Paulo de Tarso Ferreira Corrêa .´. en beBee em Português, Desenvolvimento Humano, Psicologia Chefe escoteiro • União dos Escoteiros do Brasil 4/11/2016 · 2 min de lectura · 3,1K

Peter Pan e a Sombra

Revirando meus escritos encontrei este que gosto muito e decidi por compartilhar.

Peter Pan e a Sombra

Sempre gostei de contos, histórias, filmes e fantasias. Algumas tem mais outras menos, mas todas tem algo a ser analisado e a ser compreendido. 


Um conto que tem muita coisa a ser analisado é a história de um menino que se recusava a crescer, Peter Pan. Claro, a primeira coisa que nos vem à cabeça é o fato do não querer crescer. Mas não é isso que me atraiu neste momento. Gosto muito de uma cena onde, logo no início do desenho, clássico da Disney, a menina, Wendy, está tentando costurar a sombra de Peter em seus pés. Para quem não viu o desenho, Peter vem a Londres atrás da sua sombra, que fugiu, e assim vai parar no quarto das crianças.

Ele consegue capturar sua sombra, mas precisa de ajuda para a costurar aos pés e assim ter novamente o controle sobre ela. Esta única cena da margem a muitas ideias.Peter Pan e a Sombra

Na teoria de Carl Gustav Jung, a Sombra é o centro do inconsciente pessoal, núcleo do material reprimido da consciência. A grosso modo falando, é a nossa parte “negativa”, aquilo que repudiamos em nós mesmos. Parte importante do processo analítico terapêutico é compreender e confrontar esta Sombra, este material, e assim “diminuir” o tamanho dela trazendo o material negativo (reprimido) a consciência. No caso da cena relatada do desenho, o Peter Pan está dissociado de sua sombra, de sua parte negativa, não está completo, não é possível termos apenas um lado, precisamos de equilíbrio entre o bom e o mau para podermos ter o equilíbrio psíquico. E neste caso Peter estava desequilibrado, tanto que ele busca sua sombra e precisa de ajuda para tê-la de volta.

Ficando completo e podendo então voltar a terra do nunca para continuar sua luta contra o temido capitão gancho, que podemos compreender como a figura paterna de Peter, o adulto, o pai, aquele com quem ele duela.

No desenho, Peter nos mostra seu processo de amadurecimento, ou de individualização de forma muito rica. Primeiro ele precisa encontrar sua sombra novamente. Depois, quando volta a terra do nunca acompanhado de Wendy e seus irmãos, ele os apresenta para os “meninos perdidos”. Logo, Peter e os meninos