Vera Bahiense en Rede Innovares de Conhecimento (Innovares Hive), beBee em Português, Professores e Educadores Professor • Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE 21/11/2016 · 4 min de lectura · 3,7K

Universidade sem professores: um mundo que muda todos os dias (Parte 2)

Retomando o assunto sobre a “Universidade sem Professores” (leia o texto anterior aqui), não podemos nos furtar a perceber uma lógica aparentemente perversa.

– Ora, que absurdo! Precisamos dos professores!

Claro que precisamos. Mas antes, precisamos de uma escola que interaja, DE VERDADE, com o mundo que anda e muda, apesar de cada um de nós e, ao mesmo tempo, por causa de cada um de nós.


  • A LDB (1996) reorganiza o  ensino superior, instaurando níveis dentro do nível.

Assim, a Educação Superior passa a contar com cursos sequenciais (de formação específica e complementar) e com cursos superiores de tecnologia, além das formações tradicionais dos bacharelados e licenciaturas.

Os cursos conhecidos como  “tecnólogos” recuperam modelos estrangeiros, os “colleges” norte americanos e a graduação e pós-graduação europeia, com base no Tratado de Bolonha de 1999, já trazem a necessidade de formação mais rápida e que atenda aos anseios do setor produtivo.

Poderíamos aqui dizer que isso é limitante, pois a educação estaria à disposição de sistemas econômicos.

Não discutiremos isso agora, mas lançamos um outro questionamento: será que uma educação mais focada, mais ligada na vida real, no mundo da vida e do trabalho real, não atenderia aos interesses das pessoas também? De nossos estudantes? No mínimo, devemos, nós professores, refletir sobre isso.

Universidade sem professores: um mundo que muda todos os dias (Parte 2)

É neste contexto de formações mais rápidas, porque o mundo anda mais rápido do que andava até a década de 80, no século passado, que a educação vem se modificando e instaurando um processo de democratização ao conhecimento, promovido por governos e setor produtivo, sim,  mas, principalmente pelas pessoas.

Temos inúmeros exemplos disso:

  • Khan Academy, com os Moocs;
  • Iniciativas como a Wikipedia, as certificações profissionais como Oracle, Java, Cisco,  MCSD (na área da Tecnologia da Informação);
  • Certificações ISO e PMI, e tantas outras certificações (e não, diplomações).

A necessidade do conhecimento, mais do que a necessidade da diplomação, vem ganhando força em áreas onde a velocidade dos avanços é infinitamente maior que a velocidade de as instituições formarem e diplomarem seus profissionais. Este descompasso entre educação formal e diplomação e a necessidade do conhecimento e da prática profissional é que fazem surgir “fenômenos” como a Universidade sem Professores.


  • “Universidade sem Professores” começa, na verdade, em Paris, no ano de 2013…
Fomos estudar a notícia, analisar o fenômeno (atributo indispensável de quem forma opiniões, como Educadores e pesquisadores), e vimos que não era exatamente assim: uma universidade, no sentido stricto, que caíra de paraquedas, no Vale do Silício neste ano de 2016.

A origem desta “Universidade” foi a École 42,  nasce na França, em 2013, com a instalação de seu primeiro campus, pelo empresário Xavier Niel, da área da tecnologia, uma daquelas que em mais de 30 anos de cursos superiores, o diploma não é fundamental para atuação profissional. As certificações, o conhecimento, o “sangue no olho”,  valem muito mais. O nome da nova universidade – 42 – é uma referência à resposta sobre qual seria o sentido da vida segundo o clássico de ficção científica “O Guia do Mochileiro das Galáxias” (“The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”, no original em inglês) de Douglas Adams – criado nos anos 1970 como série de rádio da BBC e transformado em livro, peça de teatro, minissérie de TV, filme longa-metragem, revista em quadrinhos, livro ilustrado e jogo de computador.

A escola não tem professores, salas de aula, avaliação de currículo e funciona 24 horas por dia. Adotando um clima descontraído e não priorizando a tradição da educação com salas de aula, programas, currículos, provas, professores no sentido tradicional, a Universidade fornece aos alunos projetos a serem desenvolvidos, já nos primeiros dias de aula.

Universidade sem professores: um mundo que muda todos os dias (Parte 2)

Eles são orientados por uma equipe de monitores “descolados” que não “ensinam”, mas orientam, mentoram as atividades, indicando caminhos e aceitando as novas descobertas que se agregam ao conhecimento já produzido e que se multiplica exponencialmente.

-Mas, isso é absurdo! Será possível aprender assim?

Isso é um exemplo, uma iniciativa que, obviamente não traduzirá um modelo padrão, mas um padrão diferenciado marcado pelo fim do aprendizado passivo e o início de um processo possível de aprender com quem se aprende.

