Sergio Weinfuter en beBee em Português, beBee en Español, Professores e Educadores Escritor • Editora Biblioteca 24 horas 17/12/2017 · 3 min de lectura · 2,2K

Os sete anões de Auschwitz


Os sete anões de Auschwitz

                                                Imagem: https://www.mdig.com.br/index.php?itemid=35660



Apesar do nazismo ter sido uma praga que envenenou a sociedade alemã no século XX e continua a envenenar muitos ainda no dia de hoje, alguns milagres aconteceram, em meio a toda crise da Europa, que deflagrou a Segunda Guerra Mundial. Muitas pessoas foram mortas e outras tantas mutiladas que carregam sequelas múltiplas para o resto de suas vidas, porém algumas sobreviveram devido ao gosto excêntrico de algum comandante nazista.


Essa história se desenrola com uma família de anões que tinham tudo para serem exterminados pelos nazistas, mas não foi o que aconteceu. Estamos falando da família Ovitz, que sobreviveu inteira ao nazismo graças a um dos homens mais perversos da história: Mengele. O cruel médico que utilizava cobaias humanas para seus experimentos e pesquisas, não somente cuidou desta família como também foi o responsável direto por ela ter sobrevivido ao holocausto.


A história deles é fantástica desde o início, porém segundo Nogueira (2013) “Os historiadores do Holocausto costumam ser cuidadosos com os testemunhos de sobreviventes, que podem se equivocar quanto ao desenrolar dos fatos no tempo, esquecer acontecimentos importantes ou incorporar situações alheias. A vergonha, o medo, o terror e o trauma passam a fazer parte da memória.” É claro que isto não é de estranhar, pois devido aos maus-tratos, trabalhos forçados, falta de comida e água, levaram muitos aos seus limites, confundindo a realidade com a fantasia.


Mas a história da família Ovitz é diferente e “De todas as histórias absurdas desse período, poucas são mais incríveis que a dos sete anões de Auschwitz: uma família romena, de nome Ovitz, que conseguiu passar pelo célebre campo de concentração por causa de sua deficiência.” (Nogueira, 2013) Porém diferentemente dos demais que passaram por este terrível campo de concentração e extermínio, eles foram melhores tratados e suas vidas poupadas.


A saga desta peculiar família começou muito antes do nazismo tomar conta da Alemanha. Eles eram naturais “[...] do vilarejo de Rozavlea, na Transilvânia. O pai, anão, teve dez filhos, sete deles verticalmente prejudicados. A mãe, preocupada com o futuro deles, vendo que tinham talento artístico, fez com que montassem um grupo, a Trupe Lilipute.” (Nogueira, 2013) A sobrevivência não era fácil nessa época, muitas pessoas estavam vivendo nas ruas, mendigando para poderem sobreviver.


Porém a família Ovitz seguia com suas vidas e “Nos anos 30, fizeram sucesso na Europa Central, cantando, dançando e estrelando esquetes. A mais nova, Perla, tocava um violão de quatro cordas. O mais velho, Avram, era roteirista e diretor. Ainda havia Rozika, Franziska, Frieda, Micki e Elizabeth. Os maridos e mulheres deles entravam imediatamente no time para ajudar no que fosse necessário. Moravam todos juntos, numa comunidade.” (Nogueira, 2013)


Viviam literalmente tranquilos, apresentando-se onde eram convidados, porém “Quando Hitler tomou o poder, eles estavam duplamente condenados: primeiro, por ser anões (os nazistas tinham um programa de eutanásia para deficientes físicos e mentais, de modo a preservar o arianismo); depois, por ser judeus.” (Nogueira, 2013) As vidas desta família tinha tudo para serem exterminadas para sempre, interrompendo sua gloriosa saga de sobrevivência na terra, mas o improvável aconteceu.


