Heraldo Tovani en Antropologia, Professores e Educadores, Historia Professor 11/11/2017 · 5 min de lectura · +200

Escola sem Partido, sem partido.

1- Muito antes de vocês...

Os senhores querem uma escola sem partido? Nós, também.

Queríamos já há muito tempo.

Desde que o Brasil assinou o acordo MEC-USAID, logo após o Golpe Militar de 1964, estamos lutando por uma escola sem partido. Para quem não o conheceu, MEC-USAID foi um acordo secreto entre o Ministério da Educação do Brasil e a United States Agency for International Development, destinado a implantar no Brasil um sistema educacional privatizado, servil e afinado com o American Way of Life (O modo de vida americano), com todos os seus valores e desprezando absolutamente os nossos.

Uma luta obstinada daqueles que hoje os senhores chamam de esquerdistas, fez com que os militares tivessem que reconhecer e tornar público em 1966 a existência desse acordo, que até então negavam. A pressão fez com que o acordo fosse desfeito.

Foi por uma escola sem partido que lutamos pela volta do ensino de filosofia no ensino médio, pela introdução dos estudos de sociologia e pelo fim das matérias (muito partidárias) de OSPB e Educação Moral e Cívica, impostas pelos militares.

Por uma escola sem partido, fizemos um amplo movimento no final dos anos de 1980 e formulamos os princípios para uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incorporando valores democráticos ao ensino e práticas pedagógicas de valorização do aluno.

Quando lutamos contra a censura, contra o moralismo estreito que proibia até que se namorasse nas ruas; que proibia beijos em novelas e, acreditem, até a moda do biquíni e da minissaia; quando lutávamos contra a proibição de filmes e peças teatrais estávamos lutando por uma Cultura sem partido.

Quando finalmente fez-se possível ares renovadores nesse país, naturalmente os debates, por tanto tempo reprimidos, fizeram-se presentes em escolas. Até então, agentes da polícia secreta infiltravam-se entre os alunos nas universidades e faziam desaparecer aqueles que ousassem destoar minimamente dos preceitos impostos.

A simples menção aos números de casos de meningite, nos anos de 1970, por exemplo, já era suficiente para colocar sob suspeita o cidadão questionador. Os jornais traziam trechos em branco ou com receitas de bolo nos espaços que trariam as notícias que foram censuradas. TVs eram tiradas do ar