Marcos Siqueira Moura en Motivação e Inspiração, filosofia, Palestras Engenheiro Especialista e Consultor • Phenix Engenharia de Pesquisa & Solução 16/10/2016 · 5 min de lectura · +400

A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

  • A um tempo atrás, me deparei com uma publicação de José Davi Furlan intitulada “A ideia de felicidade no trabalho” e passei alguns dias com aqueles parágrafos rodando na minha cabeça e por fim achei que poderia completar ou dar uma continuidade reflexiva que servisse de ponte para mais avanços no tema.

    E como o lema é o que está na minha frase do meu caminhão, vamos em frente a partir do antepenúltimo parágrafo do texto citado, chamando para a reflexão uma contextualização filosófica onde começamos pelo conhecimento.A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Platão quando despejou para a posteridade sua obra “A República” com o Mito da Caverna, onde o mundo real é o mundo das ideias e o mundo das sombras é o mundo sensível (das coisas, materialidade, das aparências e das cópias). Sensível pelo que se vê e reflexionado a partir do mundo das ideias (ideias, formas, essências e originalidade). E o conhecimento começa naquilo que se vê, se toca, se sente o gosto, se ouve e até se sente o cheiro. Mas os cinco sentidos estão aí para formar a base do conhecer, proporcionando as condições para iniciarmos conhecer.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Para Platão, no Diagrama da Linha, quando fazemos a intersecção do universo das crenças com o universo das verdades, podemos obter o universo paralelo das crenças verdadeiras (conhecimento verdadeiro) e daí podemos extrair o lote do conhecimento verdadeiro justificado. A partir de várias teses, tem-se que o saber a partir do conhecimento acadêmico enseja teorias dentro dos limites gradeados nos universos citados e que dará formato às especialidades do conhecimento onde dentro deste temos as potencialidades da nossa formação acadêmica e que tornará o caminhar mais firme no meio em que se vive produtivamente. E quanto mais os universos aumentam, maior é a probabilidade da facilidade maior para o saber sustentável, formatando a plataforma do conhecimento intelectual. E cada vez que se soma mais conhecimento (teórico e prático), abre-se a possibilidade para a criatividade gerando com isso as ideias, quando confrontadas com o conhecimento verdadeiro justificado podem ensejar em inovação, que conforme a aceitação, viram cultura (qualitativo) e formatam valor (quantitativo).

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Quando somados aos conhecimentos; as virtudes, as atitudes e as expectativas, temos a lapidação de cultura e de valores. É claro que os valores e a cultura são influenciados pelo meio social em que o ser humano vive e trabalha, mas as virtudes não devem ser mutáveis por estas influências e sim auxiliatórias. Fazer observação sensorial também é produzir conhecimento do seu entorno e sobre si mesmo em relação ao entorno. Daí também temos a observação da verdade no interior da alma.

    E dentro das virtudes, encontramos o AMOR, que é a primeira das virtudes teologais que tem ainda a Fé (é um conhecimento que não decorre de nenhum tipo de comprovação) e a Esperança (é a interpretação, imaginação, de um fato que pode ou não acontecer e quando acontece, traz alegria).

    O Amor em Platão é desejo, e o desejo é por aquilo que falta ou pelo que não tem. E quando o desejo acaba, acaba o amor. E Platão chamou este amor de EROS.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Eros pelo conhecimento que não tem, pela pesquisa que não realizou, pelo procedimento que ainda falta, pelo diploma que não conseguiu, pela contratação de alguém que ainda não tem, por emprego melhor ou pelo prêmio nacional que não tem e almeja.

    Veja que todos os motivos deste amor profissional estão no dia a dia e cada vez que se consolida a conquista, parte-se para a próxima, e a próxima e mais outra e assim forma a cadeia da motivação.

