Joelson Madeira en Artistas, Músicos e Atores, Livros, Escritores Especialista em SEO • Entre Cabelos e Barba 5/7/2016 · 1 min de lectura · +600

Consumo | Cotidiano #1

Originalmente publicado em: http://entrecabelosebarba.com.br/consumo-cotidiano-1/


Consumo | Cotidiano #1

Não sou o que sou, sou o que tenho, o que possuo. Minaram meus laços humanos. Sou uma pessoa solitária em um bando de pessoas solitárias, vivendo a solidão de nossas multidões. Sou vendável, apesar de ser difícil de vender. Grito por atenção, mas estão todos sendo como eu e berrando como eu.


Enquanto todos berramos, quem para pra ouvir?


Quando não sinto sabor nas coisas, multiplico-as. São mais amigos, mais festas, mais bebidas, mais viagens, mais angustias… Menos sonhos, mais desejos.Carros, casas, roupas, eletrônicos… São mais redes sociais, são mais atualizações, fotos, sorrisos…


Mas e no desligar das câmeras?
E ao deitar na cama?
Sorrisos ou drama?
Qual é o lugar em que vamos realmente descansar?


O tempo é relativo. O amanhã nem existe, mas insiste em me fazer acreditar que tempo é dinheiro. Eu logo insisto em dizer para o tempo que amanhã tenho tempo para mim. E ele responde que nem ele tem mais tempo de existir.


Se tudo é descartável, o que sobra de mim?
Também sou descartável?


Sou! Por isso a necessidade de gritar. Por isso a necessidade de humanizar outras coisas. Enquanto a humanidade, se torna menos humana.

A vaidade virou lei. A necessidade de praticidade também. Resumo minha escrita em abreviações, em frases. Resumo minha música em batidas. Minha felicidade em fotos…
O sorriso que ali deposito já vem com legenda:  “Aqui há inveja. Aqui faz invejar”


Se percebemos que a inveja da felicidade alheia nada mais é que vazio de espirito!?
Se percebermos que a felicidade alheia nem é tão feliz assim!?
Se percebermos que em momentos felizes estamos realmente ocupados sendo felizes!?


Mas se não atualizo, logo não existo e se percebo, logo deixo de existir.

Somos mais felizes assim, sendo sacos vazios. Sou mais feliz assim, fingindo existir. Porque se penso, logo existo e se existo, logo deixo de sentir a paz que só os tolos têm. Então preciso de outros para me manterem assim. Porque esse conto de fadas contado junto fica mais fácil de acreditar.

“The walking dead”   é aqui e agora. É só ver esse pessoal vidrado, os shoppings lotados, as festas abarrotadas… Os cérebros foram substituídos por bens de consumo, literalmente. Sou errante em um eterno processo de metamorfose; como lixo reciclado, só que sem utilidade.



Sobre a série:

Cotiano  é a mais nova série do Entre Cabelos e Barba,   trará textos produzidos por Joelson Madeira, com temas vivenciados diariamente em nossa singela existência. Com intuito de refletirmos um pouco mais sobre a realidade que nos cerca. Coisas das quais muitas vezes passam despercebidas enquanto cumprimos nossas tarefas, nossos compromissos e garantimos o pão. Garanto a vocês uma série impactante, sempre propondo novas formas de enxergarmos tudo o que nos rodeia.
Patrícia Guollo





Luizia🐝 Patrício 7/10/2016 · #6

#5 exatamente equilíbrio! Vocês também são! Abraço

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Joelson Madeira 7/10/2016 · #5

#4 Exatamente isso, @Luizia Patrício! Não sejamos hipócritas, mas também não sejamos fúteis. Tudo é uma questão de equilíbrio. Quando deixamos um lado falar mais alto, deixamos também a nossa lucidez. Muito obrigado pelo comentário, você é uma querida!

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Luizia🐝 Patrício 7/10/2016 · #4

O sentido de muitos hoje , infelizmente tem sido exatamente isto. Perdaram a beleza do simples ter ter e ter. Oque vale ter se não pode se desfrutar compartilhar. Não sejamos ipocritas é muito bom alçar um bem,seja ele qual for. So não devemos deixar com que isto fale mais alto que os pequemos prazeres da vida! Otimo texto Parabéns @Joelson Madeira, e @Patrícia Guollo! Voces mandam muito bem!

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Joelson Madeira 6/7/2016 · #3

#1 Ahhh, e obrigado pelo comentário! hehe

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Joelson Madeira 6/7/2016 · #2

#1 De fato Felipe, não temos certeza de nada. Mas creio que basear nossa total felicidade em coisas tão mesquinhas, tão pequenas, nos transforma em seres tão vazios quanto os objetos que desejamos. É como uma fuga do eu.

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Felipe Souza 5/7/2016 · #1

Tanto ‘ter’ tanto 'acumular coisas' vem tornando complicado dar mais sentido a essa vida. Um esforço pessoal no sentido de buscar experiencias mais transcendentes pode ser um caminho... mas creio que, ainda sim, não ha nenhuma garantia...

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