Responsabilidade Social como ferramenta de competitividade

RESPONSABILIDADE SOCIAL COMO FERRAMENTA DE COMPETITIVIDADE 

Jonas Misael Barbosa Fernandes

Curso de Graduação em Administração

Faculdade Estácio de Sá - Rio Grande do Sul

Orientador: Prof.ª Anna Amelia Ribeiro Pinho Cotta da Silva Alves de Freitas

RESUMO

Observa-se um crescente interesse das empresas quanto a assumir postura de responsabilidade social nos dias de hoje, nesse sentido, o comportamento dos consumidores, desde o que pensam sobre o assunto até a influência que exercem sobre sua decisão de compra, é de grande valia para decisões estratégicas de marketing. Através de um profundo estudo teórico, evidenciaremos a importância da Responsabilidade Social para as organizações e para os que dela se beneficiam. Deste modo, o presente artigo tem como objetivo analisar as vantagens competitivas atribuídas à prática de Responsabilidade Social e estudar a viabilidade de implantação de ações estratégicas sociais nos restaurantes de Porto Alegre. Através de uma entrevista semiestruturada aplicada aos consumidores, fica evidenciando a carência de atitudes das organizações perante seus colaboradores, sociedade e meio ambiente. No que se refere à influência desse tema, a maioria dos entrevistados optam por trabalhar, consumir ou até mesmo frequentar organizações e estabelecimentos que praticam a responsabilidade social.

Palavras-chave: responsabilidade social; vantagens competitivas; marketing.

1. INTRODUÇÃO

Responsabilidade Social é quando as empresas decidem, de forma voluntária, contribuir para um ambiente mais limpo, uma sociedade mais justa, de forma que gere benefícios para a comunidade que está inserida e também para seus funcionários. Diante da crise no cenário econômico, social, político e ambiental que vivemos, as organizações possuem um papel de extrema importância para amenizar estes problemas.

Segundo Chiavenato a Responsabilidade Social Empresarial “refere-se ao grau de obrigações que uma organização assume por meio de ações que protejam e melhorem o bem-estar da sociedade à medida que buscam atingir seus próprios interesses” Chiavenato (2010, p.49).

Nesse sentido, responsabilidade social empresarial é uma forma de gestão que visa diminuir os impactos negativos no meio ambiente, na comunidade e na desigualdade social. São ações que preservam os recursos ambientais e culturais, reduzindo a desigualdade social e respeitando a diversidade, é a organização buscando seu desenvolvimento econômico, mas, se conscientizando do seu papel perante a comunidade em que está inserida.

A Responsabilidade Social é evidenciada em três pilares: Responsabilidade Econômica, Ambiental e Empresarial.

Responsabilidade Econômica são atitudes ligadas à produção, distribuição e consumo de bens e serviços de forma sustentável.
A questão é que a empresa deve estar aberta a investir para ter retorno posteriormente, bem como, estar aberta a divulgar os valores de seus investimentos, pois isto transmite transparência, e comprova que seus investimentos realmente vão para o que se destina.

Responsabilidade Ambiental está intimamente relacionada com práticas de preservação do meio ambiente. Assim, uma empresa responsável a nível social deve ser conhecida pela criação de políticas responsáveis a nível ambiental, tendo como um dos seus principais objetivos a sua sustentabilidade. A organização deve levar em conta que, apesar de objetivar o lucro financeiro, deve estar atenta ao meio ambiente, ou seja, não adianta lucrar devastando, por exemplo.

Responsabilidade Empresarial está ligada a uma gestão ética e transparente que a organização deve ter com suas partes interessadas, para minimizar seus impactos negativos no meio ambiente e na comunidade em que está inserida. As organizações são centros de poder econômico político que interferem de forma direta e indireta na sociedade. Desta forma, as empresas assumem causas sociais que visam minimizar o impacto que causam no ambiente e na sociedade em que estão inseridas, visto que utilizaram destes meios para obterem seu lucro. São poucos os empresários e administradores que possuem consciência da responsabilidade social do patrimônio. Grande parte destas empresas auxiliam a comunidade como forma de marketing para atrair clientes ou vender mais. Neste sentido Souza e Marcon (2002, p.10) fazem referência afirmando que:

As empresas costumam quantificar os investimentos feitos na melhoria dos produtos, dispositivos de segurança e antipoluentes. Mas é necessário avaliar também os gastos decorrentes das ações socialmente irresponsáveis, pois estas guardam estreita relação com os resultados da empresa.

