RITA COSTA en Moda y belleza, Social Media, Professores e Educadores PROMOTORA DE VENDAS 12/10/2016 · 2 min de lectura · 1,6K

Chegará o dia em que seremos todos considerados doentes mentais?


Amigos do beBee compartilho este importante artigo pois acredito que muitos em algumas situações já se perguntaram sobre loucura. Vivenciando um momento, resolvi procurar explicações sobre certas loucuras que algumas pessoas se encontram e se perdem ao ponto de se empenharem em deixar o outro do mesmo jeito dele, completamente louco, transtornado, um doente mental.

Vejam e confiram:

Chegará o dia em que seremos todos considerados doentes mentais?

De tempos em tempos, fala-se sobre uma nova doença mental que tem relação direta com o consumo de medicamentos. Parece até que chegará o dia em que todos vamos ser considerados doentes mentais.

O médico Allen Frances  critica duramente o manual onde são descritas as doenças psiquiátricas, já que ele considera que o material colabora com a crescente medicalização da vida.

Na opinião do doutor Frances, o mundo não soube deter o impulso agressivo das empresas farmacêuticas para introduzir novas doenças mentais — e assim vender mais remédios.O resultado foi uma explosão diagnóstica que provoca muitos danos, especialmente na psiquiatria infantil.

“Não soubemos nos antecipar ao poder da indústria farmacêutica para fazer com que médicos, pais e pacientes acreditem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução“, assegura Frances.

O médico relata, a partir de sua própria experiência, que, ao ampliar tanto a lista de patologias psiquiátricas, ele mesmo se reconhecia em várias delas. “Esqueço as coisas com frequência, então certamente sofro de algum nível de demência. De vez em quando como muito, então provavelmente sofro da síndrome da alimentação compulsiva, e como a tristeza que senti após a morte da minha mulher durou mais de uma semana — e ainda persiste -, devo ter caído numa depressão”.

Só com isso, consegue-se criar um sistema diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais. E isso é um grande absurdo.

A partir do momento em que os laboratórios farmacêuticos tiveram permissão para fazer publicidade de seus produtos, essas empresas vêm enganando o público fazendo crer que os problemas podem ser resolvidos apenas com algumas pílulas — afirma o pesquisador.

O doutor Frances assegura que os medicamentos são necessários nos transtornos mentais graves, mas não ajudam nos problemas cotidianos, e sim o contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe um tratamento mágico para quem se sente mal consigo mesmo.

Outra informação que nos surpreende é que, entre as crianças em tratamento, há mais de 10 mil com menos de três anos de idade! Os melhores estudiosos estão horrorizados. Parece que perdeu-se o controle, e isso tem ares de selvageria e crueldade.

Com respeito à medicação dada às crianças em idade escolar, Frances explica que, num primeiro momento, não existe evidência a longo prazo que os remédios contribuam na melhora dos resultados escolares. Por outro lado, ele considera que as crianças estão sendo cobaias de uma experiência, pois ainda não se conhecem os efeitos colaterais que podem vir com o passar do tempo.

“Precisamos aceitar que as crianças são diferentes entre si, e que nem todas cabem numa forma de normalidade que tornamos cada vez mais restrita. É muito importante que os pais protejam os filhos, mas do excesso de medicação“.

O ser humano sobreviveu milhões de anos graças à capacidade de enfrentar as dificuldades e superá-las. Uma cultura que lança mão das pílulas diante de qualquer problema reduz a capacidade de encarar o estresse, gerando uma sociedade fraca diante de qualquer adversidade.

Além disso, quando tratamos qualquer processo banal como se fosse uma doença,diminuímos a dignidade daqueles que realmente sofrem com graves enfermidades.

Outro ponto abordado pelo doutor Frances é que é muito fácil chegar a um diagnóstico equivocado, mas é muito difícil reparar os danos causados tanto no âmbito social, pelo preconceito encarado com a pecha de doente (ou de louco), como pelos efeitos colaterais que podem ser causados pelo próprio medicamento.

“Felizmente, cresce uma corrente que critica estas práticas. O próximo passo é conscientizar as pessoas de que medicina demais pode ser ruim para a saúde“, afirma Frances.

Ainda segundo o médico, uma mudança cultural é possível, tomando como exemplo o hábito de fumar: há 25 anos, 65% da população norte-americana fumava. Hoje, o hábito caiu para menos de 20%, sendo um dos maiores sucessos da saúde pública da história recente.

Para finalizar, o doutor Frances conclui que é necessário trabalhar para conseguir mudar a atitude das pessoas. Que, em vez de ir a um médico em busca de um remédio para um inofensivo mal-estar, tenham uma atitude mais cuidadosa: que questionem seus médicos sobre os remédios prescritos, seus benefícios e feitos colaterais, e perguntem sobre outras alternativas.

Desta forma, quando o paciente mostra uma atitude mais resistente, torna-se mais próvavel que o medicamento indicado seja o mais correto.

“E é preciso mudar os hábitos de sono! A sociedade sofre de um grave problema de insônia, e isso provoca ansiedade e irritabilidade. O cérebro elimina toxinas durante o sono. As pessoas que dormem pouco têm problemas, tanto físicos quanto psíquicos“, alerta o doutor Frances.