Joelson Madeira en Estudantes, Desenvolvimento Humano, Professores e Educadores Escritor • Entre Cabelos e Barba 12/10/2016 · 5 min de lectura · 1,1K

Ela vivia um relacionamento abusivo

Ela vivia um relacionamento abusivo

Quando foi que você percebeu que seu relacionamento era abusivo? Quando foi que você percebeu que aquilo que deveria te deixar feliz e leve, te transformava na pessoa mais solitária e triste que você conhecia? Quando foi que aquilo que era tão bom começou a machucar?

A pergunta que eu e todos fazem é: Quando foi que você não teve forças para fugir? Para soltar as amarras, para gritar, para pedir ajuda...

Talvez você estivesse gritando, mas nós estávamos ocupados demais com a correria do dia-a-dia, com nossos umbigos preciosos. Com todo o mundo que nos rodeia de facilidades e principalmente, futilidades.

Deixamos o bem-estar do outro de lado. Não paramos se quer para dar um bom dia. Muito menos para perguntar como o outro está. Por isso foi tão difícil para mim, pois você sempre quebrou as regras desse mundo frio. Com um sorriso no rosto, com um belo brilho no olhar e com palavras doces você alegrava o dia de todos.

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Quando te conheci

Ela vivia um relacionamento abusivo

Quando te conheci, você havia casado a pouco tempo. Era notório a sua satisfação, sua energia e sua entrega em tudo que fazia. Nossa turma do trabalho se reunia todas as semanas para os happy hours. No começo você ia sozinha, depois começou a levar ele, que mesmo visivelmente descontente por estar ali, mostrava-se sempre simpático.

Aos poucos, vocês não iam mais. Aos poucos, você não fazia mais nada conosco. Foram embora os seus sorrisos, sua energia e sua vontade de trabalhar. Aquela moça simpática se escondia atrás de um olhar vazio e distante. Parecia que você queria nos avisar, você queria gritar. Mesmo assim, quando nos aproximávamos você disfarçava com um belo sorriso, com a simpatia costumeira.

Você se afastou

Ela vivia um relacionamento abusivo

Nós, seguíamos a nossas vidas. De fato, você nunca foi preocupação. Sentíamos a sua falta sim, mas entendíamos aquilo com estresse do trabalho. Você só queria se isolar um pouco e isso era absolutamente normal. Não foi normal quando ouvimos sua mãe brigar com você porque você simplesmente não atendia mais os telefonemas dela. Bom, isso não era da nossa conta. Em um ambiente de trabalho, tudo fica muito longe do pessoal.

Você se afastou dos amigos, da família, dos colegas de trabalho e de tudo que você mais gostava de fazer. Foi perdendo o brilho, a vontade. Até que eu não aguentei e fui perguntar como você estava. Ás vezes as pessoas só precisam de um olho no olho e uma pergunta sincera de como você está. Fui realmente para ser teu ombro e me surpreendi.

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Você não aguentava mais um relacionamento complicado

Ela vivia um relacionamento abusivo

Você pela primeira vez não disfarçou colocando um sorriso no rosto. Pelo jeito, não tinha mais cartas na manga, nem maquiagem que resolvesse. Você foi sincera, até demais. Com poucas palavras disse que não aguentava mais seu casamento, seu relacionamento complicado. Era um inferno, estava privada de tudo e de todos. Seu marido era a pessoa mais sínica que você conhecia. Fazia jogos psicológicos que deixariam qualquer psicopata de filme de terror no chinelo. E que assim, você se sentia a pior das pessoas, se sentia culpada e o pior, não conseguia se livrar dele. Porque só ele te amava “de verdade”.

Lembro que minhas palavras foram poucas, mas objetivas: -Você merece alguém melhor! Pobre engano, não é assim que se livra alguém que teve uma completa lavagem cerebral. Você balançou a cabeça positivamente, mas eu entendi que aquilo apenas bateu e voltou. Era como se eu estivesse falando com uma parede. Você estava fria e irredutível. Parecia conformada com a situação, apesar do desespero e a vontade de querer sumir.

A sua dor, refletia em mim

Ela vivia um relacionamento abusivo

Fui para casa naquela noite pensando na desgraça que deveria ser sua vida e como eu jamais queria algo assim. Pelo pouco que você falou, eu simplesmente não consegui desenhar um ser humano tão desprezível e baixo em meus pensamentos. Mas ele era real, você era real. E o pior, seus sofrimentos estavam sendo vividos bem próximos de mim.

Eu realmente poderia ter ignorado tudo aquilo e ter deitado com a cabeça no travesseiro como se nada tivesse acontecido. Afinal, os problemas dos outros não são os meus problemas. Mas, seu olhar vinha em minha memória como faca que rasga as entranhas. Como me machucava lembrar de alguém tão radiante, sucumbindo diante das dificuldades da vida.

Pensei, pensei, mal dormi. No outro dia, acordei disposto a achar uma solução. Mas quem sou eu para achar uma solução para os problemas dos outros? Não sei! Mas eu queria te ajudar.

Nós acreditamos na sua força:Um brinde a mulher bem resolvida

Fui destinado a te ajudar, mas era tarde demais

Ela vivia um relacionamento abusivo

Quando cheguei no trabalho, tive a triste notícia, você não viria. Tinha alegado uma gripe. E assim se estendeu naquela semana. Você não veio na manhã seguinte, e na outra, e na outra... Até que veio a triste notícia. Você estava internada... em coma.

