O Brasil, a VALE e o Japão - O desenvolvimento do mercado de minério de ferro, o crescimento da Docenave e o avanço nas relações entre o Brasil e o Japão, país exemplo de desenvolvimento humano e sócio econômico, através da determinação, disciplina e educação do seu povo


O Brasil, a VALE e o Japão - O desenvolvimento do mercado de minério de ferro, o crescimento da Docenave e o avanço nas relações entre o Brasil e o Japão, país exemplo  de desenvolvimento humano e sócio econômico, através da determinação, disciplina e educação do seu povo

POR QUE VIAJEI 178 VEZES AO JAPÃO? 

Era uma missão de prioridade absoluta  da VALE e do Brasil para crescermos e passarmos de uma mineradora pequena para gigante de minério de ferro. Era a oportunidade  única que tínhamos para criarmos uma situação que pudéssemos competir com os australianos que têm muito minério de ferro e tecnologia praticamente ao lado do Japão. Se a gente ganhasse a confiança do Japão; a gente ganhava o mundo. Isto deu certo, porque o Brasil cresceu, a VALE, a Docenave e o Japão também, que avançou na economia do aço e no seu sistema logístico. Todos cresceram, além de consolidarmos uma das parcerias  mais fortes e invejáveis do mundo dos negócios diversificados e que posso citar orgulhosamente: minério de ferro, aço, navegação, alumínio e celulose." (Eliezer Batista)  

"Estas viagens me trouxeram problemas sérios de saúde como dificuldade da circulação sanguínea, uma trombose somadas ao diabete que me levaram a perda de parte da visão de um dos olhos e uma flebite com várias complicações e dores terríveis em minhas pernas que me incomodaram por um  bom tempo. Tomei remédios anticoagulantes por décadas e passei a ter  restrições das viagens longas por recomendações médicas. No início andei teimando com os médicos, mas logo vi que estava completamente errado, porque a saúde é um bem precioso. Mas disso eu jamais me arrependo e faria tudo novamente, indiferente de idade para ajudar o meu país, a VALE, a Docenave  e o Japão que tem um povo de extraordinária grandeza ética, dedicação, lealdade e trabalho. São professores e exemplos para humanidade. Um povo sofrido pela guerra, mas que se reconstruiu, reergueu voltando mais forte e educando com afinco as suas crianças. A  educação do Japão em todos níveis é uma referência humana, científica, patriótica, ética e modelo. Forma pessoas de valores e cidadãs  ".(Eliezer Batista) 


Quando assumiu a Vale, no início dos anos 60, o Brasil exportava nada mais do que US$ 1 bilhão por ano - e a lista de produtos se limitava basicamente à café, açúcar e cacau. O grande desafio da Vale, conta ele não era a mineração ou uma ferrovia que levasse seus produtos aos portos - e sim uma questão de logística: como fazer o minério de ferro chegar ao Japão, seu ávido consumidor, de uma forma economicamente viável, considerando que a Austrália, o seu grande competidor, estava na metade do caminho para o Oriente. Aos 36 anos chegou a presidência da empresa por meritocracia e talento diferenciado e foi o primeiro presidente de carreira na empresa. 

Percebendo a necessidade dos japoneses de expandir seu parque siderúrgico, grandemente danificado pela segunda guerra, criou o conceito, então inédito, de "distância econômica", o que permitiu à Vale entregar minério de ferro, através do Porto de Tubarão, ao Japão - antípoda do Brasil - a preços competitivos com o das minas da Austrália, sua vizinha. Isso lhe valeu a fama de "engenheiro ferroviário que ligou a Vale ao resto do mundo", e lhe rendeu a mais alta condecoração do Japão, a Condecoração da Ordem do Sol Nascente,  por ter causado uma verdadeira 'revolução' no sistema de transporte marítimo-ferroviário de granéis sólidos e líquidos mundial, entregue pessoalmente pelo imperador Hirohito

