Inácio da Costa in Portal Administradores, Comerciantes e Vendedores, Construção Orçamentista de elétrica e hidráulica, Gestor comercial e Eletrotécnico Jan 19, 2021 · 2 min read · +200

A LUZ NO FIM DO TÚNEL 2021

A LUZ NO FIM DO TÚNEL 2021

Vou iniciar este trabalho falando um pouco sobre um setor industrial específico e depois tornarei o tema mais abrangente.

O mercado automobilístico brasileiro e também o empresariado de forma geral, encontrava-se confiante, porém cauteloso, neste início de 2021. O comunicado da Ford informando sua saída do Brasil foi uma surpresa e provocou alerta no mercado. Surpresas são comuns neste país sem rumo, e não são bem recebidas por empreendedores e investidores.

O mês de dezembro de 2020 mostrou forte recuperação do setor automotivo, foi o melhor mês em vendas para indústria no ano passado e criou muito boas perspectivas. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) espera para 2021, no Brasil, uma alta nas vendas totais, além de aumento de exportações, e um crescimento de produção de veículos.

Embora hajam diversas dúvidas relevantes que podem mudar esse cenário, e estão mudando, a projeção ainda é viável. A reabilitação do mercado tromba com o cenário da crise sanitária do coronavÍrus e suas cepas e na confiança sobre a sustentabilidade da economia brasileira. Existem também desafios e especificidades que o segmento enfrenta, como a escassez de insumos e componentes para a produção e a elevação constante de custos. A indústria continua sofrendo com a falta de matéria-prima, até na China, para fabricação de vacinas. O mercado nacional assiste a ausência de itens básicos, como aço, níquel, cobre, papelão e itens plásticos para a embalagem final dos produtos. Os preços amargam, até este início de 2021, altas que chegam a mais de 100% quando tratamos sobre o ítem metais. Por isso digo que o cenário está mudando, e isto faz com que números antes muito promissores, sofram revisão de expectativas para baixo.

Extrapolando esta ideia para toda a cadeia produtiva nacional acerca da retomada, considero oportuno mencionar o comentário do presidente da CNI - Confederação Nacional da Indústria, em que destaca:

“Os efeitos negativos da pandemia ainda são sentidos pelo setor produtivo, mas a economia já dá sinais de recuperação. A hora é de renovar a confiança e trabalhar para que a crise seja superada o mais rápido possível.” Os dados mais recentes da pesquisa Indicadores Industriais, produzida pela CNI - Confederação Nacional da Indústria, indicam que, em outubro, a atividade industrial manteve-se em alta, ainda que a uma velocidade menor que a registrada no mês anterior. Outro levantamento da entidade, agora referindo-se a dezembro, apresenta indicador de confiança em elevação, nos 18 dos 30 setores da indústria estudados na pesquisa, com índice de confiança no grau estável para o empresário industrial, entre novembro e dezembro. 

Outro estudo, agora da Fundação Getulio Vargas (FGV), indica que houve queda no otimismo dos empresários pelo terceiro mês seguido. A queda foi de 0,4 ponto em dezembro, fechando o ano de 2020 em 95,2 pontos.

Importante destacar o alerta do Banco Mundial agora no início do ano:

"A instituição assinala que poderão existir mudanças duradouras no comportamento dos consumidores, incluindo sua composição de gastos, com as famílias optando por um aumento das poupanças por precaução em vista de uma maior incerteza acerca dos custos dos cuidados de saúde, emprego e rendimentos, com implicações também no investimento de negócios, aspectos que podem sofrer com declínios sustentados na confiança".

Ante aos discursos, nota-se ceticismo de donos de empresas para inicio de 2021.

Apesar da confiança, euforia e expectativas positivas trazidas pelo início da vacinação emergencial contra a pandemia de Coronavírus e de alguns sinais de recuperação da economia, o cenário industrial ainda é repleto de escuridão. Com o expressivo aumento de casos detectados nesta segunda onda de COVID-19 em nível nacional, vive-se o receio de um fechamento das atividades econômicas novamente, temores de diminuições no horário de funcionamento dos parques fabris e outras restrições.

A justificativa para o comportamento do empreendedor neste 2021 é que, mesmo diante de um aumento de consumo de produtos e alguns números positivos, é preciso lidar com falta de insumos, alta do dólar e dos combustíveis, manicômio tributário e eternos problemas de escoamento da produção com estradas abandonadas, derivados de falta de investimento do governo na compra de obras de infraestrutura aliados à politicagem dos três poderes na condução do estado pandêmico que vivemos.

Acrescenta-se a isso, falta de incentivo ao crédito, a volta de tributação de ICMS em vários segmentos produtivos e o fim do Auxílio Emergencial e do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, que autorizava suspensões de contrato e reduções de jornadas e de salários, que pode, a curto prazo, acarretar demissões em massa, uma vez que empreendedores não conseguirão manter seus funcionários dedicando-se à sua empresa por muito tempo além do período de estabilidade previsto no programa. O resultado financeiro das empresas será bastante afetado.

Estamos em 2021, ano novo, e o que estamos observando é uma conjuntura de desequilíbrio entre a produção e finanças das empresas, nota-se que no momento não é possível o repasse total dos custos de produção para os consumidores finais, que também encontram-se descapitalizados. Momento de lutar, rever desembolsos e rotas, usar a criatividade, estudar nichos de produção e mercado de insumos e componentes, solidarizar-se com quem busca comida e emprego, bem como cobrar nossos “caros” e improdutivos governantes de 45% de aumento!

Termino esta matéria com um lembrete. Se precisar de trabalhador, estou à disposição do mercado neste momento. Busco empregabilidade em qualquer área.

Grato pela atenção de todos!