Eu não acreditava naquilo. Fui correndo até o hospital para saber o que tinha acontecido. Encontrei sua mãe, ela me disse que você tinha sido agredida. POR QUEM? Pelo seu marido...

Aquilo foi um golpe para mim, foi como um tapa na cara ou melhor, um soco. Bem na boca do estomago. Faltou o ar, faltou o chão. Como assim? Eu falhei! Havia falhado como ser humano, como colega, como amigo. Você estava à beira da morte, por algo que poderia ter sido evitado, se eu olhasse um pouco mais ao meu redor. Se eu visse os sinais de socorro que você emitia!

Eu falhei!

Ela vivia um relacionamento abusivo

Bom, depois de me culpar por horas, fiquei pensando em todos os momentos que te vi, que falei contigo. Tive que admitir que realmente era difícil imaginar que algo de ruim estivesse acontecendo quando eu via a sua alegria contagiar o ambiente. Moça, da onde você tirava aquele brilho no olhar?

Hoje percebo que toda aquela alegria, aqueles sorrisos e todas aquelas palavras eram escudos. Eram suas barreiras para te defender desse mundo hostil, que te feria todos os dias. Mesmo assim você renascia ainda mais vibrante a cada manhã. Até que suas forças foram se esvaindo, se esvaindo...

A culpa é minha, ou nossa, de não perceber a dor por trás de seus gestos e não entender a fraqueza de dias que você se dizia indisposta. Mas que nada tinha a ver com um resfriado ou com qualquer outra doença dessas rotineiras e passageiras que você dava como desculpa. Tinha a ver com tudo que passava aí dentro, ou melhor, tinha a ver com o que passava com vocês.

Hoje eu imagino o peso do mundo que você carregava em seus ombros e como era dolorido o fato de ter que carregar isso sozinha. Afinal o mundo nunca foi fácil, não é mesmo?! Mas por que é tão cruel para os que fazem o bem? Talvez o bem, seja a maior cruz que o ser humano possa carregar...

Viver é relembrar, vamos lembrar das coisas boas então: É possível ser feliz sozinha, eu sei, porque um dia eu já fui

Existe vergonha em expor algo tão particular

Ela vivia um relacionamento abusivo

Colocando os pensamentos no lugar eu percebi que várias foram as vezes que você tentou externar esses problemas. Eu nunca tive tato ou paciência para escutar e sempre pensei que fosse besteira. Colocava meu cérebro no automático e dava umas respostas padronizadas, do tipo: - Faça o que seu coração manda.

Mas porque eu nunca te dei ouvidos? Se eu fosse um pouco menos egoísta, nada disso teria acontecido...

Como naquela noite no bar. Estávamos bebendo e rindo, contando besteiras da infância, e os micos do trabalho. Você atendeu o telefone, que já era a décima ligação por sinal. E foi com pressa para casa, por causa daquele idiota que te ameaçou pelo telefone. Era um sinal que bastava para nós teus amigos te alertarem sobre os perigos de conviver com alguém assim.

Alguém assim que acha que mulher casada não pode ficar no bar, que mulher casada não pode ter amigo homem, que mulher casada não pode ficar até tarde fora de casa. Que mulher tem dono, que deve ser escrava e escutar tudo caladinha...

Existe vários tabus

Ela vivia um relacionamento abusivo

Na maioria das vezes, as pessoas estão rodeadas de bordões, frases prontas, ditados populares e cheias de demagogias. E eu não sou diferente. Sempre foi parte de meus pensamentos que: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” e foi por causa desse ditado bobo, que não deveria jamais ser reproduzido, que eu fiquei inerte.

Hoje eu busco força naquela mulher que revivia todos os dias. Pego na sua mão, e torço para que você abra os olhos para que eu possa te falar que estou aqui, que estarei aqui e que vou te ouvir de verdade.

Mas você não tem culpa, essa dívida é minha comigo mesmo. E se você não sobreviver, não sair dessa cama, eu terei que carregar essa dor para o resto da minha vida. Talvez assim eu aprenda que viver orbitando minha própria dimensão é um desperdício de tempo e espaço. Que viver olhando apenas para o meu umbigo não é viver. E que se eu não olhar para o lado, jamais saberei se estou realmente vivo.

Hoje eu entendo, que o que você precisava era de um ombro amigo!

Não esqueça! Eu sou o amor que tenho procurado


Esse texto foi originalmente publicado em: http://entrecabelosebarba.com.br/ela-vivia-um-relacionamento-abusivo/

Ela vivia um relacionamento abusivo

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Joelson Madeira 21/10/2016 · #6

#5 O que houve meu caro amigo, @Bruno Pinto?

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Bruno Pinto 21/10/2016 · #5

Sem palavras! :'(

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Joelson Madeira 14/10/2016 · #4

#3 Que bom, fico muito feliz! =D

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Renata Bittencourt 14/10/2016 · #3

Acabo de conhecer @Joelson Madeira! Abravés do link desse texto... tô adorando! ;)

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Joelson Madeira 13/10/2016 · #2

#1 Que bom que gostou, @Renata Bittencourt! Já conhece o meu blog?

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Renata Bittencourt 13/10/2016 · #1

Fantástico esse texto! Tô levando e compartilhando!

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