Yuri Cidade en Artistas, Músicos e Atores, Estudantes, Escritores Estagiário • Ministério Público de Santa Catarina 3/10/2016 · 4 min de lectura · +900

O Diabo só queria ser humano

O Diabo só queria ser humano

O real está sempre a espera de te devorar. Abriu sua imensa boca desdentada, mastigou e me engoliu, degustando o sabor ácido de sua ilusória percepção. Me senti como uma droga sublingual, a qual nem eu mesmo pude experimentar. Eu era o efeito. O jeito com que fui dissolvido pelo dia, me lembrava beijos molhados da hipocrisia de uma prostituta a dizer que me amava. Levantei da cama, juntei as mãos e estalei os dedos, fazendo um som quebradiço que rompeu o silêncio de um dia sem luz. “Um dia sem sol é um dia perdido.” Ainda meio que dormindo, reparei no ventilador desligado, que rodava somente ao som brisa solitária que me fazia companhia na ressaca. Meu cachorro tornou a lamber o próprio traseiro, me lembrando por inteiro como era ser apenas um animal. Pela janela eu via o calor subir do concreto. Aço, passos, falsos, trajeto de um dissimulado debruçado em cima dos próprios sonhos. Paralelo bisonho. Me pus de pé e caminhei até a varanda, acendendo um cigarro e passei a cumprimentar as pessoas que pela rua passavam. Escasso tempo inevitável de um lapso qualquer que se confunde com o traços na minha parede. Em cada rosto, uma vida, um pensamento, um desalento em não saber o que se pensa. Apenas a propensa mania de continuar a caminhar sem olhar pros dois lados antes de atravessar a rua e a vida. A tarde se fazia instigada por uma cerveja, mas na minha mesa, só haviam apenas moedas de pequeno valor e um odor de noitada. Derrubei