Presos pelos soldados nazistas “Em maio de 1944, os Ovitz foram mandados para Auschwitz – os sete anões e os cinco normais. Ao vê-los, os soldados imediatamente identificaram uma oportunidade de agradar o médico que estava colecionando o que chamava de aberrações – gêmeos, corcundas, gigantes, hermafroditas, obesos etc. Não pensaram duas vezes. Apesar de ser noite, sabiam que ele gostaria de ver aquelas pessoas.” (Nogueira, 2013) E não estavam enganados!


Logo que chegaram ao recinto e foram apresentados ao médico Josef Mengele, adotou-os para seu circo de horrores. “Eu fui salva pela graça do demônio”, disse Perla Ovitz. (Nogueira, 2013) Diante de todas as probabilidades e nem uma possibilidade de sobrevivência, a família novamente deu a volta por cima e continuaram todos vivos e juntos. Devido ao macabro jogo de Mengele e sua obsessão por cobaias humanas inusitadas, a família sobre sua proteção sobreviveu ao holocausto e pode contar a sua história.


Especialmente neste campo de concentração nazista “Os soldados da SS eram brutais com os prisioneiros, mas não com os Ovitz. Como não havia outra família de anões, Mengele era um pouco mais cuidadoso com a trupe.” Diferentemente dos demais prisioneiros que estavam morrendo a míngua por falta de água e comida e contaminado por doenças, “Os Ovitz dispunham de rações mais fartas, podiam usar as próprias roupas, não raspavam o cabelo. Alguns dos prisioneiros que os viram no campo achavam que estavam tendo alucinações.” (Nogueira, 2013)


Mesmo com a proteção do famigerado médico eles tinham que contribuir com algo e desta forma “Viraram uma atração dos encontros noturnos dos chefes de Auschwitz (os kapos). Uma cantora lembra que o programa dessas saturnálias incluía foxtrote, casais do mesmo sexo dançando, homens e mulheres bêbados rindo, contando piadas sujas. Os anões eram parte do cenário, acompanhando a orquestra batendo as mãos e os pés.” (Nogueira, 2013) Nada de moleza para eles também e suas vidas dependiam disso, mas era muito melhor do que acontecia aos seus conterrâneos no interior do campo nazista.


Com o fim da segunda guerra mundial e a libertação dos campos de concentração nazista “Os Ovitz viraram uma lenda. Livros de sobreviventes diziam que eles foram executados todos juntos ao lado de uma vala; que o bebê do grupo teve sua cabeça esmagada na parede por um oficial (um expediente comum); que fugiram.” (Nogueira, 2013) Pura lenda!


Na verdade nada disto aconteceu “[...] a família escapou com vida. Em 1949, foram para Israel. Lá fizeram seu último show, em 1955. Perla morreu aos 98 anos. Tudo graças à sorte, ao imponderável, às suas características físicas – e, principalmente, à curiosidade doentia de um dos homens mais perversos da história.” (Nogueira, 2013) Desta forma a saga improvável desta família se transformou em uma das maiores histórias de sobrevivência ao nazismo, um retrato vivo da proteção do inesperado, de algo que ninguém poderia prever.


Ser protegida por uma dos mais perversos nazistas, um dos mais cruéis médicos da história humana, que tinha o prazer de ver suas vítimas gritando, implorando por suas vidas, nem a ficção poderia prever tamanho desenlace. Mas isto realmente aconteceu, todos sobreviveram ao campo nazista e seguiram com suas vidas, após o fim da Segunda Guerra mundial.


Meu blog:

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Para saber mais:

NOGUEIRA, Kiko. A incrível história dos sete anões de Auschwitz. Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-incrivel-historia-dos-sete-anoes-de-auschwitz/ Acesso em: 16/12/2017



Sergio Weinfuter 18/12/2017 · #2

#1 Gracias @Anabel Timor Tornero.

+1 +1
Anabel Timor Tornero 17/12/2017 · #1

Una historia increíble. Excelente post.

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