MARCELO PARADINHA en PROFISSIONAIS EM ADMINISTRAÇÃO, beBee em Português, Desenvolvimento Humano Consultor Senior 15/11/2016 · 3 min de lectura · 1,9K

O MAIOR ACIDENTE RADIOLÓGICO DO MUNDO - ACIDENTE NUCLEAR DE GOIANIA -GO

O MAIOR ACIDENTE RADIOLÓGICO DO MUNDO - ACIDENTE NUCLEAR DE GOIANIA -GO

A fonte de Césio que deu origem ao maior acidente radiológico do mundo foi manipulada pela curiosidade de dois sucateiros que encontraram um aparelho de radioterapia, de um prédio abandonado da Santa Casa de Misericórdia.

A reconstituição da história, desde o rompimento da fonte até a contaminação de pessoas e do meio ambiente, começa no dia 13 de setembro de 1987.

Era de manhã, um domingo, quando os dois sucateiros, Roberto e Wagner, removeram a máquina em um carrinho de mão até a casa de um deles. Eles ignoravam o que era aquela peça de 100 quilos, estavam apenas interessados no que podiam ganhar com ela, vendendo as partes de metal e chumbo em ferro-velhos da cidade.

Os dois foram até a casa de Roberto, onde, sob uma mangueira, quebraram a máquina, a golpes de marreta, até encontrar uma peça de chumbo, na verdade, um cabeçote. Ali, se encontrava um cilindro metálico que encapsulava o Césio (Cs-137). Roberto e Wagner violaram o cilindro, expondo o Césio e entrando em contato com a fonte radioativa. Eram 19 gramas de Césio prensado que acabou se fragmentando com a pressão feita pelos dois.

As pedras de Césio, então, bem como o material obtido com a destruição de toda a peça, foram oferecidas a Devair, dono de um ferro-velho, conhecido de ambos. Foi o local onde a cápsula rompida permaneceu por mais tempo.

Sua mulher, Maria Gabriela, faleceu dias depois da interdição dos focos de contaminação.

A própria Maria Gabriela foi a primeira a relacionar os sintomas apresentados pelas pessoas da vizinhança, tais como naúseas, vômito, diarréia, dor de cabeça e febre, à presença daquele material desconhecido.

Mas isso só ocorreu no dia 28 de setembro, quando então ela mesma se encarregou de levar o que restava da cápsula à Divisão de Vigilância Sanitária , próxima do local do acidente.

No intervalo entre os dias 13 e 28, as pedras de Césio passaram pelas mãos de outras pessoas. Devair foi o primeiro a perceber, por exemplo, a luminosidade que a cápsula emitia, perceptível , principalmente à noite. O brilho atraiu sua curiosidade, fazendo com que a levasse para dentro de sua casa. O material foi distribuído entre parentes e amigos.

Dentre essas pessoas, estava seu irmão, Ivo que fora visitá-lo porque sabia que Devair estava doente. Na avaliação da família, ele estava com intoxicação alimentar. Na verdade, descobriu-se mais tarde que ele apresentava sintomas descritos pelos médicos como Síndrome Aguda da Radiação.