Tifany Rodio en Profissionais Administrativos, beBee em Português, Professores e Educadores Content Manager • beBee 27/9/2016 · 3 min de lectura · 1,6K

A arte de educar os filhos - Entrevista com Denise Da Vinha Ricieri parte 2

Se você leu a parte 1 desta entrevista, já sabe que Denise da Vinha Ricieri é uma pesquisadora acadêmica super engajada em adotar e disseminar metodologias de ensino verdadeiramente eficientes e coerentes com o perfil do aluno da atualidade.


O que você ainda não sabe é que Denise despertou sua paixão pela área da Educação durante a criação dos seus 4 filhos! 


"Descobri isso quando meus filhos começaram a estudar. Tentar oferecer a eles experiências melhores ainda que aquelas que meus pais me proporcionaram expandiu minha veia de Educadora. Passei a perceber a Aprendizagem ao invés do Ensino, e essa troca de percepção fez (e faz) toda a diferença do mundo, até hoje." 


E a educação, começa mesmo em casa?


"Ninguém educa por decreto, por imposição, por obrigação, nem por discurso. Isso é lenda urbana. Você pode obrigar seu filho a frequentar mil aulas no contraturno, mas se não houver exemplo, espelho e parceria (você e ele, sentados lado a lado para superar as dúvidas e os problemas), você só encherá os horários dele de enormes vazios de significados."


Notas são parâmetros importantes, mas não são essenciais. Essencial é o significado que você consegue imprimir aos desafios do aprender a aprender. Porque eu preciso aprender isso? Dê significado, e ele superará suas expectativas." 


Quando se estimula o raciocínio, o aprendizado é orgânico!


A partir daqui, Denise nos conta um episódio durante a infância de seus filhos. Inspire-se e tire conclusões de que tipo de educação você quer passar como pai ou mãe a seus herdeiros :)


A arte de educar os filhos - Entrevista com Denise Da Vinha Ricieri parte 2


"Tenho gêmeos, que à época estavam com 9 anos, uma menina de 7 e a caçula com 2 anos. Em casa havia uma peculiaridade: desde muito novos, o melhor presente para eles eram canetas e lápis coloridos, e muitos, mas muitos papéis. Todos desenhavam, mas os gêmeos tinham muito talento e desenhavam para os colegas também. Era a época do lançamento do desenho Pokemón, e eles me pediram um pôster que acabara de ser lançado. 


Então negociamos: eles foram comigo à revistaria para conhecer quanto custava todo o material que eles usavam (e muito, já que desenhavam para os colegas da escola e do condomínio). Compramos o pôster e todo o material de desenho para eles reproduzirem os tais bichinhos. Mas havia uma condição: pedi que eles cobrassem 50 centavos para os desenhos que faziam (eram muitos, acreditem!) para poder repor ao menos os papéis. 


Os dias se passaram, semanas, e eu só vendo desenho de Pokemón para todo lado, de todas as formas e cores! Mas... Peralá, disse eu umas duas semanas depois. Eu passei pela locadora de vídeo, onde tinha uma conta para que eles pegassem fitas de videogames e eu pagasse a cada quinzena, e surpreendentemente (pela primeira vez em anos!) não havia retiradas e nem contas para pagar. Algo muito surreal estava acontecendo, pois eu continuava vendo-os jogando ou ensinando os amigos os segredos para superar cada fase. Hora da conversa séria, porque tem algo aqui precisa ser esclarecido!


Sentamos na minha cama, como era de hábito para discutir assuntos sérios. Territórios são importantes para acentuar finalidades, quando se educa por exemplos. O mesmo lugar onde eles vinham buscar aconchego, eles também vinham para compartilharmos problemas e soluções. Faz parte de não criar a imagem do erro como punição, mas do erro como forma de aprendizagem. 


Enfim... “Como vocês explicam isso?”. Passei aos fatos e quase enfartei com a resposta.


Os olhos, verdes e claros dos dois, me contaram com tranquilidade e alegria que eles estavam conseguindo fazer o que eu havia pedido, só que do jeito deles. Dos amigos da escola, eles pediam em troca dos desenhos o próprio material de desenho (“-porque ninguém tinha dinheiro mesmo, né mãe?!”). Dos amigos do condomínio, eles negociaram os desenhos em tempo com fitas de game que os amigos tinham/locavam.


Eles descobriram com o professor da escola que o que eles queriam fazer chamava-se “escambo” e que era a forma de comércio do início dos tempos (“-não estamos fazendo nada errado nem ilegal, mãe!”), e que o escambo não era só a troca de serviços e de materiais: poderia envolver o conhecimento também! O tal professor ajudou eles a planejarem o tal “escambo”: um desenho pequeno leva “x” tempo para fazer, então ele custa “2x” tempo de fita de game emprestada, ou “y” material de desenho gasto para fazer. Ensinou ainda que se eles sabiam como passar todas as fases do game antes dos amigos isso também poderia ser “moeda de troca justa”. Quanto mais complicado o segredo para passar de fase, mais tempo de game emprestado ou mais material de desenho em retorno.


Foi assim que meus filhos mais velhos se tornaram empreendedores dos próprios talentos, gestores inteligentes do seu tempo, organizadores de soluções para problemas claros do cotidiano e mentores das irmãs, que seguiram seus passos. Isso aos 9 anos. E nunca mais pararam de crescer...


Gere a motivação e não precisará se preocupar nunca com o desempenho estudantil do seu filho, palavra de uma mãe de quatro filhos que pouco falou sobre responsabilidades com eles: eu mostrei isso, nas preciosas horas juntos. E mais do que excelentes profissionais, todos eles cresceram como pessoas incríveis! Por isso eu sou a fã número um de cada um dos quatro."


Curtiu? Deixe sua opinião nos comentários! Obrigada Denise, mais uma vez, pela atenção e por compartilhar sua experiência como mãe e profissional com todas as abelhas da colmeia! 



#7 Podexá que já estou me preparando psicológicamente! hehehe... E acho que a pimpolhada se ocupará de me oferecer o upgrade quando chegue o momento! ;)

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#6 Hahaha! @Marcos Vinicius Fernandes Ferreira se você é da área de artes, então prepare-se para muita cor, tinta, papel e animações! Mas não basta ser pai, hein! Tem que sentar no chão, cantar junto com a Ariel, brincar de Castelo Rá-Tim-Bum e Mundo de Beackman, e por aí vai... (ok, faça um upgrade das dicas em pelo menos uns 25 anos, ok?!). Super abraço!

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Relato incrível @Denise Da Vinha Ricieri! Como professor de arte (por formação) e aspirante a pai, muitas vezes me imaginei em situações hipotéticas como seria a educação que daria aos filhos que ainda nao tenho. Foi ótimo ler seu artigo e verificar que estamos de acordo em muitas coisas, sobretudo que despertar a curiosidade e a motivação é a chave para propiciar um aprendizado autônomo e eficiente!

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@Javier beBee ours sons are everything, and mine were (and are) the biggest motivation to build an innovative career on education. Thanks for this opportunity to share!

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@Tifany Rodio foi uma alegria inenarrável poder dividir um pouquinho da minha experiência com todos por aqui! Muito obrigada pela oportunidade e pelo carinho.

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Tifany Rodio Sep 27, 2016 · #1

Parabéns pela família, @Denise Da Vinha Ricieri! Foi uma honra conversar com você!

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