Mauro Barbosa in Trabalho Social - Serviço social, Estudantes, beBee em Português Escritor • Chiado Editora Aug 13, 2019 · 2 min read · 1.2K

Envelhecer

Envelhecer

Se me fosse dado o poder de escolher como envelhecer, e não falo chegar aos sessenta, porque essa marca já atingi. Falo de longevidade, oitenta anos em diante.

Gostaria de ser um longevo com qualidade de vida, mente ativa, trabalhando. Vejam o Brasil, por exemplo. De repente envelheceu. Se não me engano é o quinto país com mais idosos no mundo. E os há circulando por todo canto. As vagas destinadas a eles em estacionamentos mais que triplicaram. Os lugares no transporte público idem. Sem contar as ligações inconvenientes que aposentados recebem à mancheia de financeiras oferecendo empréstimo consignado. É um atentado à privacidade e liberdade. Se o idoso desejar, ele procura o serviço. 

Ter longevidade com qualidade, este sim é o ideal a atingir. Poder cuidar de si, curtir netos, conquistar uma certa tranquilidade na vida, não dar tanta  bola sobre o que pensam ou não deles. Enfim, ser longevo pode e deve ter suas vantagens.  

Acontece que, particularmente no Brasil, um país dividido e corrupto, onde o dinheiro público escoa por mãos gananciosas, o idoso não tem apoio médico ou social, deixando todo o encargo nas mãos de filhos, muitos deles também idosos e sem tantos recursos financeiros. 

A família cuida, dá amor, atenção, etc. Mas há coisas que exigem qualificação. E isto custa dinheiro, já que o Estado não provê. Um home care, uma enfermeira, cuidadora, etc., é custoso e difícil. Pais de filhos jovens e com pais idosos, são como conchas que ficam entre o mar e a rocha. 

Muitos longevos o são sem qualidade. Por mais que a medicina avance com intuito de conseguir mais e mais tempo de vida, isto é para poucos. Somente os agraciados com vigor e os que possuem dinheiro para arcar com um bom plano de saúde, por exemplo. Outra agonia para o idoso. O povo, em geral, sofre em filas de hospitais públicos ou não são tratados dignamente em abrigos despreparados. 

Sendo assim, todo o ônus de cuidar recai sobre as mãos dos familiares - e às vezes nem os há - que se desdobram até a exaustão física e emocional. Algumas vezes, como consequência de muito desgaste, gera-se o esgarçamento dos laços familiares, que antes pareciam indissolúveis. 

É preciso igualmente ensinar jovens e adultos a lidar com os idosos, bem como prepará-los para quando chegar o momento deles. Ninguém gosta de falar ou pensar que um dia irá envelhecer e, quem sabe, talvez, precisar de ajuda para coisas mínimas, como levantar um copo ou tomar um banho. 

Não se iludam os jovens e aqueles de meia idade. Acontece, e com uma frequência cada vez maior. É preciso saber viver e aprender a envelhecer bem. Existe idoso(a) que não aceita a nova situação. Quando um familiar admoesta zeloso: o senhor(a) precisa usar um andador, uma bengala, cadeira de rodas" muitos retrucam: "não preciso. Não sou velho(a) nem aleijado(a)". Se tornam crianças em corpos envelhecidos, sujeito a todo tipo de doenças próprias da idade.

Abandonar nunca, mas o amor sozinho nem sempre resolve. Se o Estado não faz a parte que lhe cabe neste latifúndio, cabe a nós sermos solidários com os filhos ou responsáveis que fazem de tudo para encontrar a melhor maneira de lidar com uma situação cada vez mais comum.

E que pode acontecer com qualquer um. Queremos chegar aos 90 tal qual jovens travessos, desejosos de aproveitar o que resta com alegria e dignidade. 

Aos netos: ouçam a sabedoria dos avós enquanto eles estiverem próximos. É uma benção tê-los por perto. Para encerrar, uma dica aos que já passaram dos "enta". Se você acordar com uma dorzinha aqui ou ali, não reclame, agradeça. Um médico certa vez disse: "Se depois dos cinquenta anos, você acordar de manhã sem sentir dor nenhuma, faça uma prece. Nunca se sabe não é?". 

Acordou com uma dorzinha na lombar? Graças a Deus! 

 


Mauro Barbosa 5 d ago · #2

Obrigado Shara! 🙏

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Shara S. Queiroz 5 d ago · #1

Sensacional! #envelhecer #MauroBarbosa

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