    Mas o Amor de Platão não satisfazia Aristóteles e este disse que o Amor é alegria. Alegria por aquilo que já se tem, por aquilo que já se desempenha ou por aquilo que se faz. E esta alegria não se acaba porque ela se basta e se fortalece no esforço da preservação dos valores. E Aristóteles chamou PHILIA.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Philia pelo conhecimento que tem e se esforça para atualizá-lo, pela pesquisa que realizou e encontra nova maneira de apresenta-la, pelo procedimento que tem e atualiza a seu tempo, pelo diploma que tem honrando-o, por alguém que contratou e o respeita e o incentiva, pelo emprego em que está, pelo estar sempre proativo em inovar e pelo prêmio nacional que já tem e mostra que fez por merecer.

    Então veja que também todos os mesmos motivos anteriores podem estar da mesma maneira no dia a dia e cada vez mais também se consolida porque toda esta conquista te traz a alegria de ser “o” profissional, partindo sempre para aprimorar-se, e assim forma a cadeia do sucesso e do foco.

    Mas estes dois amores não bastavam e faltava alguma coisa que complementasse e desse sentido à vida na essência do amor. E veio O Amor em Cristo, onde o Amor é a felicidade pelo próximo, por abrir mão pelo próximo não se importando consigo mesmo. E a este amor, Thomas de Aquino chamou de ÁGAPE.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Ágape quando a preocupação com o próximo ou a equipe vai além dos próprios benefícios.

    E fecha-se o círculo do amor, onde em todos os motivos acima tem o ingrediente do próximo e da equipe. E quando estes três amores se encerram em um só indivíduo de uma forma muito transparente e estampada, normalmente este indivíduo é eleito o LÍDER da turma ou da equipe e fala por todos e defende a todos, não se importando com as consequências.

    E a presença equilibrada destes 3 amores formam o amor incondicional e perfeito em sua essência de ser humano e ser profissional. E quando a vida profissional é vivida com este amor incondicional, tem mais graça, é mais motivante, gera mais confiança e traz mais desejo, alegria e felicidade.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Talvez esteja aí a chave de start para as organizações se desafiarem e propiciar aos colaboradores o entendimento para converter desejo em alegria, espalhando para todos e compartilhando com todos a felicidade. Isso é contagiante e todos entram na famosa relação ganha-ganha.

    E quando encontrarmos e entendermos que o sentido das cifras, das metas e do cumprimento dos planejamentos estratégicos, está na nossa alegria de ter e ser e na alegria de todos que nos relacionamos dentro e fora da organização, aí sim tudo terá significado e estaremos no pleno amor incondicional pelo trabalho, pela carreira, pelo profissionalismo, pela produção, pela criatividade, pela inovação, pela execução e também pelo cliente. Aliás, este merece nossa verdadeira parcela de Ética e de autenticidade.

    É claro que neste caminho, pode haver turbulências tais como o assédio moral. Mas isto não pode jamais abalar as nossas virtudes e valores, e temos que honrar a nossa essência. Mas a palavra Amor está ligada ao conhecimento, já que só se ama aquilo que se conhece e se de repente aprendemos que tal pessoa se mostrou ao contrário da ideia que se tinha como base do conhecimento dela, não devemos ser subservientes e nem omissos ao racismo e à discriminação de qualquer espécie.

    Afinal, na reflexão de Pascal, numa análise interior do ser e suas relações sociais, Justiça e força são absolutamente complementares, onde em sua frase famosa: “A Justiça sem a força é Impotência e a Força sem a justiça é Tirania”.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    E compactuo com a frase do Profº Dr. e Filósofo Clovis de Barros Filho que diz: “O ideal é que a Justiça fosse forte e que a força fosse justa na mesma medida”.

    Mas outro dia, em uma de minhas palestras, me perguntaram:

    Professor!!! Quais os ingredientes para a felicidade no trabalho?

    Para você que é Engenheiro, não tem uma fórmula para uma vida feliz?

    E eu apresentei num tom de brincadeira esta figura da fórmula com cálculo integral.