Em 1962, graças ao conceito de "distância econômica", foram assinados contratos de exportação, válidos por 15 anos, com 11 siderúrgicas japonesas, num total de cinco milhões de toneladas/ano - o que representava mais do dobro da até então produção da Vale, que era de 2 milhões de toneladas/ano

"Hoje vejo que ousadia, muita coragem, equipe excelente e um raciocínio e ação toda sistêmica é que alavancaram a VALE, que é uma empresa-sistema, composta de mina-ferrovia e porto. Se a mina não produz a ferrovia não transporta, o porto não exporta e os navios ficam ociosos. Se a mina produz sem o perfeito sincronismo ou a sintonia de recursos,  produzindo acima do que é esperado um grande gargalo se forma neste sistema complexo e inviabiliza o negócio. Tudo é grande e funciona 24 horas. Sem gente competente o negócio quebra. Pensamento sistêmico, engenharia logística e entendimento das pessoas com vontade de crescer foi uma matéria prima para transformar a  VALE. O nosso ponto forte foi a logística competitiva. Uma mina sem transporte e logística é cascalho, uma ferrovia sem carga é ferro velho" (Eliezer Batista) 

"Um levantamento de 2013 aponta 20 milhões de empregos que dizem ter sido gerados em  todos os projetos que estive à frente, suas fases iniciais de implantação  e operações continuadas por décadas. Isto é o meu maior orgulho por ter feito algo para o meu país. Mas nunca estive sozinho, porque grandes equipes me acompanharam do simples mantenedor de linha férrea da "turma da soca" como dizem, o armador de ferragem e o mais graduado engenheiro, economista, administrador ou diretor. O que conseguimos de positivo na vida só é possível com a ajuda de outras pessoas" (Eliezer Batista) 

Eu só me arrependo de não ter ajudado o Brasil a estreitar também os laços científicos e culturais com o Japão, a exemplo do que fez a Coreia do Sul. Nenhum país fica rico exportando apenas matéria-prima. Hoje, quem não apostar no quadrinômio pesquisa, ciência, tecnologia e inovação está fora da civilização moderna, e tem ainda a sustentabilidade para aportar tudo isto.

"Na década de 1960, o Brasil tinha minério em abundância, mas ninguém queria comprá-lo. O Japão precisava do minério para reerguer sua indústria siderúrgica, que tinha sido destruída na Segunda Guerra. Como presidente da Vale vi ali uma oportunidade de negócio para o Brasil. Na época, Estados Unidos e Europa não queriam vender minério para os japoneses. Foi por isso que viajei  179 vezes para o Japão entre os anos 1960 e 1980, para abrir  e expandir os negócios da VALE, Brasil e Japão (Eliezer Batista)  

 Eliezer Batista  esteve à frente da liderança direta da construção do Porto de Tubarão que saiu de sua cabeça e a implantação Projeto Carajás, também como presidente da empresa. Ele  idealizou a base filosófica logística ou o conceito maior da VALE que fez da mineradora uma potência das mais competitivas do mundo e a maior produtora de minério de ferro  do planeta em seus dois sistemas no Brasil envolvendo quatro estados ligados por ferrovias para escoar o minério de ferro combinado pelo macro sistema de mina-ferrovia-porto. O sistema sul liga as minas de Itabira em MG ao Porto de Tubarão em Vitória ES e o norte que liga as minas de Carajás no PA ao Porto de Ponta da Madeira no MA, o que garantiu a sustentabilidade da VALE.

