Yuri Cidade en Artistas, Músicos e Atores, Estudantes, Escritores Estagiário • Ministério Público de Santa Catarina 21/9/2016 · 2 min de lectura · 1,1K

Que olhos são esses?

Que olhos são esses?

Me observam, me devoram. Desatam a me afogar nas lágrimas de um rosto sem silhueta. Treme a caneta. Distúrbios, murmúrios vindos da parede. Tenho sede. Boca seca, coração amargo e mente acelerada demais pra raciocinar. A vida se faz de lar pra morte que tende a possuir após cada minuto. Nem de perto estou seguro. Procuro, acendo a luz mas só vejo sombras. Tomba meus sentidos, dividindo minha realidade em dois lados da mesma moeda. Viciada queda. Cara ou coroa. Pensamento voa. Roleta russa com a caneta sem tinta apontada pra minha cabeça. Apareça! Mostre sua faceta, covarde. Nada se materializa. Silêncio Arde. Queima minha garganta. Afeição da ignorância. Já é tarde, mas me apego de que é cedo demais para partir. Joguei com todas as mente para no fim só me confundir. Quero sair daqui! Mas minhas pernas não se mexem. Permaneço inerte. Esquecem dos comandos do meu cérebro. Me consome naquele fantasmagórico olhar célebre. Vida que segue. Porque pões minha existência em xeque? Passado que reaparece. Fecho meus olhos em sinal de prece, mas no mesmo instante minha sanidade padece criando ilusões abstratas de um tempo retroativo e confuso, me forçando a reviver em vários turnos. Difuso. Minha vez, sua vez, o que seria de vocês sem o eu? Quem carrega o mundo como penitência é Prometeu. Não eu. É tudo meu. Porém os olhos querem ser o “nosso”. Bebo o que posso. Próxima rodada do jogador a minha esquerda. De vereda me impacta e caio na cilada. Sorte ou revés? Não jogarei na próxima rodada. O nada me apetece, mas o desconhecido me enlouquece bloqueando minhas palavras anestésicas de uma poesia bélica sobre a próxima bomba mental que estou prestes a detonar. No ato, o gato virou rato a procurar sua toca. Sem rumo, sem rota, desorientado ando em círculos no meu quarto, cercado por aqueles olhos que continuam a me encarar. Relógio parado, cigarros apagados, quarto bagunçado, mas nada bloqueia a visão intrigante daquilo que me vigia. Agonia, trivial alegria que se oculta em um sorriso de desespero. Continuo preso. Logo eu, tão somente egocêntrico, me deixo levar pelo intenso medo de estar errado. Fui quebrado e espalhado em cacos. Desconstruí o mundo e este me retribuiu com um vazio cheio de confusas teorias que levam nada a lugar nenhum. Serei eu quem cria? Ou serei eu personagem de um conto? Contraponto naqueles olhos cínicos. Tenho a impressão de estar entrando em um quadro clínico de esquizofrenia. Por que me vigias? Analisa meu ser e abomina meu saber como se tudo fosse uma simples contradição que crio para adormecer meu dom de ser vazio. Suo frio. Meu hálito tem gosto de ressaca. Enxaqueca que não passa, só dispara. Coração acelera e a pressa me esgueira pelos cantos de minha alma. Perco a calma e com isso a racionalidade. Minha filosofia da humanidade escorre pelo ralo da pia. Dia após dia, já em vigília, observas as trevas da minha queda egocêntrica. A penitência me dependura numa cruz consolidada. As amarras que cortei, tornam a me amarrar naq