duas vezes mais comuns em pequenas empresas do que em companhias maiores. " (tradução livre)

Isso porque os donos de pequenos negócios não dão tanta importância para implementação de controles anti-fraude em suas organizações. Nem mesmo as mais básicas (e baratas), tais como implementar (e respeitar) políticas internas e controles internos ou manter um "disque-denúncia" ativo.

Segundo o relatório, quando implementadas corretamente, essas simples técnicas reduzem as perdas decorrentes de fraude em 14,3% até 54% e que essas mesmas fraudes são detectadas 33,3% a 50% mais rapidamente. "Disque-denúncias" foram consideradas, inclusive, a forma mais efetiva de detecção de fraude. Empresas que mantiveram uma linha ativa para receber denúncias têm 47,3% de chance de detectar uma fraude por meio de uma delação do que aquelas que não possuem o instrumento (28,2%). O relatório de fraude global da Kroll afirma que delatores foram responsáveis por 41% das fraudes descobertas durante 2015.

Checagem de antecedentes, por seu turno, não se mostrou uma técnica interessante, pois apenas 5,2% dos defraudadores estudados haviam sido condenados previamente em crimes relacionados com fraude e apenas 8,3% deles haviam sido demitidos por conduta fraudulenta. Por outro lado, o relatório da Kroll reporta que uma das principais fontes de risco para uma empresa é a sua alta-rotatividade, ou seja, empregados que foram entrevistados, investigados e contratados, mas que, posteriormente, foram demitidos.

Em conclusão, infelizmente, os números nos mostram que a fraude e o prejuízo causado são problemas bem democráticos: não têm preconceito com o tamanho da empresa vítima. Portanto, contrate um advogado e um contador de sua confiança para lhe ajudar a proteger sua empresa. Quanto mais cedo, melhor para sua segurança.

Quem disse que o Direito não pode ser Legal?