COMO O CCQ VEIO PARAR NA VALE:

Eliezer Batista visitava a Sony de seu amigo particular Akio Morita e em dado momento ele convidou Eliezer Batista para assistir uma apresentação de CCQ - Circulo de Controle  da Qualidade que mostrava um trabalho com economia de 100 mil US$. Esta apresentação,  entusiasmou Eliezer Batista como presidente da VALE. Chegando ao Brasil determinou que o seu staff, presidentes e diretores do Grupo VALE DO RIO DOCE, controladas, associadas, coligadas e subsidiárias implantassem urgente o CCQ na empresa, alegando: "precisamos trazer esta cultura de trabalho em grupo que é esforço coletivo das pessoas que tanto precisamos. Este programa pelo que vi na Sony, busca a criatividade das pessoas e lucro para empresa. Vamos ter como ouvir as opiniões e sugestões dos empregados mais simples. Isso vai gerar economia, melhor clima de trabalho, conforto e haverá muito crescimento técnico. Vamos registrar patentes, tenho certeza, porque o empregado da VALE é simples, criativo e comprometido. Vejo uma indústria de conhecimento e aplicação à todo vapor. Nós estamos trazendo um treinamento de empatia para dentro do nosso quotidiano que vai dar  certo. Conto com apoio maciço de todos empregados da CVRD" (Eliezer Batista) 

Mas muitos consultores externos de RH e pessoas de fora que acompanhavam a VALE,  abriram fogo do outro lado e fabricaram as resistências comuns e pesadas críticas. Era a turma do quanto pior melhor, que  disparava contra a determinação de Eliezer Batista sobre colocar o CCQ na VALE, após ser o sucesso na Sony de Morita e visto lá por Eliezer pessoalmente. Os críticos de maus agouros,  os resistentes diziam: "isto é coisa de japonês e não vai dar certo na VALE". Mas todos quebraram a cara. Hoje os que estão vivos estão engasgados, porque o CCQ veio para ficar, assim como o 5s e outras ferramentas de gestão dos japoneses em empresas do mundo inteiro. A VALE teve milhares de patentes analisadas e muitas implementadas e registradas.

O CCQ na VALE trouxe milhões de economia, melhorou os postos de trabalho e promoveu o crescimento humano, social e profissional. Produziu patentes, know how, conhecimento consolidado e o uso continuado de um recurso de treinamento quotidiano e coletivo na VALE, conforme profetizou Eliezer Batista. 

Depois de quase 40 anos o CCQ  é ainda sucesso e cada vez mais valorizado, ampliado e aprimorado na VALE e  empresas do mundo inteiro. Eliezer estava certíssimo o CCQ teve ótimo aceite, utilidade e base produtiva em  

todos os sentidos na VALE e no mundo.

Todos os executivos que conheceram Eliezer, são unânimes em dizer que ele sempre esteve a  frente de seu tempo, a exemplo de Wilson Brumer também ex-presidente da VALE e outras grandes empresas globais. 

Durante a implantação do Projeto Carajás dentro da floresta Amazônica, Eliezer idealizou um parque zoobotânico com a mostra da fauna e da flora dentro dos padrões mais  modernos do mundo relativo à proteção,conservação e preservação da tipologia natural desta  fauna e flora anexando uma área  reservada para que os visitantes ilustres convidados da VALE pudessem plantar uma árvore nativa da  Amazônia, trazendo o nome da personalidade que a plantou identificada com uma  placa para posteridade.

 Foi também criticado pelos pessimistas de mau agouro  por ter construído um parque botânico dentro da Amazônia. Sempre enfrentou estes resistentes e venceu pela visão de futuro e competência. Pouco tempo depois já era elogiado mundialmente pela sua ideia. Os compradores de minério de ferro,  chefes de estado de outros países visitantes de Carajás plantavam as suas árvores dentro da Amazônia e divulgavam isto orgulhosamente para o mundo todo em jornais e revistas. elevando a boa reputação ambiental  e a "cultura verde" fortalecida da VALE como exemplo de preocupação ecológica, na época não se falava ainda no termo meio ambiente e sustentabilidade, eram palavras ainda embrionárias, predominava era o termo ecologia. 

Príncipe Charles disse: "estou orgulhoso e realizado pelo privilégio de plantar uma árvore em um mundo verde". Esta iniciativa da VALE com Eliezer até hoje brilha nos quatro cantos do planeta é um marketing verde sustentável do Projeto Carajás que reflete a preocupação ambiental. Eliezer ainda dizia: "o desenvolvimento de um povo se mede pela sua preocupação ecológica ", frase que Jacques Cousteau documentarista, cineasta, oceanógrafo que visitou Carajás com a sua comitiva de pesquisa científica da Amazônica ficou fã do Projeto Carajás e as obras de Eliezer sobre o projeto do parque zoobotânico. Na foto Cousteau e o filho Jean Michel brincam com uma ariranha em um rio da Amazônia.