-E os professores, são dispensáveis?

Se são aqueles que professam o conhecimento, sim, com certeza! Se são aqueles que apostam no aprendizado colaborativo, orientando os estudantes a serem capazes de trabalhar em grupo, discutir e defender ideias, absolutamente não são dispensáveis, ao contrário, esses são essenciais.

Universidade sem professores: um mundo que muda todos os dias (Parte 2)

Mas afinal, que nos mostra a École 42, a Universidade Minerva, a Singularity University, e os Moocs oferecidos por instituições como Stanford, Pensilvânia, Massachussets Iinstitute of Technology/MIT, HarvardUSP, UNB, UNICAMP?

Nos mostra que o mundo mudou.

-Mudou para melhor ou pior? Não é essa a questão, o fato é que ele mudou e não mudou sozinho.

Nós, “ordinary people”, governos, setor produtivo, escolas, partidários de Trump ou Hillary, de Dilma ou Temer, somos os protagonistas ou os coadjuvantes destas mudanças, e precisamos refletir qual é o papel que teremos/queremos daqui para frente. Faremos a mudança ou reagiremos passivos a ela?

Nossa escola, aquela em que nós trabalhamos mesmo, com nossos estudantes, com os pais deles, com a comunidade que a circunda, aquela que tem muitos problemas (mas muitas coisas boas também) é o espaço central da mudança.


  • Voltando a São Paulo, o café, o novo amigo André Ghion e suas previsões futuristas (realizadas) sobre o futuro da diplomação no Brasil…

Mesmo sem ainda o nome exato, ali se reorientava o projeto, a visão e a missão da Rede Innovares de Conhecimento, exatamente nesse dia em que o sobressalto e a surpresa de um novo olhar nos alcançou.

A diferença clara sobre o que seja educar, formar e diplomar, e a diferença entre o que seja o “ensinar” e o “aprender”, entre a aprendizagem passiva e protagonista. A clara noção de que, enquanto educadoras nós queríamos novos caminhos… e que eles já existiam. Mais que isso: eles se profetizavam.

Essa se transformou na nossa identidade: a Rede Innovares de Conhecimento se conecta real e digitalmente, entre os atores do cenário da Educação nacional e internacional, interessados em movimentar conhecimentos sobre a análise, prospecção, questionamentos, modelos e tendências no que seja aprender-a-aprender para (re)aprender-a-ensinar.

Universidade sem professores: um mundo que muda todos os dias (Parte 2)A Rede Innovares propõe novos olhares sobre a Educação, seja ela a École 42 ou a Escola de Educação Fundamental e Média de um bairro da sua cidade, no Brasil, ou em outro continente.

Porque o mundo muda quando as pessoas mudam. E as pessoas mudam quando transformam sua forma de perceber, interagir e usufruir de produtos, processos e serviços. São essas mudanças de hábitos que mudam o mundo. E é essa a nossa essência e a nossa especialidade: transformar pessoas para acompanhar as mudanças que as próprias pessoas querem, para mudar o mundo por meio de modelos e processos colaborativos de conhecimento e de ação inovadora.

Universidade sem professores: um mundo que muda todos os dias (Parte 2)

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Vera Bahiense 23/11/2016 · #4

#2 @DILMA BALBI -Contratos e Gestão seu link vai também para a Ècole 42, e penso que quanto mais discutirmos o modelo, suas vantagens e desvantagens, para essa ou aquela área do conhecimento e da atuação profissional, mais nos beneficiaremos das primeiras, e mais rapidamente conseguiremos ajustar as últimas de modo que se tornem, também, vantajosas. Obrigada!

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Vera Bahiense 23/11/2016 · #3

#1 Obrigada @Marcos Vinicius Fernandes Ferreira, nosso trabalho (meu e da @Denise Da Vinha Ricieri) vai exatamente neste sentido. Desenhamos a Rede Innovares para essa finalidade, há 1 ano. Comemoraremos os 2 anos em 2017 com a ampliação das nossas atividades por meio do MBA. E para 2017 estamos já gestando uma novidade para formar "pessoas com mindset de crescimento". Acreditamos que esse é o futuro e que podemos contribuir muito, ainda, para que a geração de vocês o tornem ainda melhor (para nós também!). Abraços!

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Muito bom @Vera Bahiense! Estou convencido que o papel da universidade não é apenas formar, mas também gerar conhecimento. Boa parte dos modelos tradicionais de universidade pecam um pouco no segundo quesito… É preciso criar um ambiente propício para o surgimento de mentes investigativas e criadoras, que sejam capazes de buscar o conhecimento sem que alguém lhes diga onde está. Lendo seus artigos estou convencido que a Universidade sem professores pode ser uma alternativa muito potente nesse sentido.

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