O presente artigo irá analisar as vantagens competitivas que os restaurantes terão, se introduzir a prática da Responsabilidade Social na sua gestão, ou seja, a prática da responsabilidade social é um fator que possibilita o aumento de clientes ou a fidelização dos consumidores? Será que um restaurante que adote a prática da Responsabilidade Social consegue influenciar uma pessoa a ir no seu estabelecimento, ou seja, esse é um fator decisivo para a escolha de um restaurante?

Procurando responder a seguinte questão de pesquisa, o objetivo geral deste artigo será aprofundar os conhecimentos teóricos sobre responsabilidade social empresarial e especificamente a sua importância para as organizações, para os que dela se beneficiam e desenvolver alternativas de implantação de estratégias sociais.

O estudo da viabilidade de implantação de ações estratégicas sociais no restaurante será utilizado a partir da pesquisa quantitativa-exploratória.

Segundo Fonseca (2002, p. 20):

A pesquisa quantitativa se centra na objetividade. Influenciada pelo positivismo, considera que a realidade só pode ser compreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio de instrumentos padronizados e neutros. A pesquisa quantitativa recorre à linguagem matemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis, etc.

A partir da imersão em questões pontuais relacionadas a Responsabilidade Social Empresarial e a pesquisa com o público alvo, iremos avaliar se os restaurantes terão um aumento de clientes tomando esta ferramenta como marketing para competitividade no mercado.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

Responsabilidade Social Empresarial é a forma de gestão que se define pela ética e transparência com o público direta ou indiretamente ligado a empresa. Atualmente as empresas não devem focar somente em resultados econômicos e lucratividade, a responsabilidade dos gestores vai além disso. Alinhado ao planejamento estratégico, os gestores devem se preocupar com os diferentes grupos de interessados na empresa: acionistas, clientes, fornecedores, compradores, empregados e comunidade local.

Segundo Chiavenato (2010, p.49)

Responsabilidade Social Empresarial refere-se ao grau de obrigações que uma organização assume por meio de ações que protejam e melhorem o bem-estar da sociedade à medida que buscam atingir seus próprios interesses.

Para uns, é tomada como uma responsabilidade legal ou obrigação social; para outros, é o comportamento socialmente responsável em que se observa a ótica, e para outros ainda, não passa de contribuintes de caridade que a empresa deve fazer. (DUARTE e DIAS 1996).

Há também os que admitem que a responsabilidade social é, exclusivamente de pagar bem os empregados e dar-lhes bom tratamento. Logicamente, responsabilidade social das empresas é tudo isso, muito embora não seja somente estes itens isoladamente. (OLIVEIRA 2012)

Nesse contexto, as empresas devem adotar novas atitudes, não apenas visando o lucro, mas garantir que seu crescimento esteja alinhado com os interesses da comunidade local e do meio ambiente que está inserida.

Esta atitude corporativa pode ocorrer de diversas maneiras, Melo Neto e Fróes (1999, p.23) afirmam que:

Uma empresa exerce plenamente sua responsabilidade social empresarial quando possui uma gestão eficaz de responsabilidade social tanto com relação ao seu público interno, quanto ao externo e ainda participa ativamente da comunidade.

Desta forma, a organização deve atuar em duas dimensões, interna com foco nos empregados e dependente e externa com preocupação junto à sociedade, stakeholders e meio ambiente.

Ashley (2002) comenta que Responsabilidade Social pode ser definida como o compromisso que uma empresa deve ter para com a sociedade em que atua. Expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade de modo específico. Para que uma organização seja Socialmente Responsável é preciso que ela entenda a profundidade da nova realidade e atue com ética e transparência.

Dessa forma, uma empresa com responsabilidade social, além de participar de forma mais direta das ações comunitárias nos locais onde estão inseridas e reduzirem os danos ambientais resultantes de suas atividades, tornam-se parceiras e corresponsáveis pelo desenvolvimento social. TOLDO (2002, p.82) complementa:

Responsabilidade social empresarial é o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo.

A ética é um dos valores que devem estar intrínsecos à prática de Responsabilidade Social, de acordo com Chiavenato (2004 p. 604) “Constitui-se de um conjunto de valores e princípios morais que definem o que é certo ou errado para uma pessoa, grupo ou organização”. O autor ainda afirma que o comportamento ético acontece quando a organização incentiva seus membros a si comportarem de acordo com certos valores e princípios que proporcionam o bem-estar pessoal e, também, das outras pessoas. Certamente, o valor ético que mais vem sendo associado às marcas das empresas, como forma de criar um diferencial competitivo, é o desenvolvimento de programas de responsabilidade social.