Os críticos mais uma vez perderam para sua visão de vanguarda que  exponenciava os cuidados ambientais de operações sustentáveis da mineração dentro da Amazônia, seria o know how verde da mineração que elevava a reputação de vanguarda sustentável  da VALE como modelo e admiração da comunidade científica, biólogos, ambientalistas, etc. 

O Projeto Carajás, é  praticamente o pai da palavra Desenvolvimento Sustentável: o conceito de desenvolvimento sustentável só começou a ganhar corpo, quando o empresário suíço Stephan Schmidheiny veio ao Brasil para coordenar a ECO 92 no Rio de Janeiro, e na ocasião visitou o Projeto Carajás (PA) e deparou com os aspectos econômicos, ambientais e sociais aplicados em simultaneidade. Da prática observada, Schmidheiny, partiu para a teoria e organizou o conceito de desenvolvimento sustentável, ampliando o postulado de ênfase ambiental cunhado em 1987 no Relatório Brundtland. .

Pouco antes de falecer aos 94 anos, o Dr.Eliezer estudava a nanotecnologia e era um entusiasta deste tema que tende a provocar cientificante uma revolução no nosso mundo industrial e hábitos da população. Mas o interessante é que Eliezer Batista  falava de nanotecnologia ainda nos anos 80 (a palavra nanotecnologia nasceu em 74)  e agora delineia  o futuro que estamos vendo hoje. Ele era mesmo um visionário desenvolvimentista.

A nanotecnologia é uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atômica e molecular lidando com estruturas entre 1 e 100 nanômetros. Pode ser utilizada em diferentes áreas como, a medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia, alimentos, mineração e engenharia dos materiais. 

   

No início dos anos 90, outro presidente da VALE e dos poucos que saíram do quadro de empregados como Eliezer, o administrador Wilson Brumer,  que começou como frentista de posto de gasolina comercial e dono de uma  humildade incomum tomava uma iniciativa  parecida com a do Dr.Eliezer em relação ao CCQ. 

Brumer determinou a implantação do GQT-TQC, o Gerenciamento da Qualidade Total em toda empresa. Um projeto ousado de mudança de cultura,  que convergia com o CCQ de Eliezer e Morita, o 5s e outras ferramentas japonesas da qualidade total, conforme mencionamos. Havia seminários com premiações e mostra de tudo aquilo que as áreas desenvolvia em termos de otimização de processos e intercâmbio de melhoria. Um aprendizado permanente.   

O projeto e as orientações vinham do professor e consultor Vicente Falconi da FCO - Fundação Christiano Ottoni e foi a época em que os empregados da VALE de todos os cargos sem exceção,  foram treinados, motivados  com moral alto em clima de harmonia, empatia, integração, inovação e criatividade. A empresa cresceu muito pelo lado comportamental na gestão  Brumer e   mais ainda,  com a sua iniciativa de instituir as crenças das empresa. Formando um alto grau de comprometimento das pessoas e  levando a VALE à um grande progresso de dimensão empresarial-industrial, humana, social e profissional. Alavancando outros grandes projetos de crescimento e mudança da empresa como um todo.   https://www.youtube.com/watch?v=PPME5IadX6o (nossas crenças VIDEO - WILSON BRUMER)

"Akio Morita é um dos homens, mais extraordinários que nasceu neste planeta. Sua humildade foi incomum. Ele contribuiu para recuperação de seu país. " (Eliezer Batisa - Ex Presidente da VALE)

Em março de 2000 estive no RJ em um encontro com o Dr.Eliezer,  amigo particular e meu parente no seu escritório na Firjam, que na parede estampava um grande mapa logístico do Brasil,  sua paixão de realizar "coisa grandes".

