Yuri Cidade en Artistas, Músicos e Atores, Estudantes, Escritores Estagiário • Ministério Público de Santa Catarina 8/11/2016 · 3 min de lectura · 1,4K

Dona Morte

Dona Morte

Estou sempre à espera. E não seria diferente naquela fatídica tarde de terça-feira. As freiras cruzavam a rua encasacadas em pleno calor de 30 graus rumo à igreja. Eu degustava uma cerveja solitária, que era a única habitante da minha geladeira. As veias do meu braço dilatavam e pulsavam tentando me mostrar que ainda estou vivo. Meus vícios tinha me deixado alerta, no qual a porta sempre estaria aberta para uma morte repentina. Assim como minha cama sempre estaria quente pra receber um belo par de pernas. São horas, rodas, rotinas e sinas as quais os demais poetas escondem por trás de textos feitos de algodão doce. O meu doce é ácido, ilusório e distópico, deixando que meus sonhos utópicos sejam apenas parte de uma conversa de bar. O ar havia pesado. Aquele mormaço de uma tarde de primavera, revelava que meu cérebro demorava mais a trabalhar. Era como se tudo tivesse ligado a câmera lenta, passando um filme previsível como qualquer um da sessão da tarde. Passos no corredor e um leve bater na porta. Era mulher. Nenhum homem teria como bater na porta apenas com o perfume de suas mãos.

– Quem é? – me limitei a gritar da cadeira de onde eu assistia a vida pela janela.