Agregação de Valores

Dias atrás estava em uma rede social e deparei-me com um artigo do Silvio Meira, um pesquisador de Engenharia de Software e mantém um blog de sua autoria. Dizia ele, respondendo a um questionamento de leitores, por que a classe de programadores ganhava tão mal pois, dizia o mesmo, que o software seria a profissão do futuro. Silvio então deu exemplos da educação no Brasil em termos de qualificação. No país não há cursos técnicos específicos para a área e como são funções que não exigem cursos superiores, pessoas formadas que trabalham como programadores, ganharão como se fossem técnicos.

De certa forma ele não este errado! Se a função não me exige muito intelectualmente, não há necessidade de se pagar pela qualidade de responsabilidade, como poderemos verificar no meio da área de Tecnologia da Informação.

Se fizermos alusão a profissão de pedreiro, sua responsabilidade por “colocar a mão na massa” não interfere diretamente na qualidade da estrutura daquilo que está sendo construído, ficando à cargo do mestre-de-obras, engenheiros e daqueles que têm uma visão mais técnica do assunto. Mas isso não quer dizer que seja fácil ser pedreiro, apesar de não exigir um conhecimento técnico de ensino superior para isso. Em meados dos anos 2000, surgiu aquela demanda por mão de obra da construção civil acarretando no “encarecimento” da prestação de serviços de pedreiro, mestre-de-obras, engenheiros... Opa! Mas aí a mão-de-obra de todos encareceram! E a diferença de responsabilidade para os profissionais mencionados de certa forma é grande!

Se contextualizarmos com os Profissionais de Ti, verificamos que não há tanta diferença de responsabilidade quando se tratam de projetos, empreendimentos e soluções que custam milhares ou milhões de Reais para o mercado de trabalho.

Quem já trabalhou com projetos de engenharia como eu, verificou que o serviço, apesar de ser único, que há início, meio e fim, nas definições do gerenciamento de projetos, mensura-se pelo custo unitário da menor unidade de medida. Ou seja, acaba tornando-se padrão e aplicável nos valores que serão pagos pela prestação dos serviços. Todos sabem que a obra custará o que realmente vale! Mas isso não ocorre na área de Tecnologia da Informação.

Como não é tangível, o cliente acredita que paga muito caro pelo ROI (Return On Investment; ou retorno sobre o investimento em português), sabendo que é uma área extremamente estratégica para o negócio. Mesmo com tantos artigos, textos, livros, trabalhos acadêmicos, não se coloca esse valor agregado à mão-de-obra desse profissional. Ou seja, parece que pesquisas não valem de nada para a área de TI.

Têm-se muitos donos de consultoria que nunca utilizaram um Gerenciamento de Projetos , aplicando somente as experiências de casos anteriores para determinar custos, gerenciar pessoal, estratégia dentre outras.

Nessas estratégias “infundadas”, peca-se por não mobilizar o capital humano na forma de agregar valor. Exemplificando: Parece que os Profissionais de Tecnologia ganham muito bem aos olhos do cliente, sendo um sujeito bastante estudado e a forma de descapitalizar esse mesmo profissional, tirando a oportunidade de querer continuar atuando na área, pois na visão desses mesmos empresários é ter seu enriquecimento eminente e fugaz.


Clovis Sena 18/5/2016 · #4

realmente, eu mesmo estudo tecnologia da informação e apesar de ser um campo de estudo bacana a remuneração é muito ruim...

para melhorar somente quem consegue uma pos graduação em alguma área e/ou trabalha com algo muito especifico, como treinamentos da Oracle / MS / Testes de Soft, Banco de Dados, etc...(que tambem são muito caros para fazer e tirar as certificações...e empresa nenhuma vai querer pagar para você se certificar...)

até existem cursos técnicos para programador, mas a formação no geral não é boa e as empresas prefere contratar o pessoal que sai da faculdade a procura do primeiro emprego, mão de obra boa e barata...

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Pedro Barbosa 18/5/2016 · #2

#1 Obrigado @Breno Barreto! Contribuindo sempre nos agrega valor!

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Breno Barreto 18/5/2016 · #1

@Pedro Barbosa, excelente reflexão! Silvio foi "o cara" do C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) durante muitos anos, é um craque.

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