Marco Ribeiro en comportamento, saude, Ciclismo Colunista e editor de conteúdo. • Freelancer 18/5/2016 · 2 min de lectura · +500

O que o ciclismo me ensinou sobre resiliência

O que o ciclismo me ensinou sobre resiliênciaPratico esportes desde que me conheço por gente. Assim como a maioria das crianças, tudo começou com a primeira bicicleta e o desejo de liberdade ao aprender a equilibrar-se sobre duas rodas e desbravar o mundo. 

Muito antes da tendência do ciclismo como meio de transporte alternativo, já fazia uso deste para ir e voltar ao trabalho, lá por volta dos anos 90. Com isso, fui tomando interesse pelo esporte e aprendendo a superar medos e desafios relacionados ao ciclismo enquanto modalidade urbana de transporte.

Meu filho praticamente cresceu em uma cadeirinha de bicicleta, onde fazíamos passeios divertidos e no qual o cansaço era convertido em prazer para ambos. Ele, por vezes dormia, enquanto eu pedalava pelas ruas de Porto Alegre e em algumas situações me via empurrando a bicicleta para não atrapalhar seu sono. Hoje ele é um rapaz adulto, mas com a veia do esporte fervilhando em seu corpo e mesmo não sendo ciclista como eu e minha esposa, dedica seu tempo à prática do street skate e do futebol.

Após algum tempo afastado do ciclismo, retornei com o objetivo de voltar a praticar uma atividade esportiva, já que estava com sobrepeso e alguns riscos iminentes de saúde. Coisas de histórico familiar. Então em um determinado momento, quando trabalhava em uma empresa a uns quatro quilômetros de minha casa, resolvi que voltaria a pé diariamente, para melhorar meu condicionamento e perder peso. O que deu super certo.

Após algum tempo caminhando e as vezes correndo, resolvi adquirir uma bicicleta para enfim ir e voltar pedalando ao trabalho. E após esta período, não mais parei de pedalar. Com o tempo fui melhorando meu condicionamento, perdi 10 quilos e voltei a velha forma, afinal sempre pratiquei esportes (skate, surf, artes marciais, corrida e ciclismo) mas após casar-me, abandonei tudo por puro comodismo. Retornando à estas atividades após 15 anos do mais puro sedentarismo. 

Hoje, não consigo me imaginar ficar um dia sequer sem pedalar (fico literalmente de mau humor) e tenho minha esposa como companhia de pedaladas e já participamos juntos de um desafio ciclístico e fizemos uma viagem ao litoral somente para pedalar entre algumas praias pela beira mar.

Com o ciclismo aprendi que o medo e o cansaço são parte de qualquer desafio e devem ser superados. Tive medo de trânsito, assim como minha esposa, de câimbras, de não conseguir subir ladeiras, de ficar empenhado no meio de um trajeto por problemas mecânicos e principalmente de ser assaltado.

Mas com o tempo percebi que nada disso é impedimento para deixar de pedalar e sentir o vento no rosto e mesmo estando um calor de rachar, um frio de congelar os ossos ou uma chuvarada digna de fim de mundo, nada disso me impediu que praticar a modalidade esportiva que mais me motiva e serve como terapia. O ciclismo.

Graças ao ciclismo, abandonei antidepressivos, remédios para dormir, ansiolíticos e antialérgicos. Aprendi a comer direito, beber mais água e menos refri e dei adeus a uma dor de cabeça crônica e a rinite alérgica. O ciclismo trouxe mudanças não somente para mim, mas para minha família, que também entrou no ritmo do autocuidado e da busca pela qualidade de vida. Além disso, este esporte serviu de motivação para que eu e minha esposa nos mantivéssemos cada vez mais unidos, mesmo após 20 anos de casados. Hoje somos parceiros de esporte e inclusive temos projetos de vida, que incluem o ciclismo como mola propulsora para uma vida longa e saudável.

Não importa o momento ou a situação. Pedalar para mim ainda é o melhor remédio contra os males da alma. Meu corpo, minha