    A Felicidade não é só uma questão de ESTAR, mas de TER para SER

    Mas em seguida respondi para o auditório:

    “É claro que a vida é mais complexa que uma fórmula. Para mim, eu observei que o que funcionou e funciona até hoje é o seguinte:

    • - Desejo demais o que me faz falta – O CONHECIMENTO, pois ele é a base para tudo e sobre tudo para o amor.
    • - O desejo não me basta e então me permito a alegria, me alegrando com o que já tenho e já sou, preservando e reformatando para manter a essência, e é claro absorvendo mais conhecimento.
    • - Me proporciono a felicidade de alegrar quem está a minha volta ajudando a entender, aconselhando no caminho a tomar ou não tomar e assessorando na tarefa em que sou especialista e posso adicionar. Isso me faz sempre a aprender mais. Pois só assim sempre terei que comemorar e com quem comemorar, afinal, a vitória deles sempre terá um pedacinho pequeninho para mim. E eles me chamam para a comemoração.
    • - Não seguro os meus ímpetos juvenis quando estes se encerram em proatividade e do nada faz surgir uma pesquisa nova, um procedimento novo, um plano de gestão para tal coisa ou um artigo para elucidar questões.
    • - Sou sempre ético e justo, estando disposto a lutar para que um colega ou a equipe não erre ou não seja prejudicada.
    • - Sigo os valores, visão e missão da organização, mas nunca esquecendo e nem ferindo os meus próprios. Por isso, uno os dois, o meu e o da organização.
    • - Da mesma maneira que a cerveja tem gosto de cevada e é isso que se espera da cerveja, a minha vida profissional tem gosto de felicidade e é isso que todos os meus amigos, colegas e clientes esperam ver nos meus olhos, que brilham pelo amor, pela ética e na moral pela minha profissão, palestras, pesquisa e a dádiva da virtude do ensino”.

    E podem me perguntar se isso funciona para todos e eu digo que não. Funciona para mim. No caso de cada um, deve achar aquilo que funciona individualmente para si próprio.

    E Nietzche em sua obra Assim falava Zaratustra, onde cita: “Viva de tal maneira a desejar a eternidade daquele instante”. E este instante vai te transformar e te passar para um estado mais potente do teu próprio ser – A Eudaimonia, que está além da felicidade, que se traduz naquele instante que não gostaríamos que acabasse, porque o exercício das virtudes e potencialidades, no espaço e tempo, com a produção corroboraram para tal.

    E chego à conclusão de que a felicidade não é só ESTAR alegre, mas também é TER conhecimento e amor para SER feliz com a média dos picos de alegrias e tristeza durante determinado tempo (vida), em que sua resultante tem um valor edificado com os instantes eudaimonicos na vida e na profissão. E o valor edificado está em fazer o bem ao próximo, ter solidariedade, humildade, ser generoso, deixar um legado e ajudar ao próximo no seu legado. Mas eu não chamo isso de paixão e sim de amor, pois não se acaba como o primeiro, é revigorante em si mesmo, contagia no seu entorno e é persuasivo tão somente pela imagem que se forma em sua essência. Sobrepondo a frase de Heigel, “nada maravilhoso no mundo foi realizado sem amor”. E como diria meu Profº Marco Aurelio Ferreira Vianna, “nossa missão de vida é tentar ajudar seres humanos a buscar sua felicidade, seus momentos de felicidade, e principalmente se encontrar”.

    Isso sim é A Felicidade de ESTAR, mas muito mais de TER para SER.

Marcos Siqueira Moura 17/10/2016 · #4

#2 Obrigado Xará!!! Exatamente porque Felicidade exige consciência. E quando ela é uma consciência na presença e hegemonia com o todo, ela vira uma Eudaimonia.

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Marcos Siqueira Moura 17/10/2016 · #3

#1 Isso mesmo Tifany! Até porque só se ama aquilo que se conhece.

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Muito bom @Marcos Siqueira Moura! Numa sociedade em que a palavra “Ter” normalmente vem associada a acumulaçao de bens materiais, é importante que se diga que conhecimento e amor também são os verdadeiro “bens” que se pode Ter. E, mais que isso, são os bens para promover nosso crescimento necessário como indivíduos mais conscientes de nós mesmos.

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Tifany Rodio 17/10/2016 · #1

Bacana reflexão, @Marcos Siqueira Moura. Ter conhecimento para aprender das experiências passadas e saber reagir com mais sabedoria às adversidades da vida e ser feliz. Um abraço.

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