Lucila Egydio en Turista Profissional, Hotelaria, Gastronomia e Turismo, Hostelería y Turismo Consultora Autônoma • Raízes Desenvolvimento Sustentável 27/9/2016 · 2 min de lectura · 1,7K

LUSO AFINIDADE - Nossa língua, nosso elo, nossa identidade.

Por Lucila Egydio e Jussara Rocha

(originalmente publicado no site da raízes desenvolvimento Sustentável no link: http://raizesds.com.br/pt/desenvolvimento-sustentavel-lusoafinidade/)


LUSO AFINIDADE - Nossa língua, nosso elo, nossa identidade.


Isolados em uma América que habla español, nós brasileiros tendemos a não lembrar que há no mundo outros lugares onde nossa língua é falada em decorrência da mesma colonização. Em termos históricos, o processo de formação do Império Colonial Português reuniu motivos de ordem econômica, político-estratégica e também um forte intuito de evangelização. Mas não se pode negar que havia também a uma acentuada curiosidade cultural e científica. 

Como resultado desse longo processo histórico, vivemos na atualidade uma identidade cultural partilhada por oito países, cujo elo é o passado vivido em comum e uma língua que foi sendo enriquecida nessa diversidade, mas que se reconhece como una. Em oito países - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – e regiões (Goa, Damão e Diu, na Índia, e Macau, na China), uma comunidade de cerca de duzentos e quarenta milhões de pessoas fazem do idioma português uma das línguas mais faladas do mundo (ocupa o oitavo lugar!).

Esse processo deu origem ao conceito de “Lusofonia” ou de “Países Lusófonos”, formados pelo conjunto das identidades culturais existentes nestes países, esparramados em quatro continentes. As peculiaridades ficam por conta de, por  estar presente em um vasto território, mas de maneira descontínua, a língua portuguesa  ter herdado nuances consideráveis na gramática, pronúncia e vocabulário em cada local.

Mas viemos aqui para falar do que nos une, uma revelação trazida pela experiência da Raízes em Cabo Verde. Estar em outro país com raízes comuns nos mostra o quanto um processo histórico e de trajetórias parecidas nos favorece estar inseridos nesse universo.  A ancestralidade afro-lusitana comum traz de imediato uma sensação de reconhecimento e de familiaridade, que se evidencia por termos o mesmo porte, jeito, trato, feições, mescla de cores e tons de pele.

Este elemento de união favoreceu de forma determinante a integração das consultoras Raízes com os formandos e com as instituições parceiras do projeto “Rotas D’Aldeias Rurais de Santo Antão”, o que vamos definir aqui como “luso-afinidade”. Tão perto, tão longe...

Um sentimento que vai aos poucos se transformando quando verificamos como é possível estarmos mais próximos especialmente em trabalhos que transformam realidades muito parecidas. A experiência da RaizesDS em Cabo Verde no desenvolvimento do turismo sustentável na Ilha de Santo Antão mostrou como é possível romper barreiras geográficas e ampliar as conexões e afinidades culturais e históricas com expertises aplicadas a setores de desenvolvimento local.

No nosso caso, projetos de geração de renda e sustentabilidade no turismo, com metodologias de cocriação e geração de conhecimento inovador, ilustram bem a força e a possibilidade de resultados transformadores. Por isso estamos olhando além das fronteiras e nos aproximando de parceiros que também tem sentido a mesma necessidade de alianças estratégicas para o desenvolvimento sustentável. O apoio ao Portal Muxima, a parceria com as Rotas Solidárias de Turismo em Portugal são algumas dessas novas iniciativas. E outras estão por vir...

O mundo lusófono e sua incrível configuração social está aprendendo a ser mais ativo na nova economia e mais colaborativo entre si, rompendo a cada dia com as barreiras da dependência dos países colonizadores, não somente sob o ponto de vista da economia, mas principalmente pela reafirmação de sua identidade. O Brasil pode e deve ser um aliado expressivo dos países de língua portuguesa, em especial aqueles cuja ligação histórica está presente nos fortes laços de formação do nosso povo.

E para alcançar os objetivos de qualquer projeto comunitário a empatia é essencial. Uma vez que a Raízes tem em sua essência o desenvolvimento humano, a inspiração e o empoderamento, ter raízes comuns fortalece os vínculos criados e os resultados obtidos em cada ação.

Assim foi em Cabo Verde e temos certeza que será onde estivermos nessa ligação lusófona. Desde que chegamos, tivemos a sensação de estar em casa, o que fez de nosso engajamento com o desenvolvimento local algo visceral e não simplesmente técnico. Do início ao fim, independente das diferenças, foi possível reforçar essa proximidade histórica, nossa luso-afinidade, em prol das trocas, do compartilhar, do crescimento mútuo.

No presente temos tudo para estar mais perto! E Que assim seja!




Alguém (um intelectual que não me lembro agora…) falou certa vez que nós estávamos isolados do mundo pelo idioma português. Essa afirmação me pareceu sustentada em bases ideológicas das quais eu discordo, como se o “mundo” fosse formado apenas pelas economias mais importantes do planeta. Creio que é extremamente legítimo reivindicar nosso idioma e buscar fortalecer os laços como os outro países que compartilham conosco essa herança cultural! O projeto ‘Raízes’ me pareceu algo incrível! Obrigado por apresentá-lo @Lucila Egydio!

0

Minha Pátria é minha Língua.

+1 +1