Melo Neto (1999,p.78) enumera sete vetores da Responsabilidade Social de uma empresa:

1- Apoio ao desenvolvimento da comunidade onde atua;

2- Preservação do meio ambiente;

3- Investimento no bem-estar dos funcionários e seus dependentes e num ambiente de trabalho agradável;

4- Comunicações transparentes;

5- Retorno aos acionistas;

6- Sinergia com os parceiros;

7- Satisfação dos clientes e/ou consumidores.

Para CHIAVENATO (2010) uma organização socialmente responsável é aquela que desempenha as seguintes obrigações:

· Incorpora objetivos sociais em seus processos de planejamento;

· Aplica normas comparativas de outras organizações em seus programas sociais;

· Apresenta relatórios aos membros organizacionais e aos parceiros sobre os progressos na sua responsabilidade social;

· Experimenta diferentes abordagens para medir seu desempenho social;

· Procura medir os custos dos programas sócias e o retorno dos investimentos em programas sociais.

Para Ferrel (2001) a responsabilidade social empresarial é composta por um conjunto de quatro dimensões, em ordem decrescente de prioridade:

1. Dimensão Legal: Relativa ao cumprimento das leis promulgadas pelos governos, que servem para estabelecer padrões mínimos de conduta e não para determinar o que é ético ou antiético;

2. Dimensão Ética: A conduta ética da empresa refere-se ao que é certo ou errado, aceitável ou não;

3. Dimensão Econômica: Refere-se à maneira como os recursos para a produção de bens e serviços são distribuídos no sistema social;

4. Dimensão Filantrópica: Relaciona-se com as contribuições das empresas com a sociedade, em relação à qualidade de vida e bem-estar, a sociedade espera que as empresas proporcionem padrão e projetam a qualidade de vida da comunidade.

Desta forma, entende-se que a responsabilidade social abrange desde o fornecimento de um produto, serviços de qualidade, preço justo e sem prejuízo ao meio ambiente e pela postura transparente e ética da empresa que permite sua ação social na forma de doações/patrocínios à saúde, à educação, às artes, cultura e aos esportes.

2.1.1 RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

A Responsabilidade Social Corporativa tem como objetivo ser útil para atender as necessidades de todos os envolvidos no seu grupo de interesses: o ciclo de produção, a organização, a economia, a cultura, tendo como guia um objetivo básico da responsabilidade social corporativa. A responsabilidade social corporativa está voltada às atitudes e comportamentos da organização em face das exigências sociais da sociedade em consequência das suas atividades. Isso implica a compensação dos custos sociais que a mesma gera e ampliação do campo dos seus objetivos, definindo o papel social a desenvolver para conseguir a legitimidade e responsabilidade em face dos diversos grupos humanos que a integram e perante a sociedade no seu conjunto (CHIAVENATO, 2002, p. 594)

Garcia (1999, p. 70 ) afirma que a responsabilidade social corporativa significa, por exemplo, tratar com dignidade seus funcionários, fabricar produtos ou prestar serviços com qualidade, veicular propaganda verdadeira, promover limpeza no ambiente de trabalho, contribuir para causas da comunidade, não exploração de mão-de-obra infantil. Portanto a empresa que assim não age, é considerada socialmente irresponsável.

Schommer, Rocha & Fischer (1999), explicam que o conceito de Responsabilidade Social Corporativa parte do princípio de que a atividade empresarial contempla compromissos com toda a cadeia produtiva da empresa. Essa ideia relaciona-se com a teoria dos Stakeholders, que segundo (SCHOMMER, 2000, p.1) são os “[...] indivíduos ou grupos que dependem da organização para alcançar suas metas e dos qual a empresa depende para funcionar. ”

Segundo AECA (2004), Responsabilidade Social Corporativa é fornecer elementos de direção e gestão consistentes para:

· Dotar a empresa de uma base conceitual sólida;

· Inovar e melhorar os processos de direção, gestão, medição e informação das empresas;

· Introduzir melhoras nos processos internos da empresa, em todos os níveis, com um sistema de gestão integral que considere os aspectos econômicos, sociais e ambientais;

· Potenciar as vantagens competitivas da empresa em aspectos tão relevantes como, por exemplo: fortalecimento da reputação corporativa, fidelidade do cliente, incrementos da qualidade e da produtividade, incremento da capacidade de atrair e reter talento e recursos financeiros;

· Desenvolvimento econômico da empresa, mediante a geração suficiente de benefícios.