 Conversamos sobre um trabalho de logística que eu apresentaria na faculdade e fui pedir o seu apoio, uma narrativa sobre este problema no Brasil. Ele me deu uma aula de uns 40 minutos, dedicando à mim, o seu precioso tempo.

Passado uns instantes ele chamou a  eficiente secretária Arlete e disse: "mande para o Rowan, um exemplar do Made in Japan do Morita". Recebi o livro em Vitória, onde eu residia depois de uma semana e li o Made in Japan umas quatro vezes e até hoje é o meu livro de cabeceira. Uma biografia de Akio Morita. 

Fiz uma síntese das informações passadas  pelo Dr.Eliezer sobre o trabalho de logística da faculdade e o adaptei no power point, o trabalho teve nota máxima.  

Akio Morita Vide link um empresário, empreendedor apaixonado pelo Japão e as crianças deste povo sofrido pela guerra.

“Não desperdice o que a natureza nos deu” Por isso vamos tentar diminuir o tamanho de nossos produtos na Sony e usar menos recursos naturais e produzir menos lixo." (1960)

"Investidores e funcionários estão na mesma posição, mas às vezes o funcionário é mais importante, porque ele estará lá por um longo tempo, enquanto o investidor geralmente entra e sai à vontade para obter lucro."

"Queremos que todos tenham as melhores instalações para trabalhar, mas não acreditamos no elegante e impressionante escritório particular."

"Hoje a Sony é uma empresa admirada nos quatro cantos do mundo. Conseguimos fazer uma empresa de administração humana e competitiva. A Sony não é Akio Morita, ela é muito mais feita pelas pessoas que trabalham na Sony, para Morita. Sozinho um Akio Morita não representa nada, nem uma cadeira de nosso escritório"
(Akio Morita)

Engaje todos da empresa no processo de realizar a transformação. A transformação é da competência de todo mundo. (Deming)

Pouco se aprende com a vitória, mas muito com a derrota. (Provérbio japonês)

Aprenda um lição por dia. Em um ano terá aprendido 365 lições. (Ditado japonês)

Por volta de 1950 o Japão apresentava uma situação caótica, um país ilhado com solo de péssima qualidade, sem petróleo, minério de ferro e nem se quer madeira. Possuía uma reputação merecida no mundo inteiro de fabricar produtos de baixa qualidade, baratos, mas compatíveis com o preço exportado e a popularidade que ganhava o mercado no ocidente. O Japão precisava exportar para conseguir alimentos e equipamentos para sua população e reforçar a sua indústria. Diante esta situação só poderia sobreviver se recorresse à qualidade para vencer esta guerra econômica, uma vez que as mudanças mercadológicas eram cada vez mais certas.

Nesta nova condição o consumidor assume o foco de seus negócios, estratégias e esforços para conseguir mais mercados, e isto se acirra e estimula ao mesmo tempo as iniciativas do povo japonês. A preocupação e estratégia maior é de satisfazê-lo e passa a existir nas linhas do processo de produção o senso de melhoria contínua, aliado a cultura de determinação, disciplina e responsabilidade de um povo que buscava reação econômica e política, mas nunca se descuidando da ética, lealdade e respeito com as pessoas. 

Esta mudança era o desafio que  as altas administrações enfrentavam, porque não havia outro caminho para o país sobreviver. Se o Japão não partisse para este caminho chegaria no nível de fome de seu povo.

