Vera Bahiense en Rede Innovares de Conhecimento (Innovares Hive), beBee em Português, Professores e Educadores Professor • Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE 20/11/2016 · 3 min de lectura · 4,0K

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Enquanto no Brasil a trend do momento são as MP e PEC, discutidas por meio de ocupações estudantis e impactando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação/LDB, na Educação internacional o assunto foi a inovação disruptiva tão anunciada nos últimos 5 anos e que já se fez realidade. A  “Universidade sem Professor”  virou notícia, manchete e assunto em muitas timelines.

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Eu e Denise da Vinha somos parceira de trabalho e amigas de uma vida de desafios que enfrentamos juntas. Embora tenhamos formações em áreas diferentes, nossas competências se completam, quando o assunto é Educação, tecnologias e processos de aprendizagem.


Escrevemos antes sobre o mito do Vale do Silício sem, entretanto, tirar os méritos do sonho da garagem. Pois é exatamente de lá que veio mais uma disrupção: a “Universidade Sem Professores”.

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Se alargarmos nossa visão para além do sensacionalismo de um suposto grande fenômeno, veremos que a novidade não é tão nova assim.

Creio que estamos, na verdade, sentindo os primeiros verdadeiros respingos do tsunami da Educação, do qual nos falava André Ghion (twitter: @andreghion), da Move 2, quando nos encontramos para um café (um café sempre acompanha boas memórias!) em dezembro de 2015, em um evento sobre inovação e empreendedorismo, na cidade de São Paulo.

Na ocasião, estávamos, já no espírito da Rede Innovares, buscando nossos caminhos para provocar processos de inovação na Educação e oferecer diferencial competitivo aos que, conosco, dividem as ações do aprender a aprender colaborativo.

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

À época trocávamos figurinhas com o novo colega, André, sobre os destinos da Educação Superior. Vínhamos de um ano de trabalho intensivo na construção de propostas em educação, com base em metodologias ágeis e criativas, nos modelos de aprendizagem baseada em competências, em projetos, e em problematização. Além disso, tínhamos nosso horizonte inicial traçado para compreender as interrelações da educação com as trends e conceitos emergentes, como empreendedorismo, futurismo, uso de tecnologias como caminho para processos de aprendizagem e protagonismo dos atores do cenário educacional.


Esse é um daqueles momentos em que a expressão quando você tem todas as respostas, vem a Vida e muda todas as perguntas”. Foi exatamente assim que nos sentimos para o que veio a seguir…

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Somos o retrato da carreira acadêmica padrão: duas doutoras e avaliadoras do MEC, cheias de certezas sobre a educação brasileira por nela termos atuado durante todo o período de transição incluindo LDB e Lei SINAES.

Conversamos, então, com um empresário, ou seja, alguém que vive o mundo real e as demandas de formação requeridas pelo mercado de trabalho. Alguém que olha nossos egressos e conclui sobre o bom (ou mau) trabalho que estamos fazendo. Um feedback essencial, mas pouco praticado por gente como nós, da academia.

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Entre um café e outro, algumas trocas de pontos de vista, estabelecemos um clima de liberdade de expressão, sem meias palavras. Foi quando André sacou uma surpresa (para nós):


a educação como está agora vai acabar, o diploma não vai mais valer o que vale hoje”. Representantes do sistema formal educacional, que somos, tentamos até redarguir sobre a legislação e os processos regulatórios rígidos, mas ele foi novamente enfático: “o MEC vai acabar se rendendo (…) o que estamos vendo já são pequenos sinais de um grande tsunami que está se formando. Não nos damos conta, porque são sinais aqui e ali, mas temos de estar atentos e proativos, porque quando o tsunami vier, o que fazemos hoje, determinará se estaremos na crista da onda ou sendo engolida por ela”.

André Ghion in São Paulo/SP, Brazil - Dezembro/2015

Era Dezembro de 2015 (há quase um ano, apenas) quando estas palavras nos impactaram sobremaneira e nos chocaram, por mais arrojadas que fôssemos. Jamais, nunca, naquele momento, chegaríamos a tal pensamento sozinhas, a partir da nossa experiência dentro do ambiente da Educação Superior, há três décadas.

Como não somos de nos assustar e nem de nos afogar em copo d’água, nos entreolhamos e sentimos “desafio à vista!”. Nada nos motiva mais que um desafio sensato e pautado em boas perspectivas de crescimento pessoal, profissional e para o meio em que atuamos! Passamos a estudar que “tal cenário era esse”.

Qual não foi a nossa surpresa, ao levantar dados, evidências e notícias no Brasil e ao redor do mundo, de encontrar vários e claros sinais da analogia a deste fenômeno da natureza (tsunami), invadindo aos poucos a Educação.

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Pesquisadoras por natureza, fomos à luta e nos apresentamos em busca de parcerias: era o momento de (re)aprender a aprender! Descobrimos, assim, um mundo de grupos e instituições já trabalhando em propostas inovadoras e começamos a discutir, analisar e aprender a identificar as tendências, modelos e métodos que as balizavam.

Por essa razão, as notícias desta semana sobre o fenômeno universitário americano, nos fez recuperar aquele dezembro de 2015 com uma sensação de dever cumprido. Diante do novo, do inusitado, não perdemos tempo com “mimimi”, mas sim, fomos em busca daquilo que precisávamos para compreender o fenômeno, em primeiro lugar, e para se antecipar a ele, na sequência.


Vamos, então, analisar o contexto e a proposta da “Universidade sem Professores”?

Uma universidade sem professor não é um fenômeno exclusivo dos Estados Unidos. É, na verdade, parte de um processo de emancipação, de protagonismo, e que antecede novos tempos que, certamente, virão.

Se olharmos um pouquinho pra trás, em uma análise sem a pretensão de ser uma tese, veremos que conhecimento, ciência, cultura, tecnologia e mundo do trabalho sempre estiveram na base da evolução dos processos sociais e educacionais.

A Escola, em sentido amplo, já atendeu a projetos dos mais diversos, de uma profunda reflexão humanística a uma desnecessária ênfase ao técnico-profissional. Parece haver sempre um descompasso entre o que o setor produtivo deseja e o que a escola e seus professores entendem que é o que se deve ensinar. Não entraremos na discussão das razões deste cenário neste momento.


“O que queremos levantar, aqui, como ponto de discussão é a real e necessária conexão que deve ser feita entre escola, a formação integral do homem, o mundo da vida, o mundo do trabalho, ciência e tecnologia.“

O fenômeno da Universidade sem Professor: moda, modelo ou tendência?

Não perca a continuação dessa análise, no próximo post!


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Denise Da Vinha Ricieri 21/11/2016 · #1

Uma análise sob a perspectiva do fenômeno em si. Universidade sem professor: é possível? Como? Sob quais perspectivas?
Um texto (show!) para ler e refletir... Primeira parte + café = boa leitura!

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