2.3 ISO 26000

A ISO 26000 foi a primeira norma internacional de Responsabilidade Social, é aplicável a empresas de diferentes setores, portes, localidades e tem por objetivo orientar as empresas na implantação de políticas, práticas e princípios de Responsabilidade Social Corporativa.

A norma internacional tem a proposta de servir como um importante norte para as organizações. Foi durante uma reunião do Comitê de Política de Consumidores da ISO (Copolco), em 2001, que se cogitou, pela primeira vez, a criação de uma norma global de Responsabilidade Social Corporativa.

Os sete princípios da ISO 26000 são:

Responsabilidade: Ato de responsabilizar-se pelas consequências de suas ações e decisões, respondendo pelos seus impactos na sociedade, na economia e no meio ambiente, prestando contas aos órgãos de governança e demais partes interessadas, declarando os seus erros e as medidas cabíveis para remediá-los.

• Transparência: Fornecer às partes interessadas de forma acessível, clara, compreensível e em prazos adequados, todas as informações sobre os fatos que possam afetá-las.

Comportamento Ético: Agir de modo aceito como correto pela sociedade - com base nos valores da honestidade, equidade e integridade, perante as pessoas e a natureza - e de forma consistente com as normas internacionais de comportamento.

• Consideração pelas partes interessadas: Ouvir, considerar e responder aos interesses das pessoas ou grupos que tenham interesses nas atividades da organização ou por ela possam ser afetados.

• Legalidade: O ponto de partida mínimo da responsabilidade social é cumprir integralmente as leis do local onde está operando.

• Normas Internacionais: Adotar prescrições de tratados e acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que não haja obrigação legal.

• Direitos Humanos: Reconhecer a importância e a universalidade dos direitos humanos, cuidando para que as atividades da organização não os agridam direta ou indiretamente, zelando pelo ambiente econômico, social e natural que requerem.

A partir do conhecimento desses princípios, a empresa deve analisar como o seu sistema de gestão se relaciona com a responsabilidade social 

Ressalta-se que uma das formas mais efetivas para integrar a responsabilidade social em toda organização, trazendo-a para os seus sistemas e procedimentos, é por meio da governança organizacional. É na governança que as decisões implementadas irão impactar a estrutura e a cultura da organização, direcionando metas e objetivos rumo a um melhor desempenho em responsabilidade social.

2.4 RESPONSABILIDADE SOCIAL X FILANTROPIA

A responsabilidade social das empresas, ou mesmo a busca das empresas por justiça social, seria basicamente a iniciativa espontânea das empresas de contribuir para a construção de uma sociedade melhor e um meio ambiente mais limpo, através da ética e da moral e, principalmente, em uma fase da história em que as culturas diferentes estão cada vez mais entrelaçadas e precisam conviver.

Como se observa, responsabilidade social não tem nada a ver com filantropia ou caridade. Melo Neto e Flores (2000, p. 28) diferenciam a filantropia da responsabilidade social assim:

A filantropia é individualizada, pois a atitude e a ação são do empresário. A responsabilidade social é uma atitude coletiva e compreende ações de empregados, diretores e gerentes, fornecedores, acionistas e, até mesmo, clientes e demais parceiros de uma empresa. Portanto, uma soma de vontades individuais e reflete um consenso. A responsabilidade social é uma ação estratégica da empresa que busca retorno.

A responsabilidade social difere da filantropia porque reflete consciência social e dever cívico, ou seja, a responsabilidade social das empresas seria a integração voluntária, que vai além das obrigações em relação ao seu capital humano. É focada na cadeia de negócios da empresa e engloba preocupações como todo o ambiente com quem se relaciona.

A filantropia basicamente é uma ação social externa da empresa, que tem como beneficiária principal a comunidade.

