José Ribeiro in Comunicação e Jornalismo, Marketing e Comunicação, Imprensa Revisor de textos | Coordenador Editorial | Formador ||| Disponível para novos projetos • Freelancer Dec 15, 2016 · 1 min read · +300

Acordo Ortográfico – dupla grafia

Acordo Ortográfico – dupla grafiaO Acordo Ortográfico representa um esforço de simplificação e unificação da língua portuguesa.
De simplificação porque procura aproximar a língua escrita da língua falada, com vantagens evidentes para quem pretende aprender a quinta língua mais falada do mundo, conhecida pela sua dificuldade; mas também de unificação, pela tentativa de ultrapassar as diferenças existentes entre as duas grandes variantes ortográficas o português europeu (luso-afro-asiático) e o brasileiro.

Porém, o facto de o Acordo Ortográfico se fundar no critério fonético (pronúncia) – e não já no etimológico – leva a que as diferenças fonéticas, evidentes entre as duas principais variedades linguísticas portuguesas, tenham de ser tidas em consideração. Surge, assim, a figura da dupla grafia.

A dupla grafia apresenta-se, a meu ver, como a principal dificuldade criada/acentuada por este Acordo.
Essa dificuldade surge, desde logo, quando se tenta definir esta expressão, dado que encerra em si uma dupla vertente:

em sentido lato,  dupla grafia refere-se à admissibilidade das divergências fonéticas entre o português europeu e o brasileiro. Deste modo, serão aceitáveis, no universo da língua portuguesa, duas grafias para determinadas palavras (que traduzam a diferença de pronúncia), mas com recomendação de uso em cada país. Isto quer dizer que não é indiferente a utilização das duas formas, constituindo erro ortográfico o emprego da forma não recomendada. Por exemplo:


em sentido restrito, “dupla grafia” diz respeito à utilização, dentro de cada variedade linguística, de duas formas aceitáveis de uma mesma palavra. Apesar da existência, anterior ao AO, de palavras com grafia dupla (por exemplo, rescrever/reescrever, omeleta/omelete, carrossel/carrocel, cobarde/covarde), todos os casos de dupla grafia introduzidos pelo AO se relacionam com palavras que contêm consoantes (c e p) que oscilam entre o emudecimento e a pronúncia clara. Por exemplo:

E é nesta segunda aceção que a dupla grafia tem especial interesse, mas também constitui, quanto a mim, a principal dificuldade na aplicação do AO, em termos de aprendizagem e sobretudo de identificação das várias situações. A este propósito, refira-se que, pelo menos por agora, não há uniformidade relativamente à referência de alguns destes casos em diversos dicionários e no VOP – Vocabulário Ortográfico do Português (ILTEC).


Sobretudo para os profissionais de revisão, a tarefa não se apresenta facilitada no que concerne a este tema, quer na identificação das diferentes palavras de dupla grafia (em sentido restrito) quer na opção, em cada caso, pela forma mais aconselhável.

Apesar de tudo, as palavras consideradas como de dupla grafia são, em Portugal, relativamente poucas.


Alvaro Alvarado Pozuelo Dec 15, 2016 · #5

Boas tardes lein a sua publicasao e pareceme moi boa.Saudos

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José Ribeiro Dec 15, 2016 · #4

#1 Obrigado pelo feedback!

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José Ribeiro Dec 15, 2016 · #3

#2 Obrigado pelo seu comentário e partilha!

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Breno Barreto Dec 15, 2016 · #2

@José Ribeiro, obrigado por compartilhar essas valiosas informações! Estaremos atentos à espera de mais artigos. Cumprimentos!

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Juliana Almeida Dec 15, 2016 · #1

Mt bom

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