O professor  Deming, americano e estudioso da qualidade, humanístico com foco nas pessoas e nos processos foi então orientado pelo governo americano para uma missão no Japão ligada a estatística. Terminada a missão, se sensibilizou com o desafio do povo japonês de  erguerem a nação, e assim aceitou o convite de ficar no Japão mais um tempo como Consultor Especial da Japanese Union of Scientists and Engineers (JUSE) União Japonesa de Cientistas e Engenheiros em uma hora sagrada para ensinar as altas administrações japonesas a vencer estes desafios, e elas com a humildade e a vontade de trabalhar foram em frente; venceram sob uma ordem de trabalhar com seriedade. O trabalho sério é a base de qualquer sucesso. Este foi um marco na história das empresas japonesas,  pois Deming encontrava ali um ambiente propicio para desenvolver o seu trabalho e foi considerado junto com outros gurus da qualidade como uma espécie de pai da qualidade da indústria japonesa por tudo que conseguiu ali realizar. Ensinou aos técnicos o CEP - controle estatístico do processo da qualidade e é também o pai do famosíssimo PDCA - Planejar, Fazer, Verificar e Agir usado em controle de qualidade no mundo todo.

Deming faleceu em 1993 aos 93 anos e é idolatrado no Japão pelo fato de ter ajudado a erguer o país, através de seu trabalho de Administração da Qualidade e (professor da qualidade) com uma forte transmissão de conhecimentos e técnicas de gerir a qualidade de processos industriais . 

Possuía didática privilegiada, as suas apresentações lotava os auditórios e era um amante da pedagogia industrial. Humanístico, valorizava a educação e o treinamento das pessoas. 

O Japão constituiu um exemplo, segue-se que qualquer pais do mundo que se disponha de pessoal suficiente e de uma boa administração com ética, honesta e que produza bens adequados as suas aptidões para abastecer o mercado e invista em educação e cultura que vai melhorar também a sua qualidade de vida e ter o mesmo sucesso social e industrial

Esta realidade eles dizem ser o Kaizen, a filosofia de melhoria contínua dos japoneses. A abundância de recursos naturais, um exemplo claro do Brasil não constitui pré-requisito para prosperidade.A riqueza de uma nação está no seu povo, na sua administração e em seu governo sério e responsável, muito mais do que em recursos naturais. 

A CAPACIDADE DE REAÇÃO DO JAPÃO


 Japão é um grande exemplo de ética, disciplina, dedicação e amor ao trabalho. Os japoneses conseguiram uma capacidade invejável de viverem unidos e dentro de uma filosofia de vida de união, cooperação  e respeito às pessoas. Eles passaram a enxergar que um problema é uma oportunidade  ímpar para que em grupo encontrem a solução e desta forma, orgulham deste tipo de esforço coletivo vencedor. Unidos eles recuperaram um país arrasado e traumatizado pela guerra. A educação muda os rumos de uma nação para melhor". (Eliezer Batista)

A EDUCAÇÃO É O ÚNICO  RECURSO QUE FAZ UMA NAÇÃO PROSPERAR

Exemplos como o Japão e da Coreia do Sul devem ser copiados. Estes países deram prioridade absoluta a educação de qualidade e hoje lideram muitos setores da educação, tecnologia, indústria e a ciência em dimensão global.  William Edwards Deming foi o homem de origem ocidental, um americano que orientou as empresas japonesas para o sucesso.

OS 14 PONTOS DE DEMING:

1 – Constância de Propósito
2 – Adote a nova filosofia, estamos numa nova era econômica
3 – Deixe de depender da inspeção para atingir a Qualidade
4 – Pare com a prática de aprovar orçamentos com base no preço, avance no sentido de ter menos fornecedores, mas com relacionamentos verdadeiros, baseados em confiança e lealdade.
5 – Melhoria Contínua
6 – Institua treinamento no local de trabalho
7 – Institua Liderança. O objetivo da alta direção deve ser o de ajudar as pessoas, máquinas e dispositivos a executarem um trabalho melhor.
8 – Elimine o Medo 
9 – Quebrar barreiras entre departamentos
10 – Elimine slogans, exortações e metas
11 – Elimine quotas (padrões de trabalho), números, metas numéricas
12 – Remova as barreiras que privam as pessoas de seu direito de orgulhar-se de seu trabalho realizado
13 – Institua um forte programa de educação e auto-aprimoramento
14 – Engaje todos da empresa no processo de realizar a transformação. A transformação é responsabilidade de todo mundo