As diferenças entre filantropia e responsabilidade social, segundo Melo Neto & Fróes (2001, p.28) são apresentadas no quadro abaixo:

As diferenças entre a filantropia e Responsabilidade Social

Filantropia

Responsabilidade Social

Ação individual e voluntária

Ação coletiva

Fomento da caridade

Fomento da cidadania

Base assistencialista

Base estratégica

Restrita a empresários filantrópicos e abnegados

Extensiva a todos

Prescinde de gerenciamento

Demanda gerenciamento

Decisão individual

Decisão consensual

Fonte: Melo Neto & Fróes, 2001, p. 28

2.5 VANTAGENS COMPETITIVAS

Entende-se que as empresas têm um papel essencial a cumprir juntamente com o governo e a sociedade civil na solução dos problemas de desigualdade social, direitos humanos e questões ambientais. Dentre os benefícios atrelados à pratica da responsabilidade social, destaca-se a vantagem competitiva. Para Chiavenato (1999. Pg 447) “[...] entre uma empresa que assume uma postura de integração social e contribuição para a sociedade e outra voltada para si própria e ignorando o resto, a tendência do consumidor é ficar com a primeira. ”

As empresas são grandes agentes transformadores que influenciam fortemente sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio ambiente, possuindo também recursos financeiros, tecnológicos e econômicos. Frente a isto, devem buscam colaborar de alguma forma para o fomento destas áreas, agindo assim, agregará valor à sua imagem perante a sociedade, os investidores e até a concorrência. Cada vez mais as pessoas desejam informações sobre o histórico das empresas na área da responsabilidade social e ambiental para, com base nisso, decidir de quais empresas devem comprar, em quais devem investir e para quais devem trabalhar.

Dentre os benefícios provenientes do exercício da responsabilidade social, podem-se destacar a valorização da imagem institucional, o desenvolvimento de atitudes favoráveis dos consumidores em relação a empresa e o favorecimento aos processos de internacionalização de empresa (CORREA FERREIRA, 2000).

A Responsabilidade Social pode ser vista como uma vantagem competitiva e um conceito de estratégia de mercado, GARCIA (1999, p. 2) afirma:

A coletividade quer comprar produtos e serviços de empresas que não poluem, não fazem propaganda enganosa, contribuem para a melhor qualidade de vida. Responsabilidade social, hoje, pode ser a diferença entre vender ou não vender, sobreviver ou não. Responsabilidade social é, portanto, conceito estratégico e quem não enxergar isto vai rapidamente deixar o convívio social, isto é, vai sair do mercado.

Afora os benefícios mencionados, CHIAVENATO (2010, p. 50) enumera os principais argumentos para o desempenho de atividades de responsabilidade social:

1. O interesse maior dos negócios é promover e melhorar as comunidades onde a organização faz negócios.

2. As ações sociais e as ações éticas podem ser lucrativas.

3. A responsabilidade social melhora a imagem pública da instituição.

4. A responsabilidade social aumenta a viabilidade dos negócios. Os negócios existem porque proporcionam benefícios sociais.

5. É necessário evitar ou se antecipar à regulação governamental ou intervenções externas para sanar a omissão das organizações.

6. As leis não podem ser definidas para todas as circunstâncias. As organizações devem assumir responsabilidade para manter uma sociedade ordeira, justa e legal.

7. As normas socioculturais exigem responsabilidade social.

8. A responsabilidade social é de interesse de todos os parceiros da organização e não de apenas alguns deles.

9. A sociedade deve oferecer às organizações a oportunidade de resolver problemas sociais que o governo não tem condições de fazê-lo.

10. Como as organizações são dotadas de recursos financeiros e humanos, elas são instituições mais adequadas para resolver problemas sociais.

11. Prevenir certos problemas é o melhor do que ter de resolvê-los posteriormente. Muitas organizações se antecipam a certos problemas antes que eles se tornem maiores.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo objetivou explorar o conceito de responsabilidade social e sua aplicabilidade nas organizações. Para chegar aos resultados obtidos neste artigo, foi realizado um levantamento bibliográfico, assim como aplicações de questionários, os quais tinham por objetivo entender o comportamento do consumidor frente às práticas adotadas de responsabilidade social das organizações.

Os dados obtidos, através do instrumento de coleta de dados a partir do questionário, demonstram alguns resultados que são aqui descritos em seus detalhes.

Cerca de 90% dos entrevistados acreditam que as organizações possuem um papel importante no combate ou redução dos problemas de ordem ambiental, econômico, social e político. Ou seja, as organizações devem estar ligadas a alguma causa social que beneficie a comunidade e que fomente a economia. As organizações devem estar atentas quanto ao meio ambiente que está inserida, a pesquisa indica que o nível de preocupação das organizações para com os seus funcionários e sociedade está entre médio e forte. Mesmo assim, o senso de responsabilidade social da empresa para com o meio ambiente aponta que está fraco, conforme apresentado na tabela abaixo:

Nível de preocupação das empresas com o meio ambiente

Fraco

70,3%

Médio

24,2%

Forte

5,5%

Responsabilidade Social vai além de apenas apoiar projetos, 100% dos entrevistados acreditam que as organizações devem se preocupar com ações que visam preservar os recursos ambientais e culturais, que reduzem a desigualdade social e respeitem a diversidade. Fica evidenciado na pesquisa que 75% dos entrevistados reconhecem, de alguma forma, ações ligadas à prática de Responsabilidade Social das organizações e locais que frequentam, quando perguntado se estes consumidores optariam por frequentar restaurantes que adotassem uma postura socialmente responsável, 94,4% deste público frequentaria com assiduidade esses locais, ou seja, se o restaurante utilizar a responsabilidade social como ferramenta de marketing, ele terá um aumento e/ou fidelização de clientes, conforme tabela abaixo:

Consumidores que optariam por frequentar restaurantes que adotassem posturas socialmente responsáveis

Sim

94,4%

Não

1,9%

Indiferente

3,7%

Fica evidenciado que, se o restaurante adotar a prática de responsabilidade social, ou seja, se preocupa com seus colaboradores, com os investidores, com o meio ambiente, que adota posturas sustentáveis e que a cima de tudo contribui para a sociedade, possui grandes vantagens competitivas se comparada a organizações que visam somente seu lucro financeiro.

Para algumas empresas, a responsabilidade social pode ser vista como uma estratégia a mais para manter ou aumentar sua rentabilidade e potencializar o seu desenvolvimento. Isto é explicado ao se constatar maior conscientização do consumidor no qual procura por produtos e práticas que gerem melhoria para o meio ambiente e para comunidade, ou seja, o consumidor vai optar por comprar ou utilizar os serviços das organizações que se preocupam com ações que preservem os recursos ambientais e culturais, que contribuem para a redução da desigualdade social, que apoiam e até mesmo criam projetos sociais na comunidade.

Desta forma, para que o restaurante, de forma efetiva, incorpore a Responsabilidade Social em seu planejamento estratégico e possa usar essa ferramenta como competitividade no mercado, seguem algumas ações que podem ser desenvolvidas internamente e que irão caracterizam como um estabelecimento socialmente responsável.

· Desenvolvimento de uma cultura corporativa, com foco para o fortalecimento das relações de trabalho.

· Estabelecer uma campanha interna de conscientização, a fim de que os profissionais abracem a ideia e entendam que uma empresa socialmente responsável não se faz apenas com boa vontade da diretoria. Mas, que cada integrante precisa ter ciência de que ele pode contribuir para a responsabilidade social.

· Programar atividades que visem à melhoria contínua da qualidade de vida do trabalho.

· Transparência na comunicação interna/externa é fundamental para que a empresa conquiste a credibilidade junto aos seus profissionais e, consequentemente, os stackholders e a sociedade como um todo. 

· Enfatizar nas campanhas internas que ações socialmente responsáveis não correspondem a atividades filantrópicas.

· Disseminar as atividades desenvolvidas ao longo do ano, através de um Relatório sobre Responsabilidade Social. Vale ressaltar que este documento deve estar ao alcance da sociedade e também do público interno.

· Incorporar objetivos sociais em seus processos de planejamento.

Assim, tendo em vista os objetivos propostos para a execução desta pesquisa, e com os resultados obtidos através do tratamento estatístico dos dados, entende-se que as empresas devem trabalhar fortemente em seu planejamento estratégico no que tange o tema Responsabilidade Social, uma vez que, segundo Kotler e Keller (2006 p. 712) cada vez mais, as pessoas buscam informações sobre o histórico das empresas na área da responsabilidade social, atuação na sociedade e no meio ambiente, para com base nisso, decidir de quais empresas devem comprar, em quais devem investir e para quais devem trabalhar.

Por fim, cabe enfatizar que as empresas não podem se limitar a doações, ou mesmo, a apoio a programas sociais. É necessário que a responsabilidade social das empresas não esteja restrita a ações e atividades pontuais, elaboradas com a única finalidade de conquistar, manter ou recuperar uma imagem organizacional ou um cliente. Portanto, a viabilidade e a validade da ideia de responsabilidade social empresarial, enquanto ferramenta de competitividade seja aplicada também para a resolução dos problemas sociais e ambientais, de forma ética, com público organizacional e com os diversos stakeholders, beneficiando, desta forma, a sociedade como um todo.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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la Responsabilidad Social

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CORREA, S.; FERREIRA, A. Responsabilidade social: Aspectos menos visíveis de um caso de sucesso. In: Anais XXIV Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação em Administração, Florianópolis, SC, Brasil, 2000.

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